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Caixa prevê taxa de crescimento de 30%em 2011

Texto: Redação AECweb

O vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival Alves Pinto, revelou em entrevista exclusiva os planos estratégicos e investimentos do banco para 2011

24 de junho de 2011 - Para ampliar o campo de atuação e crescer no sistema bancário, a Caixa Econômica Federal aposta em 2011 em investimentos para infraestrutura, empresas e clientes de baixa renda, revelou o vice-presidente de Finanças da CEF, Márcio Percival Alves Pinto, em entrevista exclusiva ao DCI.

A projeção da taxa de crescimento do crédito é de 30% a 32%; já a perspectiva para o segmento de infraestrutura é de 27%. Na área de cartões, o atual foco está na bandeira Elo, com lançamento de pré-pagos ainda este ano.

A parceria com o banco Pan Americano é estratégica para o banco no sentido de ampliar a carteira de crédito de veículos, consignado e middle market.

DCI: No primeiro trimestre de 2011, a Caixa Econômica Federal apresentou crescimento de 4,5% do lucro líquido, para R$ 812,4 milhões, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Na divulgação dos resultados, o banco declarou que o objetivo é aumentar o volume de operações e participação no mercado. Quais são as estratégias para atingir esse objetivo e impulsionar o crescimento?

Márcio Percival Alves Pinto: A nossa avaliação do mercado no geral é que há uma desaceleração do ritmo de crescimento do crédito. Estava a uma certa velocidade e vem desacelerando, principalmente para pessoa física, desde fevereiro de 2011. O ritmo de elevação de concessões estava por volta de 22% e caiu para 18,6% no acumulado de 12 meses. Em pessoa jurídica, o mercado parou de crescer, com queda de 9,7% para 9,6% no mesmo período, com estabilização da taxa de crescimento. Já no conjunto do mercado livre, o ritmo de concessão acumulada em 12 meses estava no maior momento em fevereiro, com taxa de 14,2%, e caiu para 13%. Estes fatores, junto com as medidas macroprudenciais e elevação da taxa de juros, têm levado a uma previsão de que o estoque de crédito vai crescer até o final do ano por volta de 15% a 16%. Como hoje está em 22%, a gente imagina que até o final do ano terá uma desaceleração.

Nesse contexto, a Caixa também diminui a taxa de crescimento, com projeção de uma taxa menor para 2011, embora a nossa expectativa é de que chegue ao final do ano a 30% ou 32%. Este número é maior do que o mercado, mas estamos em uma desaceleração do ritmo. Nós crescemos, mas num ritmo menor e alinhado com o que acontece no mercado, com o mesmo impacto das medidas macroprudenciais.

As operações de crédito respondem pela expansão da Caixa, com R$ 46,3 bilhões no total de concessões, e as operações atingiram saldo de R$ 190,5 bilhões em março de 2011, alta de 41,5% em 12 meses. Como será mantido o crescimento em 2011? Quais são as linhas com mais investimentos?

MPAP: O importante é que acontece uma mudança da qualidade do crédito. Nós sentimos que há possibilidade de crescer o crédito nesse cenário atual, mais direcionado para pessoa jurídica e infraestrutura, focado no investimento a longo prazo, que chamamos de oito anos.

Nesse contexto, o financiamento habitacional tem uma característica muito importante, porque vai sensibilizar as áreas da economia responsáveis pelo crescimento do investimento e expansão da capacidade produtiva. Então nós temos a consciência de que o crescimento do crédito imobiliário, com previsão de aumento em torno de 37% em estoque neste ano, terá um efeito extremamente positivo na formação de capital da economia e investimento.

Na última quinta-feira (16/06), o governo federal lançou a segunda etapa do programa Minha Casa, Minha Vida, com meta de investimentos de R$ 125,7 bilhões até 2014 na construção de 2 milhões de unidades habitacionais. Como está o desenvolvimento desse programa em 2011 e expectativas?

MPAP: Na área habitacional, a Caixa continuará com os financiamentos tradicionais, apoiados em poupança e fundo de garantia, além do que será feito no programa Minha Casa, Minha vida, que tem R$ 75 bilhões em recursos do orçamento do tesouro. Além disso, temos como prioridade também crescer em investimento em infraestrutura.

