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Construção: Ações 'baratas' abrem espaço para ganhos

Texto: Redação AECweb

Alta dos juros básicos não afastam investidores dos papéis das incorporadoras imobiliárias

01 de junho de 2010 - As ações da Gafisa, segunda maior construtora brasileira em receita, estão com seu menor preço em relação ao lucro em 14 meses, após terem recuado 24% no ano. Guilherme Rebouças, gestor de recursos no Itaú Unibanco, diz que a ação está barata demais para deixar passar.

"Houve época em que era preciso olhar para as construtoras menores para encontrar valor, mas agora basicamente é possível comprar qualquer coisa no setor - Gafisa, Cyrela -, qualquer coisa", afirmou Rebouças, que ajuda a administrar o equivalente a US$ 10,5 bilhões no Itaú, segundo maior gestor de recursos do Brasil, atrás da unidade de fundos do Banco do Brasil. "Elas estão baratas no geral."

Gafisa, PDG Realty (a terceira maior) e MRV poderiam ter valorizações de até 69% até o fim do ano, beneficiadas por um aumento médio de 33% na receita, segundo relatório do J.P. Morgan Chase, de 20 de maio. A perspectiva de que a maior economia da América Latina possa ter sua maior expansão em 24 anos ofusca os receios de uma restrição na demanda, decorrente da alta nos juros, afirmou Eduardo Favrin, chefe de renda variável da unidade brasileira do HSBC Global Asset Management.

O índice imobiliário da BMF&Bovespa caiu 12% no ano, até a semana passada, levando preço médio das empresas integrantes do indicador a ficar em 10,3 vezes o lucro divulgado, depois de o Banco Central ter elevado os juros pela primeira vez desde setembro de 2008 para conter a inflação. A cotação Gafisa caiu para 13 vezes o lucro divulgado, menor número desde março de 2009.

Ontem, o índice subiu 0,4%. As ações da Gafisa avançaram 2,3%, para R$ 11, e as da MRV 0,5%, para R$ 11,82, enquanto as da PDG caíram 1,9%, para R$ 15,31.

As empresas do setor poderiam beneficiar-se dos projetos do bilionário Sam Zell, que levanta US$ 500 milhões para investir em companhias imobiliárias, e do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, cujo fundo Gávea entrou no mercado, após comprar participação na divisão imobiliária da Odebrecht.

Zell, de 68 anos, vendeu parte de sua participação na Gafisa, em 13 de maio, e sua firma agora planeja expandir-se no Brasil, segundo Garry Garrabrant, executivo-chefe da Equity International, fundo de Zell, afirmou em entrevista em 20 de maio.

A queda nas ações vistas nos últimos 30 dias foi provocada "principalmente" por grandes investidores reduzindo suas participações por motivos não relacionados com as perspectivas do setor, de acordo com o J.P. Morgan. Nos últimos oito meses, os grandes investidores venderam ações no valor de US$ 4 bilhões das construtoras, segundo o banco de investimento nova-iorquino.

Para Claudio Andrade, cofundador da Polo Capital, as construtoras não são o melhor valor no mercado. "Os valores estão longe de estar abatidos", disse Andrade, cujo fundo subiu 165% no ano passado, após comprar ações de construtoras que haviam despencado durante a crise financeira mundial em 2008. "Faz sentido que caiam mais que o mercado pelas expectativas de alta nos juros; as construtoras são um dos setores mais sensíveis ao crédito."

Os investidores estão subestimando a força da indústria imobiliária do Brasil, diz Rebouças. O lucro por ação das empresas de construção residencial subiu, em média, 63% no último ano, segundo dados da Bloomberg.

Depois da contração do ano passado, a economia brasileira se expandirá 6,5% em 2010, maior taxa em mais de 20 anos, de acordo com pesquisa do Banco Central com cem economistas.

Os preços residenciais continuam em alta no Brasil, com o custo médio de um novo apartamento em São Paulo tendo aumentado 22%, para R$ 2.432 o metro quadrado, nos primeiros quatro meses de 2010, em relação a um ano antes. Em comparação há quatro anos, a alta é de 51%. Os números são de um estudo da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

O aumento no custo do dinheiro não representa risco para o mercado residencial no Brasil porque os créditos residenciais não são atrelados à Selic (taxa básicas de juros), mas à Taxa Referencial (TR), afirmou Favrin, em entrevista. Para cada aumento de 1 ponto percentual na Selic, a TR sobe aproximadamente 0,16 ponto porcentual, estima o Credit Suisse. Se o Banco Central elevar a Selic em 2,5 pontos percentuais, como previsto para este ano, a TR poderia subir 0,4 ponto, de acordo com o Credit Suisse.

As ações da Cyrela, maior construtora brasileira em receita, ainda estão duas vezes mais caras do que em 2008, quando em novembro a relação entre preço e lucro caiu para 5,5 vezes.

"O que realmente determina a disposição de alguém em comprar uma casa é a renda, emprego e confiança do consumidor", afirmou Favrin, que administra US$ 2,5 bilhões em ações brasileiras. "A reação do mercado está errada, porque os custos de financiamento não são baseados na taxa Selic."

Fonte: Valor Econômico - SP

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