Cobertura verde vira moda, valoriza imóvel e melhora ambiente em SP

Texto: Redação AECweb

Topos de prédios se tornam jardins e fica possível encontrar até uma pequena floresta de coqueiros e palmeiras

21 de setembro de 2009 - Investir na área verde virou diferencial de peso entre os prédios paulistanos. Na Alameda Santos, região central da cidade, um edifício neoclássico, sexagenário, poderia ser confundido com tantos outros se, no sétimo andar, não existisse uma pequena floresta de palmeiras e coqueiros que atingem mais de 2 metros de altura.

As árvores estão plantadas em grandes vasos, tão numerosos, que tomam conta de todo o terraço de 200 metros quadrados. A vegetação esconde totalmente o apartamento, que virou uma espécie de atração nas redondezas.

"Tem muita gente que bate aqui para saber do apartamento. Alguns querem fotografar, mas o dono está sempre viajando", avisa o zelador Mario Vieira, de 74 anos, há 20 anos no prédio.

Nos arredores, iniciativas semelhantes chamam a atenção de quem passa na rua. Basta olhar para cima que dá para ver o verde escapando do último andar de alguns prédios. Tem pinheiro, cipreste, jabuticabeira, primavera e, às vezes, apenas uma folhagem encorpada - plantadas lá no topo do espigão de concreto.

"É uma forma de recuperar a área verde que a cidade vem perdendo, melhorando assim a qualidade de vida", diz o arquiteto Paulo Lisboa.

Mais do que atração turística, o investimento paisagístico virou moeda de negócio na hora de vender o imóvel. Quando a professora de português para estrangeiros Gabriela Galli, de 37 anos, começou a procurar apartamento para morar com o marido iraniano, ela queria um na região central de São Paulo, com uma área livre que lembrasse o quintal de uma casa, com plantas e, se possível, com passarinhos cantando nas primeiras horas da manhã.

Depois de visitar vários prédios no entorno da Avenida Paulista, ela se encantou com o Edifício José Figueiredo Júnior, na Rua São Carlos do Pinhal, com 60 apartamentos, que variam de 120 a 200 m².

Ela resolveu fechar negócio quando chegou ao terraço, no 10º andar, uma área comunitária, de 500 m², com canteiros de azaléias: "Assim que abri a porta do terraço, vi uma revoada de maritacas. Nem acreditei”.

Gabriela ainda descobriu que parte do terraço, 100 m² , pertencia ao apartamento da cobertura. A professora alugou a unidade disponível do 2º andar. Um ano e meio depois, conseguiu comprar a cobertura.

"Anteriormente era uma laje, com canos e nada mais na cobertura do prédio", conta a síndica, Bernadete Pitta Chahin, de 62 anos, há 9 no cargo.

Em 2004, com o apoio dos moradores e do corpo de conselheiros, conseguiu aprovar uma reforma, que transformou o espaço numa área de convivência. Ali foram levantados canteiros, uma pérgula, bancos, forno de pizza e churrasqueira. "Fizemos também um projeto de iluminação, que permitisse a utilização para festas", conta Bernadete.

Como a maioria dos edifícios antigos, o José Figueiredo Júnior, com quase 60 anos, não foi planejado com salão de festas, academias e outras áreas de lazer hoje comuns em novas construções. "Nosso terraço virou um grande diferencial."

Proprietário de um apartamento seminovo no Parque Real, a advogada Isadora Munhoz, de 33 anos, diminuiu a área da piscina do terraço de 150 m², para fazer um jardim para a filha Clara, de 5 anos. "Queríamos colocar mais árvores, mas algumas espécies, como a jabuticabeira, não se adaptaram, por causa do vento. E também tinha a questão do peso das plantas."

Vantagens
Paisagistas e arquitetos avisam que, antes de sair comprando plantas, é preciso chamar um especialista para calcular quanto a estrutura do prédio suporta a mais de peso. "Tive um cliente sueco que queria colocar na cobertura, na Rua Oscar Freire, nos Jardins, uma pequena mata atlântica", conta o paisagista Gil Fialho.

"O condomínio exigiu um estudo de peso. Mesmo reforçando a estrutura do prédio, cortamos o projeto inicial pela metade." Além das plantas, há de se considerar o peso da terra.

O verde nos prédios traz vantagens ambientais. "Além de deixar a temperatura agradável, poderia diminuir as ilhas de calor da cidade, se fosse incorporado aos projetos, como acontece em Tóquio e na Cidade do México, onde os governos dão incentivos fiscais para essas iniciativas", diz Fialho. As áreas verdes também ajudariam a absorver as águas das chuvas, ajudando na redução das áreas alagadas.

Fonte: O Estado de S. Paulo - SP