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Construção confia em boom no 2º semestre

Texto: Redação AECweb

Prévias dos resultados operacionais divulgadas pelas empresas do setor indicam vendas superiores a 200%, em alguns casos

21 de julho de 2009 - O setor de construção civil começa o segundo semestre para lá de otimista, depois de passar praticamente ileso pela crise financeira mundial, quando a rotina das construtoras e incorporadoras brasileiras começa a retomar o cenário do ano passado no pré-crise, com anúncios recordes de vendas e lançamentos.

As prévias dos resultados operacionais divulgadas pelas empresas do setor indicam vendas superiores a 200%, em alguns casos. Entre os motivos estão a retomada do crédito e a criação do programa do Governo "Minha Casa, Minha Vida", que despertou no cidadão o sonho de adquirir a casa própria.

Já é esperada para os próximos três anos uma média de 70 mil novas unidades só na cidade de São Paulo - todas voltadas para a camada de baixa renda, como afirma o presidente do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP), João Crestana.

"Vemos agora um mercado mais disciplinado, regulamentado e que continuará crescendo cerca de 5% ao ano nos próximos anos", diz Crestana, ao ressaltar que 2007 foi um ano excelente, quando houve um aumento de 70% no número de unidades vendidas ante 2006.

Crestana aposta em retomada do crescimento, passado o baque da crise. Mesmo que o ritmo de aceleração não repita o alcançado no ano passado, a tendência é de alta, segundo ele.

Plano
Segmentada ao público de baixa renda desde 1962 com empreendimentos residenciais com valor máximo de R$ 100 mil, a Cury construtora e Incorporadora comemora o sucesso do lançamento Dez Vila Curuçá, na Zona Leste de São Paulo. Apenas em seis dias, o empreendimento teve 100% de suas 252 unidades vendidas, todas pelo programa "Minha Casa Minha Vida".

Fábio Cury, presidente da empresa, comemora o sucesso do programa e já projeta um crescimento de 40% nos negócios para este ano. "Já esperávamos um aumento significativo, independentemente do programa do governo. Porém, seguramente, ele programa veio para contribuir ainda mais", diz o executivo que tem hoje 17 mil unidades em análise na Caixa e outros seis empreendimentos pré-aprovados na faixa dos 3 a 6 salários mínimos.

A Tecnisa, no entanto, é uma construtora especializada em empreendimentos de alto padrão. Mas, o presidente Carlos Alberto Júlio não só confirma o interesse na companhia neste segmento como já vem baixando o ticket médio de seus empreendimentos. Em 2006, o preço médio dos lançamentos foi de R$ 450 mil; em 2007, de R$ 362 mil. Em 2008, o ticket médio da Tecnisa foi de R$ 322 mil.

"Ingressar neste segmento será um grande desafio para nós, queremos fazer um trabalho sério, apresentar empreendimentos de qualidade, e sermos em breve, uma empresa "premium", para imóveis de baixa renda", diz Júlio reforçando o interesse na empresa com a recém-criada diretoria de produtos voltados à faixa econômica com a contratação de Newman Brito.

Na mesma esteira segue a Ezetec Empreendimentos e Participações. Com empreendimentos voltados exclusivamente para residenciais de médio alto padrão, no ano passado a companhia criou a marca Mix Residencial, área dirigida ao público de baixa renda, com imóveis entre R$ 90 mil a R$ 150 mil. Parece que a novidade tem dado certo, já que 90% de um residencial no bairro paulistano da Penha já foi vendido.

Emílio Fugazza, diretor financeiro e de Relações com Investidores da Ezetec, diz ter buscado por meio de parcerias, a expertise necessária para ingressar neste ramo. "Buscamos as pequenas e médias construtoras que trabalham muito bem na elaboração destes projetos e o que fizemos foi nos tornarmos parceiras. Atender este público é atender milhares de pessoas, a estrutura não é a mesma, onde procuramos atender nossos clientes pessoalmente, no caso de uma inadimplência, por exemplo".

Segundo a prévia do balanço do segundo trimestre de 2009, a empresa Ezetec totalizou R$ 299,9 milhões em lançamentos, crescimento de 37,3% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o crescimento foi de 7,9%, representando R$ 354,3 milhões.

As vendas contratadas no segundo trimestre alcançaram R$ 243,5 milhões, aumento de 70,6% em relação a 2008, dos quais R$ 28,8 milhões são referentes a unidades lançadas em trimestres anteriores. No acumulado do ano houve um crescimento de 36,2%, totalizando R$ 313,1 milhões. As vendas no primeiro semestre de 2009 já representam 87,5% do total das vendas contratadas em 2008.

Vendas
Outra a ver suas vendas dobrarem neste segundo semestre do ano foi a Even construtora, segundo a prévia do que pode vir a ser contabilizado no balanço. A empresa registrou um volume de vendas contratadas de R$ 253 milhões.

Os lançamentos passaram de R$ 54,2 milhões para R$ 176,4 milhões no período, crescimento de 225,4%, divididos em seis empreendimentos, localizados nas cidades de São Paulo, Campinas, Guarulhos e Belo Horizonte. Do total de lançamentos, 56% foram vendidos dentro do próprio trimestre. Já o volume de vendas de estoque teve crescimento significativo, passando do patamar de R$ 29 milhões em abril para R$ 83,4 milhões em junho.

Já Luiz Rogélio Tolosa, diretor de Relações Institucionais e com Investidores da Brookfield Incorporações, antiga Brascan Residential Properties, credita ao trabalho da mídia o aumento no número de visitação aos estantes, já que reforça a possibilidade em adquirir a casa própria, sem deixar de mencionar também facilidades como o aumento de subsídio do governo para o setor.

"A incorporadora tem hoje 9% dos seus lançamentos na faixa entre R$ 60 mil e R$ 130 mil e digo que a velocidade de venda deste segmento é infinitamente superior ao da alta renda. Percebi um grande volume de vendas sendo gerado em Cajamar (SP), Taboão da Serra (SP), Jundiaí, no interior de São Paulo e em Goiânia (GO)", diz o executivo que também acredita que o fato de a população brasileira ter 50% dela na faixa de menos de 25 anos contribui com o aumento no número de vendas.

As vendas contratadas da Brookfield Incorporações, no segundo trimestre de 2009 somaram R$ 568,5 milhões, um aumento de 77,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No acumulado do primeiro semestre de 2009, as vendas totalizaram R$ 875 milhões, o que corresponde a 76,3% do total vendido durante todo o ano de 2008.

Entre abril e junho, o segmento residencial foi responsável por 68,1% das vendas. Já no acumulado do ano, os empreendimentos residenciais responderam por 76,4% do volume total de vendas da Companhia.

Neste período, as unidades com preço médio abaixo de R$ 500 mil representaram 77,8% das vendas totais do segmento residencial, faixa de produtos beneficiada com o aumento do limite do financiamento imobiliário junto ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

Fonte: DCI

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