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Construção: Brookfield planeja oferta de ações de R$ 600 milhões

Texto: Redação AECweb

Entusiasmadas com o aquecimento do setor e o apetite do investidor estrangeiro, as empresas inauguram nova fase de captações

8 de setembro de 2009 - A Brookfield (ex-Brascan) vai engordar a safra de emissões do setor imobiliário. A empresa será a próxima incorporadora a anunciar uma emissão de ações. Segundo o Valor Econômico, a companhia pretende levantar cerca de R$ 600 milhões com a operação. Entusiasmadas com o aquecimento do setor imobiliário e o apetite do investidor estrangeiro, as empresas inauguram uma nova fase de ofertas de ações que somam perto de R$ 3 bilhões.

Mas essa nova rodada de emissões - com pelo menos três novas captações em um curto intervalo - já acendeu o sinal amarelo. A dúvida, invariavelmente, é se haverá demanda para tantas emissões e quanto desse movimento não é uma resposta ao assédio dos bancos de investimento.

Até agora, apenas as companhias com forte exposição ao segmento de baixa renda haviam anunciado ofertas. Depois da MRV, que abriu a nova fase de captação e conseguiu levantar R$ 722 milhões em uma oferta considerada bem-sucedida, na semana passada PDG Realty e Rossi protocolaram pedido de registro de oferta de ações na Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). A Brascan será a primeira construtora com atuação mais diversificada - está no segmento residencial de médio e alto padrão e comercial de pequeno e grande porte - a testar o mercado. "De alguma forma, há várias companhias querendo se preparar", afirma fonte do setor.

Outra empresa que estuda fazer uma emissão, mas ainda não definiu se optará por esse caminho é a Cyrela. Uma das possibilidades é que a companhia faça uma cisão e abra o capital da Living, sua empresa para baixa renda, que começou como uma marca e vem ganhando destaque nos resultados gerais da construtora.

Outra opção é colocar um investidor dentro da Living. A Cyrela fez uma primeira cisão com a CCP, Cyrela Commercial Properties, braço de imóveis corporativos, em abril de 2007 - no mês passado fez uma joint venture de US$ 400 milhões com o governo de Cingapura e com um fundo de pensão canadense. A própria Cyrela acaba de buscar outra fonte para se capitalizar. Na semana passada, a anunciou a emissão de R$ 350 milhões em debêntures não conversíveis.

Outro nome que circula no mercado para uma possível emissão é a Rodobens Negócios Imobiliários, um dos alvos dos bancos de investimento. Mas a possibilidade de que haja uma emissão da Rodobens é mais remota. A Gafisa chegou a registrar uma oferta na Anbid neste ano, mas o mercado virou e, sem a resposta esperada dos investidores, cancelou a emissão.

Uma dúvida que começa a ser levantada é se a euforia que tomou conta do setor entre 2006 e 2007 e fez com que o segmento imobiliário tivesse 21 empresas listadas - sem contar as de shopping center - não possa estar voltando, ainda que em menor proporção. O efeito da abertura de capital foi nefasto para algumas companhias, como Tenda, Abyara, Klabin Segall e Inpar. Todas foram adquiridas a preços muito baixos e, com exceção da Inpar, seus fundadores saíram do negócio. A consolidação foi uma ótima oportunidade para uns e a única saída para outros, mas promoveu um ajuste no setor.

O cenário melhorou muito rápido nos últimos 12 meses. O programa habitacional do governo e a recuperação do mercado imobiliário a partir do segundo semestre renovaram o setor, que saiu bastante machucado da crise. "Os números do segundo trimestre confirmam que as empresas brasileiras de construção atingiram um novo estágio e o alto nível da demanda pode ser medido pelo aumento da velocidade de vendas, que saiu de 13,1% no primeiro trimestre para 20,6% no segundo, com destaque para quem atua na baixa renda", diz relatório do banco Credit Suisse sobre o setor.

Quem está em contato com investidores estrangeiros diz que o interesse pelo Brasil e o mercado imobiliário em especial é muito grande. Mas o dinheiro no mundo continua escasso e a concorrência é alta. O mesmo capital será disputado pelas empresas que fazem emissões de ações e pelos fundos de participação, que iniciaram nova rodada de captações. "O interesse por Brasil é grande, mas os investidores estão mais cautelosos, querem conhecer muito bem cada ativo antes de tomar qualquer decisão de investimento", afirma Leonardo Correa, diretor de relações com investidores da MRV.

Fonte: Valor Econômico – SP - Daniela DAmbrosio

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