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Censo vai levantar oferta de engenheiros

Texto: Redação AECweb

Levantamento vai ajudar a criar um banco de informações que as empresas poderão consultar ao contratar profissionais

03 de fevereiro de 2011 - Diante da invasão de mão de obra especializada de países ricos no Brasil, o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) vai fazer um levantamento da oferta de profissionais de engenharia brasileiros.

Segundo o ministério, o "censo" vai ajudar a criar um banco de informações que as empresas poderão consultar ao contratar profissionais para obras de infraestrutura e do pré-sal.

O ministério informou que no futuro pretende estender essa pesquisa para outras profissões, "para auxiliar as empresas e os trabalhadores a ocupar vagas abertas no mercado de trabalho". A pesquisa do censo dos engenheiros começa em junho.

Os engenheiros irão responder questionários sobre sua experiência profissional e acadêmica nos conselhos regionais e no federal.

A sugestão para medir a mão de obra qualificada no País partiu do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea). Na semana passada, o presidente do Conselho, Marcos Túlio de Melo, e o secretário de Comércio e Serviços do Mdic, Humberto Ribeiro, discutiram a necessidade de realizar o levantamento.

De acordo com o presidente do Confea, o censo é essencial para que um apagão de mão de obra qualificada não comprometa o crescimento do País no médio e no longo prazo e permitiria o desenvolvimento de políticas precisas para o setor.

"Essa seria apenas a primeira de uma série de medidas necessárias para evitar um gargalo no mercado de trabalho e nos investimentos em infraestrutura, como os Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo e a exploração do pré-sal", ressalta. Segundo o Confea, o número de pedidos de registro de profissionais diplomados no exterior triplicou em 2010, de 115 processos anuais para cerca de 400. São engenheiros e arquitetos dos Estados Unidos, Espanha, Itália, Portugal, Inglaterra, Chile e Argentina.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Roberto Sérgio Ferreira, já havia anunciado que o setor estuda trazer profissionais da Espanha e de Portugal para suprir a demanda. Ele afirmou que há "algumas dificuldades pontuais, mas não é generalizada". Ele refere-se a falta engenheiros, principalmente que trabalhem na área de planejamento. "Mestre de obras, técnicos em edificações, carpinteiros, pedreiro de acabamentos são outros que apresentam a necessidade", explica.

Contraponto

A presidente do Sindicato dos Engenheiros (Senge-CE), Thereza Neumann, rebate estas análises. "Até hoje não temos conhecimento da demanda de profissional na construção civil do Ceará", afirma. "Qual a demanda?", questiona a engenheira civil. Ela garante que é possível qualificar profissionais "o mais rápido possível".

Thereza destaca ainda que os salários pagos não são compatíveis ao determinado pelo sindicato. "As empresas não querem pagar 8,5 salários mínimos por oito horas de trabalho ao dia", afirma. "O salário de engenheiro é insignificante".

Para ela, o censo a ser realizado vai permitir inserir a demanda do setor produtivo. Simultaneamente, o Senge-Ce, diz ela, vai desenvolver atividades junta a universidades e ao setor produtivo para levantar informações sobre os profissionais, além de agilizar encontros com o Coopercon-CE e Sinduscon-Ce para avaliar a possível importação de profissionais da Europa para o Estado.

Sobre a elevação de preços de serviços ligados à construção civil, ela explica que pedreiros, pintores, serventes representam grande quantidade de profissionais, o que deve estar elevando o custo da mão de obra. "Não é pelo engenheiro, que dá assistência técnica a uma ou até duas obras. O salário do engenheiro não repercute no aumento da inflação do setor".

Impacto na economia - Produtos e serviços são inflacionados

A falta de mão de obra em diversos setores econômicos no Ceará, a exemplo do que já acontece no Brasil, está inflacionando preços de serviços e produtos. O coordenador da Intermediação de profissionais do Sine/IDT, Antenor Tenório, reconhece que até os salários acabam inflacionados.

Construção civil e comércio são alguns exemplos de setores que tiveram um impacto inflacionário maior nos preços em 2010. A mão de obra para reformas e manutenção ficou 10,5% mais cara, assim como vestuário (7,48%) e alimentação fora de casa (9,81%). Todos estes valores são superiores ao do IPCA (Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo), que foi de 5,91%.

Para Olavo Henrique Furtado, coordenador de pós-graduação e MBA da Trevisan Escola de Negócios, a ausência de mão de obra qualificada tem o mesmo efeito em setores como logística e energia, por exemplo. "São setores tão importantes que, sem eles, o Brasil para", analisa. "O agravante é que você não resolve este problema da noite para o dia. Formar capital humano não é solucionado apenas com investimentos a curto prazo", avalia.

Antenor Tenório afirma que formação das universidade não está atendendo a demanda do mercado para a construção civil. Ele destaca que o esforço para alcançar a procura são os programas de qualificação com governo federal e do Estado. "São investimentos para qualificação, como o Planseq", diz. Além disso, ele informa que o Sine/IDT oferece orientação profissional gratuita. "Basta procurar uma das nossas unidades, com RG e CPF, inscrever-se e participar", orienta.

Fonte: Diário do Nordeste - CE


 

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