A principal fonte de captação de recursos para o crédito imobiliário, a poupança, teve captação líquida negativa em maio, de R$ 1,301 bilhão, por conta do aumento das retiradas, de R$ 108,706 bilhões, de acordo com o Banco Central. O fato gerou expectativas sobre o impacto no segmento, nesse contexto como está o funding da Caixa?

MPAP: A Caixa é impactada como o mercado, mas muito menos. No contexto de diminuição das captações líquidas para a poupança, a Caixa tem ido muito bem. Só no mês de maio até agora teve uma captação líquida positiva. Ainda que a tendência seja de desaceleração nas captações da poupança, a Caixa está com captação positiva em maio e na perspectiva de julho também.

Com relação ao financiamento da habitação, nós temos possibilidades de combinar vários fundings que dão sustentabilidade a essa taxa de crescimento, como poupança e fundo de garantia. É claro que o ritmo de crescimento é muito forte da habitação, mas a curto prazo não tem nenhum problema de sustentação.

Também pensamos em processos no mercado de security (securitização). No mês passado, fizemos um teste, no qual a gente colocou 250 milhões de CRIs [Certificado de Recebíveis Imobiliários] no balcão para venda ao varejo, com uma boa aceitação. Nós vamos aprimorar o produto e fazer mais lançamentos e, com isso, ele pode se constituir numa boa fonte de financiamento da habitação, assim como as LCIs [Letras de Crédito Imobiliário]. A curto prazo nós temos o funding para sustentar esse crescimento em torno de 37%.

Há no mercado a tendência de negócios para empréstimos para pessoa jurídica. Como a CEF atua nesse segmento?

MPAP: No cenário atual da Caixa Econômica, temos convicção de que terá demanda por investimento em infraestrutura em torno de R$ 1 trilhão nos próximos quatro anos, ou seja, R$ 250 bilhões por ano em petróleo, pré-sal, PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Copa do Mundo, mobilidade das cidades, e o Minha Casa, Minha Vida.

A Caixa e o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] têm um papel muito importante no financiamento em infraestrutura e continuarão a investir em longo prazo, quer seja com recursos do FGTS ou recursos de funding da Caixa, com operações comerciais normais, estruturação no mercado de capitais e fundos de FGTS. Para ter uma ideia, a Caixa tem até abril de 2011 contratado quase R$ 40 bilhões de saldo em infraestrutura. Entre R$16 bilhões e 18 bilhões do fundo FI / FGTS, R$ 12 bilhões em operações de crédito normais e R$ 1,5 bilhão de debêntures, o que equivale a 10% do PIB [Produto Interno Bruto].

Para nós, o mercado de infraestrutura é muito importante e consideramos que há uma mudança na composição, com perspectiva de financiamentos. Isto está muito alinhado com a agenda do governo de criar funding para financiar a longo prazo, através de Letras Financeiras, mercado de security e dinamizar o mercado secundário de papéis privados, dando liquidez e referência de taxa de juros.

Em infraestrutura e saneamento, a gente pretende crescer 27% nesse ano. O crédito teve uma primeira fase nesses últimos 10 anos de crescimento da oferta, no segundo momento houve diminuição da taxa de juros e a terceira fase que entramos agora é tentar organizar o crédito, ampliando os prazos de financiamento para infraestrutura e pessoa jurídica. No meu ponto de vista, isso é o que a economia precisa: organizar os fundos públicos, privados e a capacidade do sistema para financiar a longo prazo.

Na área de pessoa jurídica, a Caixa tem crescido no crédito rotativo, que é uma espécie de cheque especial com prazos mais extensos, e nesse ano a previsão é de elevar em 30%, aproximadamente. Já no crédito especial para empresas, o capital de giro, a nossa projeção de crescimento é de 40%.

Nessa área de pessoa jurídica, a CEF tem planos para o microcrédito do setor produtivo?

MPAP: Organizamos pontos para suportar essa importante prioridade do governo, junto com o Banco do Brasil e BNDES e outras instituições financeiras para apoiar o microcrédito para o setor produtivo, com rediscussão do funding. Já existe essa linha atualmente e analisamos numa perspectiva de aumentar prazos e abaixar as taxas.

De janeiro a março, as rendas com cartões acumularam R$ 193 milhões, um acréscimo de 47,2% sobre o mesmo período do ano anterior. A quantidade de cartões de crédito emitidos chegou a 5,5 milhões de unidades, crescimento de 3%. Quais são os planos de expansão da área de cartões?

