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Conclusão das obras aumenta as dívidas das incorporadoras

Texto: Redação AECweb

Endividamento de seis empresas subiu 10,5% no 1º trimestre

30 de maio de 2011 - Pressionadas pelo ritmo de vendas menor e a necessidade de entregar os lançamentos feitos ao longo de 2010, as incorporadoras estão mais alavancadas em relação ao final do ano passado e buscam agora recuperar as margens. Entre janeiro e março, a dívida líquida das seis maiores empresas do setor (PDG, Cyrela, Gafisa, MRV, Rossi e Brookfield) cresceu 10,5% em relação ao final do ano passado, beirando os R$ 12 bilhões. E as perspectivas de melhora são apenas para a segunda metade do ano. Antes disso, analistas estimam que diante do acelerado consumo de caixa que se observa no setor, o endividamento atingirá o nível máximo no segundo trimestre.

Entre as poucas que conseguiram manter as margens em níveis elevados e lucros em alta estão a PDG Realty, que ainda colhe os benefícios da compra da Agre, e a MRV Engenharia, na esteira das vendas do Minha Casa, Minha Vida. Cyrela e Gafisa ainda tentam estabilizar suas contas e cronograma de entregas, com a perspectiva de recuperação das margens ao longo dos próximos trimestres. No caso da primeira, a revisão de custos no orçamento continua a ter um forte impacto nos resultados. Segundo analistas, tais ajustes ainda devem manter a lucratividade da incorporadora sob pressão por vários trimestres, o que possivelmente irá impedir que o preço da ação reflita os reais fundamentos da companhia. Confiante, a Cyrela deixou claro durante teleconferência sobre o balanço do primeiro trimestre que o aumento de repasses e de securitização irá permitir que a empresa passe da atual situação de consumidora para geradora de caixa.

Para o analista Guilherme Vilazante, do Barclays, as más notícias no campo operacional da Cyrela seriam mais palatáveis para os investidores se viessem atreladas a dividendos compensadores, em razão do menor crescimento da empresa para os próximos anos. Na opinião do analista, outra questão importante é que a Cyrela continua a deter um volume, segundo ele, desnecessário de recebíveis de unidades entregues (atualmente R$ 1,7 bilhão) que ainda não foram securitizados.

Já a principal preocupação com relação à performance da Gafisa neste início de ano permanece sobre a queda expressiva nas margens e o alto consumo de caixa, ambos como reflexo do pico de atrasos em projetos lançados antes da crise financeira internacional de 2008. Entre os analistas, a perspectiva é de que com a entrega desses projetos no primeiro semestre, a companhia irá convergir para as médias do setor e sua carteira de recebíveis deve crescer, reduzindo a alavancagem até o final de 2011.

Em relatório, ao iniciar a cobertura das ações da Gafisa, no início do ano, a Ativa Corretora ressaltou que espera uma melhora gradativa das margens da companhia a partir da recuperação da Tenda, que já está em andamento, e, principalmente, com a entrega de projetos da controlada até o segundo trimestre.

Com atuação concentrada no segmento de média renda, a Brookfield está entre as empresas do setor que reconhece que haverá um aumento da alavancagem nos próximos trimestres, devido ao ritmo acelerado de produção. Ao mesmo tempo, aponta a empresa, a geração de caixa também deve crescer nos próximos dois anos com a entrega de lançamentos de 2008 e 2009. Nesse contexto, a partir de agora o principal gargalo para as incorporadoras em geral será a capacidade de execução.

Fonte: Jornal do Comércio - RS

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