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Consignado e imobiliário são bola da vez

Texto: Redação AECweb

Estoque de crédito para habitação chegou a R$ 78,6 bilhões em setembro de 2009, com avanço de 43% nos últimos doze meses

06 de novembro de 2009 - O segmento de crédito consignado - com desconto em folha de pagamento ou na conta de benefícios da Previdência - e de crédito imobiliário são considerados alguns dos mais atrativos e promissores para 2010, embora o crédito para empresas também possa passar por uma retomada no ano que vem, segundo os analistas e banqueiros.

No segundo semestre, com o mercado externo aberto e muito receptivo para a emissão de bônus de bancos, inúmeras instituições de médio porte ativas no crédito consignado, para consumo e também na concessão de empréstimos para empresas médias e pequenas conseguiram obter recursos de longo prazo no exterior para financiar a expansão de carteiras.

O Fibra e o BMG chegaram até mesmo a captar US$ 110 milhões e US$ 300 milhões, respectivamente, em emissão de dívida subordinada, que entra como capital no balanço das instituições financeiras. Com a transação, o BMG vai conseguir ampliar sua carteira de crédito em R$ 8 bilhões, diz o diretor financeiro, Ricardo Gelbaum.

O BMG, segundo ele, vê um enorme potencial no crédito consignado, que, hoje, já vem crescendo. O saldo total teve aumento de 32% em setembro em bases anuais, segundo o BC. O BMG ampliou sua carteira de R$ 15,8 bilhões em junho para R$ 17 bilhões em setembro. Segundo Gelbaum, hoje apenas 40% a 45% do total de aposentados e funcionários públicos no Brasil tomam esse tipo de crédito.

Outro segmento que atrai cada vez mais a atenção das instituições são os empréstimos para a compra da casa própria. Apesar da participação ainda pequena na carteira dos bancos, representando pouco mais de 3,5% do PIB, bastante abaixo dos níveis de outros países emergentes, as perspectivas são bastante favoráveis, dado o imenso déficit habitacional que chega a 6,5 milhões de moradias, segundo dados da Fundação João Pinheiro, de 2006.

O estoque de crédito para habitação chegou a R$ 78,6 bilhões em setembro de 2009, com avanço de 43% nos últimos doze meses. As novas concessões neste ano devem superar os R$ 32 bilhões, entre recursos para a construção e os consumidores. "Nossa projeção é que a participação do financiamento imobiliário possa chegar a 10% do PIB nos próximos 10 anos", disse o diretor do Bradesco Nilton Pelegrino.

Há ainda o programa do governo federal, Minha Casa Minha Vida, que prevê a construção de um milhão de moradias para famílias com renda de até 10 salários mínimos. Com parte do financiamento subsidiado pelo Estado, a previsão é de que os recursos cheguem a R$ 34 bilhões nos próximos anos.

O mercado interno de capitais de títulos de renda fixa também começa a dar sinal de vida, com R$ 20,6 bilhões levantados em debêntures, notas promissórias e FIDCs, os fundos de investimento em direito creditório, a securitização de recebíveis à brasileira.

O grau de investimento dado em setembro pela Moodys, a última agência que faltava para considerar o Brasil investimento não especulativo, contribuiu para o país levantar US$ 10,5 bilhões no exterior em outubro, um recorde.

Fonte: Valor Econômico - SP

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