Construção em alta estimula modelo central

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Alta está sendo puxada basicamente pelos novos shoppings

18 de dezembro de 2012 – A construção civil em alta, com a edificação de novos shopping centers, hipermercados e hotéis, além de projetos para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, está impulsionando o setor de HVAC-R, o chamado ar-condicionado central. A Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) projeta um aumento de 6% para 2013 sobre o bom desempenho deste ano.

A alta está sendo puxada basicamente pelos novos shoppings e, principalmente, pelo grande número de empreendimentos hoteleiros em construção ou em reforma com vistas à Copa e a Olimpíada. Os empreendimentos imobiliários também estão em expansão fora das capitais que vão sediar os jogos do mundial de futebol. Nesse caso, as novas unidades visam acomodar dois públicos em franco crescimento no país: o turista de negócios e os novos turistas oriundos da classe média emergente.

O crescimento do setor está intimamente ligado à construção porque, ao contrário do aparelho individual, que pode ser instalado a qualquer tempo, o ar-condicionado central obedece a um projeto - de construção, de reforma ou de instalação do equipamento - que requer planejamento e exige do fornecedor um suporte de pós-venda.

O setor também cresce por conta do grande número de lançamentos de projetos comerciais de pequeno e médio portes, revela Alvaro Ruoso, gerente de produto de condicionadores de ar da Samsung. Segundo ele, as vendas dos aparelhos do tipo VRF, uma modalidade de condicionador comercial que permite individualizar o uso do aparelho e, por isso mesmo, mais voltada para os segmentos de escritórios e de hotelaria, estão com crescimento na faixa de 30% ao ano.

De acordo com o executivo da Samsung, o impulso tem sido dado pelos projetos que buscam a certificação de baixo consumo de energia Leed (leadership in energy and environmental design). A concentração econômica tem feito com que as regiões Sudeste e Sul predominem, com 70% dos investimentos, diz o Ruoso.

"O boom imobiliário de São Paulo tem sido importante, juntamente com os investimentos em infraestrutura, incluindo os da Copa e da Olimpíada", diz Thiago Arbulu, gerente de ar-condicionado comercial da LG. O Estado todo, mas principalmente a capital paulista, tem assistido a uma série de empreendimentos comerciais de todos os portes. Até a primeira semana de dezembro a empresa contabilizava um crescimento de 40% nas vendas do segmento VRF este ano.

A principal vantagem do VRF em relação ao sistema convencional de ar central, conhecido como "água gelada", é a economia de energia, porque não precisa funcionar a plena carga o tempo todo. Seu uso torna-se mais racional em ambientes em que a necessidade do equipamento se dá em momentos diferentes do dia. Um hotel, por exemplo. Se o apartamento está desocupado ou o hóspede está fora, a unidade interna não precisa ser acionada, reduzindo o consumo.

Em escritórios com salas individuais ou para poucas pessoas a situação é a mesma, principalmente quando as pessoas trabalham em horários variados ou são obrigadas a deixar temporariamente o ambiente para reuniões ou atuação externa. Já no shopping center, onde o horário de funcionamento é mais uniforme e existem grandes áreas abertas, o aparelho central convencional faz mais sentido.

Para melhorar mais a eficiência energética, as empresas têm investido pesado em novas tecnologias. De acordo com Arbulu, nos últimos três anos os aparelhos lançados melhoraram em 50% o consumo energético em relação às gerações anteriores desses equipamentos. Uma unidade VRF, também chamado multisplit de grande capacidade, pode ser conectado a até 64 unidades internas.

Fonte: Valor Econômico