Canteiros de obras ganham um toque feminino

Texto: Redação AECweb

Com duração de seis meses, mulheres de 18 a 45 anos recebem a qualificação profissional necessária para atuarem

01 de junho de 2012 - A área da construção civil no Brasil tem recebido outro tipo de força de trabalho nos últimos tempos: a feminina. Pedreiras, pintoras, eletricistas e carpinteiras estão nos canteiros de obras realizando trabalhos até muito pouco tempo feitos apenas por homens. Formação de mão de obra foi o tema da palestra da Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção – Sobratema, que ocorreu nesta quinta-feira (31), durante o Sobratema Congresso, realizado junto com a M&T Expo 2012, que prossegue até sábado (2/6), no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. A palestra foi proferida por Norma Sá e Deise Gravina, coordenadoras do projeto Mão na Massa – Mulheres na Construção Civil, pioneiro no país.

O projeto teve início em 2007, no Rio de Janeiro, com o objetivo de capacitar mulheres em condições de vulnerabilidade para atuação na construção civil. Com duração de seis meses, mulheres de 18 a 45 anos recebem a qualificação profissional necessária para atuarem em canteiros de obras. “Mais de 50% da força de trabalho no país é feminina. Por que não treiná-las e colocá-las na construção civil, área que está sofrendo um ´apagão` por falta de trabalhadores? Estamos aqui para tornar isso real”, afirma Deise.

O curso já formou 410 operárias, 80 estão atualmente em sala de aula e, no próximo mês, mais 60 vagas serão abertas, totalizando quase 500 mulheres com capacitação profissional para atuarem nas obras. “Os empregadores destacam a organização, a limpeza, a disciplina, o não desperdício e a utilização de equipamentos de segurança como as principais características das mulheres no trabalho, o que transforma por completo o canteiro de obra”, ressalta Norma. E completa: “Não conhecemos nenhuma construtora que tenha contratado mulheres pela primeira vez e não voltou a contratar. Pelo contrário: pedem sempre mais operárias”.

O projeto, além de qualificar, encaminha as recém-formadas operárias para vagas de trabalho por meio da parceria que mantém com diversas empresas. “A vida dessas mulheres muda completamente. Sentem-se capazes e valorizadas, com função social definida e renda, o que facilita a educação dos filhos e a transformação da própria família e, consequentemente, da comunidade.”, afirma Deise.

Ao ser contratada para trabalhar em um canteiro de obras pela primeira vez, a operária formada pelo projeto Mão na Massa ocupa o cargo de meio-oficial, com salário de R$ 1.030,00, “muito maior do que os R$ 250, R$ 300 que ela recebia fazendo faxinas e outros bicos”, lembra Norma Sá. “Além do melhor salário, elas também modificam o comportamento dos homens no canteiro de obras. Eles passaram a buscar maior qualificação profissional, além de ficarem mais atentos à organização, segurança e limpeza do canteiro”, complementa Deise.

O projeto também estará na Bahia e no Rio Grande do Sul nos próximos meses. Na palestra, as coordenadoras colocaram-se à disposição de potenciais parceiros para trazerem o Mão na Massa à cidade de São Paulo. “Em nosso site, recebemos uma quantidade de e-mails enorme de mulheres de São Paulo expressando seu desejo de se formarem para a construção civil. Portanto, há mão de obra esperando para ser qualificada aqui na cidade. Queremos parceiros para mudar isso!”, finaliza Deise Gravina.

Fonte: M&T Expo