Construção civil prevê que terá expansão de 8% em 2010

Texto: Redação AECweb

Minha Casa, Minha Vida é a principal aposta para os investimentos das empresas que atuam no setor

03 de dezembro de 2009 - Com previsão de investimentos de R$ 625 milhões em 2010 pelas empresas de construção civil, especialmente nas áreas imobiliária e de infraestrutura, empresas como Odebrecht, Rodobens Negócios Imobiliários e grandes players estrangeiros, como a mexicana Homex, apostam na retomada dos negócios do setor no próximo ano.

Em 2010, o Produto Interno Bruto (PIB) da construção deve subir 8,8%, para R$ 150 bilhões, segundo estimativa do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon), divulgada ontem.

Os investimentos, que em 2009 atingiram R$ 476 bilhões, corresponderão a 20% do PIB em 2010. Do valor total, R$ 202 bilhões serão para o setor imobiliário. "O crescimento da construção no ano que vem será comandado pela ampliação dos investimentos públicos e privados. Além, disso, 2010 será um ano eleitoral, que sempre traz um impacto positivo para o setor de construção", afirmou Sérgio Watanabe, presidente do Sinduscon.

O setor imobiliário residencial, que ganhou impulso este ano com o programa habitacional do governo federal, "Minha Casa, Minha Vida", já é a menina-dos-olhos dos planos de investimento das empresas que atuam no setor, que correm para atingir a meta de 1 milhão de unidades financiadas pela Caixa Econômica Federal (CEF) até o fim de 2010. O saldo de 2009 ainda está em 130 mil unidades, abaixo das 400 mil previstas pela instituição para o primeiro ano do programa.

A Rodobens Negócios Imobiliários estima lançar 74 mil unidades enquadradas no programa federal. Atualmente tem dois projetos aprovados, Moradas de Itapetininga e Terra Nova São Carlos, que totalizam R$ 35 milhões em valor geral de vendas (VGV) e 1,1 mil unidades. A empresa também está investindo no lançamento de um novo produto, na faixa de R$ 60 mil, para atender consumidores com renda de 3 a 6 salários mínimos. Até então o produto mais barato da empresa era de R$ 73 mil.

"É uma oportunidade única de atingir uma faixa de renda com que nós ainda não tínhamos contato, que realmente necessita de imóveis e depende de crédito e que, com o subsídio, pode abandonar o aluguel. Com um produto mais atrativo, que possa ser lançado com um prazo reduzido e em maior volume, será um grande negócio", afirmou Eduardo Gorayeb, diretor presidente da companhia.

Segundo o executivo, a idéia é que a empresa atinja níveis de produção industriais e consiga atingir um giro tão rápido que nem seja necessário recorrer ao Plano Empresário de financiamento à produção.

Por conta disso, a Rodobens passou o ano ajustando seu sistema construtivo e as parcerias com as instituições financeiras. Reduziu o ciclo construtivo de 12 para 7 meses e adotou a estratégia de iniciar a comercialização de uma nova fase de um empreendimento só após alcançar 80% das vendas da que está em construção. "No antigo sistema de financiamento, exigia-se do comprador uma poupança de 20%. Com o "Minha Casa, Minha Vida", é possível financiar 100% para pessoa física até o final da venda, com repasse da Caixa Econômica Federal", explica.

O programa do governo federal motivou a entrada da maior construtora mexicana no Brasil, a Homex. Este ano a empresa começou a construir, em São José dos Campos, interior de São Paulo, um empreendimento que terá 1,3 mil unidades e deverá ser ampliado ano que vem. A primeira fase do projeto terá 700 unidades, 65% das quais estão vendidas.

De acordo com Mario Cavalcante, diretor da empresa no Brasil, a Homex acaba de registrar um plano para levantar até US$ 100 milhões com a emissão de novas ações e poderá usar o dinheiro para ampliar suas operações no Brasil.

Em infraestrutura, a Odebrecht mira nas oportunidades que serão abertas pela realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Em recente entrevista ao DCI, Carlos Armando Paschoal, diretor superintendente em São Paulo da Odebrecht Serviços de Engenharia e Construção, ressaltou que os projetos de mobilidade urbana, construção de estádios, obras de rodovias, entre outras iniciativas nesse sentido, deverão trazer novos trabalhos ao segmento e declarou que "a empresa está atenta às possibilidades de negócios que possam trazer retornos adequados."

Aluguéis
O preço do aluguel de escritório no Rio de Janeiro registrou o segundo maior aumento de 50 lugares pesquisados em todo o mundo, atrás apenas de Aberdeeen, na Escócia, aponta relatório divulgado esta semana pela consultoria CB Richard Ellis.

Nos últimos 12 meses, o preço dos aluguéis subiu 12,1%. Isso porque a demanda reprimida por espaços luxuosos passou a ser preenchida recentemente com preços 30% acima dos imóveis de luxo existentes no município anteriormente, diz o estudo.

O Produto Interno Bruto (PIB) da construção deve chegar em 2010 a R$ 150 bilhões, ano em que o setor investirá R$ 625 bilhões, aponta o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo.

Fonte: DCI - SP