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Consórcios internacionais disputam contratos milionários em São Paulo

Texto: Redação AECweb

Escritórios estrangeiros se unem a brasileiros em busca também de obras privadas; crise na Europa e EUA contribui

07 de novembro de 2011 - Copa, Olimpíadas, país emergente, economia estável. Tudo isso está atraindo arquitetos estrangeiros para o Brasil, em busca de oportunidades de negócios, coisa rara hoje nos Estados Unidos e na Europa, que enfrentam dura crise econômica.

Um exemplo da "invasão estrangeira" é a licitação de R$ 30,6 milhões da Prefeitura de São Paulo para a elaboração dos projetos de três novas operações urbanas.

Para disputar os contratos, sete consórcios se formaram. Em todos, há arquitetos estrangeiros. Mas, na maioria deles, há parceria com profissionais brasileiros.

"O brasileiro conhece bem a lei e a cultura local. O estrangeiro contribui por ter feito projetos fora e por trazer novas perspectivas", diz o secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem.

"Havendo crise lá fora, os escritórios vão procurar onde tem trabalho. Ninguém vai ficar de braço cruzado. Em qualquer mercado é assim", afirma Ronaldo Rezende, presidente da AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura).

Adriana Levisky, da Levisky Associados, se uniu a dois escritórios de Barcelona (ERV Architects e Jornet-Llop-Pastor) e um nacional (De Fournier, de um suíço radicado no Rio de Janeiro) na disputa pelo projeto da operação urbana Lapa-Brás.

Ela diz que a grande contribuição dos "gringos" é a experiência em desenho urbano. "No Brasil, temos experiência em planejamento urbano, mas não em desenho urbano. As nossas operações urbanas têm parâmetros legais, mas não se preocuparam com o desenho urbano."

Entre os estrangeiros, o que está mais estruturado no Brasil é o norte-americano Aecom, que faz o projeto Nova Luz, de revitalização da cracolândia. Eles também fizeram o plano diretor de Londres para a Olimpíada-2012.

Na Nova Luz, o Aecom tem sociedade com empresas brasileiras de projeto (Concremat), urbanização (Cia. City) e estudos econômicos (FGV), mas não há parceria com arquitetos nacionais.

O Aecom apresentou propostas para duas operações urbanas: Lapa-Brás -que fará o plano para a demolição do elevado Costa e Silva, o Minhocão- e Mooca-Vila Carioca -para revitalização da área industrial da Mooca.

Na empreitada, o Aecom se associou ao escritório de engenharia CNEC, criado por brasileiros, mas comprado no ano passado pelo grupo australiano WorleyParsons.

Outros projetos

Há outros projetos de escritórios internacionais em São Paulo. O norte-americano Daniel Liebskind projetou um edifício residencial de alto luxo no Itaim Bibi para a construtora JHSF.

Já o hotel "seis estrelas" que será feito no antigo hospital Umberto Primo, na Bela Vista, está a cargo dos franceses Jean Nouvel, arquiteto, e do designer Phillip Starck.

O governo do Estado entregou -sem licitação e sem dar a mesma oportunidade aos brasileiros- ao suíço Herzog & De Meuron o projeto do futuro teatro da dança, nos Campos Elíseos.

O governo do Estado disse, à época da contratação, que a ideia de trazer um escritório estrangeiro era de "expor a arquitetura brasileira à arquitetura internacional".

Também afirmava que, após ouvir consultores internacionais, chegou à conclusão de que o escritório Herzog & De Meuron era "o mais flexível" para elaborar um projeto de acordo com os interesses do governo.

Fonte: Folha de São Paulo


 


 


 

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