Construção civil tem carência de mais de 10 mil profissionais na BA

Texto: Redação AECweb

Infraestrutura: obras na cidade aumentam demanda por mão de obra em Salvador

14 de outubro de 2010 - Com o crescimento do mercado imobiliário e a promessa de novos investimentos para a Copa do Mundo de 2014, a construção civil sofre com a carência de mão de obra qualificada. De acordo com o diretor técnico da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-BA), Luciano Murici, o déficit de trabalhadores nessa área chega a dez mil pessoas em Salvador e Região Metropolitana.

Segundo ele, a deficiência vai de pedreiro até engenheiro, passando por eletricistas, carpinteiros, encanadores, mestres de obras, entre outros. Os salários na construção civil estão atrativos.

O rendimento de um mestre de obras chega a R$ 5 mil. Um engenheiro chega a ganhar R$ 12 mil por mês. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção (Sintranscon), Raimundo Brito, a disputa por profissionais elevou os vencimentos.

"Realmente, o mestre de obras está botando banca", brinca. Ele informou que o piso salarial de um pedreiro, por exemplo, é de R$ 913.

Capacitação

"A demanda é grande e nós temos mercado para absorver esses profissionais. Precisamos de gente interessada em se capacitar para, então, começar a trabalhar", diz Luciano Murici. Para Ivan Leão, também diretor da Ademi-BA, o cenário atual é reflexo da falta de investimentos tanto do setor público quanto privado na qualificação profissional.

"Não houve empenho nenhum para isso", pontua. De acordo com ele, só agora é que começou uma movimentação nesse sentido. "Já existem alguns convênios com o Sesi e o Senai, visando qualificar jovens para este mercado de trabalho", afirma o diretor.

Leão diz ainda que a falta de profissionais cria uma disputa nesta área por pessoas qualificadas. Isto, segundo ele, encarece o preço da força de trabalho. "Há três anos, a mão de obra representava 30% do custo de uma construção. Hoje, chega a 50%".

No caso dos imóveis, por exemplo, o valor alto, no fim das contas, é repassado para o cliente. Para Leão, o agravante, neste caso, será a dificuldade de comercializar esses empreendimentos.

"Se não revertermos a situação, vai chegar a um ponto que o mercado terá dificuldades para vender", alerta. A preocupação dos empresários do setor imobiliário é que a elevação do custo da mão de obra nos imóveis atrapalhe o crescimento do setor.

Rotatividade

O presidente do Sintranscon, Raimundo Brito, discorda que haja uma escassez de trabalhadores na construção civil. "A rotatividade é muito grande, então sempre tem gente para trabalhar", afirma.

Ele diz que todos os meses cerca de mil trabalhadores chegam no sindicato desempregados. "Não é por falta de qualificação. Muitas vezes temos gente capacitada, mas que por não saber ler ou escrever não é contratado", afirma.

Outro problema, segundo Brito, é que as empresas não querem mais trabalhadores acima dos 35 anos. "Querem gente nova, mas com experiência, e assim fica difícil".

Curso: vagas grátis

O Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA) juntamente com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e da Madeira (Sintracom-BA) oferecem cursos de qualificação gratuitos voltados para o setor da construção civil.

Até dezembro, serão oferecidas 1.520 vagas para qualificação em ocupações prioritárias, como pedreiro, carpinteiro e armador. As aulas ocorrem nos turnos matutino e vespertino e as inscrições estão abertas. "Essa parceria é um esforço para suprir parte da demanda do setor", explica o presidente do Sinduscon, Carlos Alberto Vieira Lima.

A gerente da área de construção civil do Senai, Patrícia Evangelista, explica que os cursos terão duração de aproximadamente dois meses (160 horas) com conteúdos teóricos e práticos e serão ministrados no Senai Dendezeiros, no bairro do Bonfim.

Os pré-requisitos são: ser maior de 18 anos, ter concluído a 6ª série do ensino fundamental e estar desempregado. Os documentos exigidos são RG, CPF e comprovante de residência.

Fonte: DIAP - DF