Construção acelerada no Nordeste aumenta vagas e salários

Texto: Redação AECweb

Região é disputada por trabalhadores que querem voltar à terra natal atraídos pelos empregos

28 de setembro de 2010 - Com o boom imobiliário e as grandes obras de infraestrutura, os peões da construção civil são disputados a peso de ouro pelas construtoras. Antes exportadora de mão de obra para o Sudeste e Sul, a Região Nordeste agora é disputada por trabalhadores que querem voltar para a terra natal atraídos pela oferta de empregos com melhores salários. Estudo da LCA Consultores, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregos (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, mostra que os estados nordestinos concentram 114.152 (34%) das 331.509 vagas geradas na construção civil nos últimos doze meses. Tanta efervescência no setor já provoca escassez de empregados nos canteiros de obras de cidades como São Paulo.

O economista da LCA Consultores Fábio Romão observa que o crescimento sustentável da atividade econômica nos últimos seis anos - excluindo o período da crise econômica (final de 2008-2009) - trouxe o aumento do emprego formal. O Nordeste não ficou de fora e tem gerado mais vagascom carteira assinada, com destaque para a construção civil. No país, o emprego com carteira cresceu 16,6% e no Nordeste atingiu a marca de 30,5% no período. Romão cita também a migração de novas plantas industriais para os estados nordestinos e a ampliação de fábricas já existentes, provocando a redução do fluxo migratório de trabalhadores para o Sul e Sudeste do país.

"Houve dois movimentos: a migração menor para São Paulo porque os trabalhadores vislumbram maiores chances de permanência na Região. As pessoas que estão fora tentam voltar para casa porque as condições de emprego no Nordeste estão melhores", vislumbra o economista. Segundo Romão, os novos investimentos trouxeram melhores condições de renda para os trabalhadores nordestinos. Ele computa ainda o ganho real do salário mínimo, os programas sociais e os benefícios da Lei Orgânica de Assistência Social (Loas), como fatores que fixaram a mão de obra na região.

De acordo com o economista da LCA Consultores, a construção civil é o setor que mais concentra a criação de postos formais, porque a demanda por mão de obra aumenta a cada dia com as obras de infraestrura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O setor imobiliário também anda de vento em popa com os financiamentos habitacionais do programa Minha casa, minha vida.

"Vemos que aumenta o nível de confiança do trabalhador com esses novos investimentos, existe segurança maior no emprego e a melhora do desempenho do setor", avalia. Entre 2008-2009 o emprego com carteira no Nordeste passou de 203.600 postos para 227.400 postos, segundo dados do Caged.

Fonte: Diário de Pernambuco - PE