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Construção dribla crise em MG e atrai investimento

Texto: Redação AECweb

Demanda habitacional de baixa e média renda, além do programa “Minha Casa, Minha Vida”, blinda o setor contra a crise

14 de julho de 2009 - Relativamente preservada dos efeitos da crise econômica global, que afetam Minas Gerais de maneira mais dura que a média nacional, a indústria mineira de construção volta a captar investimentos.

A demanda habitacional de baixa e média renda, incentivada em parte pelo programa governamental "Minha Casa, Minha Vida", está blindando o setor contra a crise.

Em Pedro Leopoldo, na região metropolitana de Belo Horizonte, a Precon, dona de 4% do mercado brasileiro de telhas de amianto, com R$ 200 milhões de faturamento em 2008 e 800 funcionários, vendeu 25% de seu capital para o investidor Décio Gomes. O empresário vendeu, no ano passado, a indústria de tubos plásticos Plastubos.

A transação na Precon representou uma injeção de capital de R$ 21 milhões. Os planos são ambiciosos: a empresa pretende diversificar sua linha de produtos e ampliar sua escala, de modo a que o negócio de telha de amianto crisotila, que hoje representa 40% do faturamento da empresa, perca espaço para a fabricação de concreto celular (blocos de cimento para construção) e pré-moldados para habitação.

A Precon deverá investir mais R$ 50 milhões para atingir, em 2013, o faturamento de R$ 500 milhões, tido como piso mínimo para uma abertura de capital por oferta pública de ações (IPO).

No segmento de incorporação imobiliária, somente agora a Masb, empresa formada pela associação da empreiteira Santa Bárbara com os grupos Asamar e Tangará, informou que vendeu em outubro passado 20% de seu capital para o fundo de investimentos Neo, do economista Luiz Chrisostomo - o mesmo que comprou parte da livraria Cultura em janeiro - em uma transação de valores não divulgados.

A nova formação societária dará suporte à meta de atingir R$ 1,2 bilhão em vendas dentro de quatro anos. "Decidimos não divulgar em outubro para que não dissessem que estávamos em dificuldades. Havia uma maré de notícias ruins e seríamos tragados pelo buraco negro", disse o diretor da Masb, Luiz Renato Paim Fernandes.

A Masb, que somou R$ 426 milhões em vendas em 2008, diminuiu a quantidade de lançamentos este ano e deve registrar uma queda significativa na receita. Segundo a empresa, a comercialização não deverá ultrapassar os R$ 300 milhões porque houve uma troca de público. A empresa sai da renda alta para a média, que adquire apartamentos e casas, na planta, com valor entre R$ 100 mil e R$ 200 mil.

Segundo dados da Fundação João Pinheiro, órgão do governo do Estado, a indústria da construção civil é um dos raros segmentos da economia mineira que está na contramão da tendência de queda generalizada.

No primeiro trimestre deste ano, a produção física no setor cresceu 2% ante o mesmo período no ano passado, enquanto a atividade econômica em Minas Gerais caiu 5,5% (o número nacional no primeiro trimestre foi de 1,8%) e a produção industrial mineira teve queda de 22,6% de janeiro a maio.

Na geração de empregos formais, o número de empregados na construção civil em Minas Gerais subiu 4,4% no trimestre, perdendo apenas para o crescimento no número de empregados do comércio, de 4,8%. A média de aumento na geração de empregos formais no Estado foi de 2,1%.

O campo mais promissor no setor é o da construção industrializada. "Este setor sempre perdeu espaço porque não tinha escala. Isso fazia com que um prédio de apartamentos com pré-moldados, apesar da grande velocidade da construção, custasse 20% a mais. Agora, o programa governamental garante esta escala", disse Paim Fernandes, que desenvolveu um projeto piloto de um prédio com 360 unidades pré-moldados em Buritis, zona sul de Belo Horizonte, em parceria com a fábrica de pré-moldados Premo.

Estão sendo vendidos a R$ 100 mil, em média. "Nosso foco era o setor industrial, pouco promissor agora. O programa habitacional do governo, ao criar subsídios para a faixa salarial entre três e dez salários mínimos, nos abriu outra perspectiva", afirmou o dono da Premo, Helio Dourado.

"Na habitação, nossa perspectiva de expansão é infinita", comentou Décio Gomes, da Precon, ponderando que a troca de governo federal, no próximo ano, coloca um ponto de incerteza sobre o ímpeto que o programa terá.

A Precon também começou a fazer experimentos na área de habitação. Montou um prédio piloto no bairro da Serra Verde, vizinho ao novo Centro Administrativo que concentrará a partir de 2010 a administração estadual.

São dezesseis unidades de 42 metros quadrados, a R$ 90 mil. "Vamos diminuir a atuação em áreas onde temos fortes concorrentes, como a argamassa, com a Quartzolit, e a das telhas, com Eternit e Brasilit, para focar em mercados onde não há gigantes, como o habitacional e o de concreto celular", disse Bruno Dias, um dos proprietários da Precon.

Fonte: Valor Econômico

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