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Construção lidera alta na bolsa

Texto: Redação AECweb

Aumento do valor das ações está relacionado principalmente ao programa habitacional do governo federal

27 de julho de 2009 - Passado o susto do fim de ano, os investidores com dinheiro na Bolsa de Valores de São Paulo (BovespaBM&F) começam a aproveitar o momento de calmaria e a recuperar, em muitos casos, parte das perdas decorrentes da crise econômica mundial.

Os maiores beneficiados até agora são os investidores que escolheram papéis de empresas de construção, como mostra levantamento feito pela Economática, empresa especializada em informações financeiras. Esse setor foi o que obteve maior valorização no primeiro semestre, de 87,06%.

Outro destaque entre os setores com melhor desempenho na Bovespa foi o de siderurgia e metalurgia, que teve valorização de 48,85%. No fim da lista da Economática, com os piores desempenhos nos primeiros seis meses do ano, estão o de telecomunicações e o de papel e celulose.

No mesmo período,os papéis da BovespaBM&F subiram 99,68% e o Índice Bovespa (formado pelas ações mais negociadas, com cerca de 80% do movimento) teve alta de 37,06%.

Os dados do segundo trimestre, porém, indicam uma alteração no ranking semestral e mostram que as empresas da área de papel e celulose estão num ritmo mais acelerado de recuperação.

De abril a junho, as ações subiram 76,36% e lideraram a lista feita pela Economática, pouco à frente de setores como construção (74,56%) e comércio (47,43%).

Analista da corretora Spinelli, Max Bueno explica que nos últimos meses as empresas de papel e celulose foram beneficiadas por uma série de boas notícias.

As vendas para a Ásia, em especial para o mercado chinês, começaram a dar sinais de recuperação, o preço da celulose aumentou e a companhia Suzano anunciou a expansão da capacidade produtiva.

"A queda dos papéis está muito relacionada com as perdas em derivativos sofridas pela Aracruz, não foi por uma deterioração do cenário da atividade. Foi um dos poucos setores, inclusive, que nos últimos meses tiveram aumento de preço", avalia Bueno.

Para Ricardo Tadeu Martins, gerente do Departamento de Pesquisas da Planner Corretora, a recuperação do valor das ações em alguns setores apontados pelo levantamento da Economática tem a ver, em boa parte, com decisões governamentais. Ele não exclui, porém, a melhora do cenário internacional em casos como o da celulose, siderurgia e metalurgia.

É o caso da recuperação do preço dos papéis das construtoras e incorporadoras. O aumento do valor das ações está relacionado principalmente ao programa habitacional do governo federal "Minha Casa, Minha Vida". O plano prevê a construção de 1 milhão de habitações populares nos próximos anos.

Apesar do atual desempenho, Martins acredita que os setores que têm bons fundamentos, mas ainda não se recuperaram, são os mais promissores para os investidores que estão de olho em oportunidades para o segundo semestre. Entre eles, o de telecomunicações, petróleo e gás e energia.

Para Clodoir Vieira, economista da corretora Souza Barros, setores cujas ações subiram muito no primeiro semestre tendem a ter nos próximos meses uma acomodação. "Papéis que subiram 50% não vão subir mais 50% no segundo semestre", avalia o economista da Souza Barros.

Os setores mais dependentes do mercado interno, segundo Vieira, devem ser os mais seguros para os investidores daqui até o fim do ano porque a demanda não deve ser comprometida. "Tenho sugerido calma aos investidores. A crise ainda vai continuar", alerta.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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