MPAP: Nós fizemos um memorando de entendimento com o Bradesco e com o Banco do Brasil para o lançamento do Elo para débito, crédito e o vale e realizamos a implementação, que, por meio de um acordo operacional, permite que os três bancos emitam o cartão de débito e crédito Elo, que para nós será um importante produto financeiro. A perspectiva é de que essa bandeira vai atingir 15% do mercado em um período de cinco anos.

Agora estudamos a possibilidade de lançar o Elo Vale, que seria um pré-pago direcionado para a área de alimentação, a princípio. No entanto, ainda tem transporte e outros tipos que estão em estudo. Nós estamos em discussão e a previsão é de que no começo do segundo semestre esse cartão já esteja em circulação.

A área de cartões continua com perspectiva de expansão no seu conjunto e nós temos um filho novo, o Elo, que damos um pouco mais de atenção. Mas continua com a emissão das outras bandeiras. Em 12 meses, a taxa de crescimento em cartões tem sido 18,7% e do mercado 18,5%. Então nós acompanhamos o ritmo , com market share em cartões de crédito de 7,1%. Em 2011, a taxa está sendo ajustada para um patamar de 30%.

A CEF entrou na parceria com o Bradesco e BB, no qual cada instituição financeira possui 33% dos negócios da Elo Serviços. Como está a participação atualmente?

MPAP: A Elo Serviços, que faz crédito e débito, ainda está em fase de constituição. Nós estamos já lançamos cartões mesmo sem a empresa porque há o acordo operacional que permite. Mas essa empresa também será constituída nos próximos meses e já tem diretoria.

Na Elo Vale a gente analisa como será a constituição da nova empresa, pois as participações serão diferentes, que ainda estão em discussão e serão proporcionais aos negócios que as empresas aportarão num período de cinco anos. O Banco do Brasil e Bradesco terão participações maiores, mas ainda discutimos a de cada um. Nós temos participação menor, mas com possibilidade de crescer.

No sistema bancário, observamos o constante investimento em postos de atendimento, com ampliação da rede de correspondentes bancários, caixas eletrônicos, agências e até a utilização dos Correios, em que a Caixa participou do leilão até a 5ª rodada, quando os lances estavam próximos de R$ 2 bilhões. Como acontece atualmente a ampliação da rede de atendimento aos clientes?

MPAP: Como nossa estratégia está na priorização do cliente, é muito importante que a gente tenha adequado os produtos e canais. Dentro disso, estamos com projeção de ampliar os correspondentes, lotéricas e promotores. É extremamente importante trabalhar com o não cliente, o consumidor que está no comércio, o nova classe média que é o cliente da Caixa e, para isso, essa ampliação de canais é estratégico.

Nesse sentido, a parceria com o PanAmericano ajusta exatamente, porque dá uma condição maior de ampliação do crédito. Hoje nós temos 53 milhões de clientes e 75,8% do mercado de contas simplificadas, àquelas de baixa renda. Esse tem sido o nosso foco, que é o cliente da Caixa. O que é importante para ampliar esse mercado é ampliar o número de canais de atendimento.

A composição acionária do banco PanAmericano possui 36,6% da CaixaPar, 37,6% do BTG Pactual e o restante free-float. Após o rombo financeiro de R$ 4,3 bilhões revelados em novembro de 2010, qual a importância dessa parceria no contexto atual?

MPAP: A parceria com o PanAmericano tem sido extremamente importante. Depois do susto que tomamos, começou a ser implementada a parceria com o BTG, com a autorização do Banco Central de entrada na sociedade. Nós já estamos finalizando o plano de negócios, que está sendo aprovado no âmbito do BTG, PanAmericano e Caixa Econômica Federal e dará uma condição importante de ampliação do crédito para a Caixa e de determinados nichos de mercado, focados principalmente em financiamentos de veículos, consignado e ampliação da plataforma de middle market.

Há negócios a serem realizados pela CaixaPar ainda em 2011?

MPAP: Nós estamos focados no projeto do Elo e estamos discutindo uma parceria com o Banco do Brasil na empresa Cobra, da área de tecnologia da informação. Estamos focados nessas duas áreas e implementar os memorandos de entendimento firmados com todos.

Fonte: DCI

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