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Construção quer R$ 30 bi para construir 1 milhão de moradias

Texto: Redação AECweb

Setor busca por medidas que possam gerar resultados a curto prazo

Queda de consumo e consequente redução dos postos de trabalho foi o relato quase generalizado que empresários do setor produtivo, do comércio e, até mesmo, de bancos fizeram para a equipe econômica do governo, ontem, em Brasília. Presentes na reunião, representantes da construção civil apresentaram proposta de investimentos na ordem de R$ 30,5 bilhões para construir, em dois anos, um milhão de moradias. "Estamos buscando medidas que possam gerar resultados de curto prazo. Precisamos de agilidade nas ações de combate a crise", explicou Melvyn Fox, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Construção (Abramat).

A proposta do setor foi feita com base em um estudo encomendado pela Abramat a Fundação Getulio Vargas (FGV). O objetivo da entidade era mostrar ao governo os benefícios que o direcionamento de recursos para a construção civil desencadearia. Segundo projeção da FGV, se metade das obras - 500 mil moradias - fosse realizada em 2009, o investimento promoveria um acréscimo de R$ 10,5 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil e R$ 10,2 bilhões no PIB dos demais setores da sua cadeia produtiva (indústria, comércio e serviços), totalizando R$ 20,7 bilhões de geração de renda. "Em termos relativos, esse programa promoveria um crescimento anual de 8,2% do PIB da construção, a economia brasileira como um todo cresceria 0,7 ponto percentual a mais em 2009 e 2010. Esta iniciativa também representaria a geração de 532 mil postos de trabalho", conta.

O próprio presidente Lula antecipou esta semana, durante evento no Rio de Janeiro, que o governo deve trazer entre as medidas do pacote habitacional, a construção de 500 mil moradias. Segundo Lula, essas casas não incluem unidade habitacionais financiadas e já anunciadas pela Caixa Econômica Federal.

Esta proposta do setor da construção civil, no entanto, não vem sozinha. Ela complementa a reivindicação do setor para redução de carga tributária, medida que deverá ser contemplada no pacote para habitação, que o governo promete apresentar nos próximos dias. "A redução do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) é uma ação imediata", afirma o presidente da Abramat. Na negociação em andamento com o governo, a expectativa é que seja concedida uma redução, no mínimo, do mesmo peso àquela dada ao setor automobilístico, mas o pleito do setor é de alíquota de IPI zero. "O custo final da obra é o que mexe no bolso do consumidor. Por isso é importante reduzir temporariamente o IPI e reduzir a taxa de juros para o financiamento", afirma Fox.

No último encontro do segmento com o governo, entre as principais sugestões estavam também a manutenção dos níveis de investimento nos financiamentos imobiliários, a redução do prazo para pagamento de faturas de obras públicas, como forma de garantir capital de giro para as empresas; o fim dos entraves nos convênios de repasse de recursos do PAC através da Caixa Econômica Federal; a consolidação do banco de projetos e a criação de um grupo de trabalho para discutir os principais pontos que impedem o bom andamento de obras públicas.


Durante a reunião de ontem, onde estiveram presentes os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, da Fazenda, Guido Mantega, e os presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, e do BNDES, Luciano Coutinho, Fox fez um balanço da indústria de material de construção. "De outubro a dezembro o setor empregava 691 mil pessoas, esse número caiu para 675 mil em dezembro. Em termos faturamento, também foi registrada queda", diz. "No nosso caso, as obras em andamento continuam e dão uma folga, mas não haverá crescimento. A preocupação começa a partir de janeiro", explica Fox. Segundo ele, merece atenção do governo o fato de as construtoras estarem reduzindo seus lançamentos. "Isso torna necessária agilidade na tomada de ações", completa.

Um dos efeitos da construção de um milhão de moradias é a geração de emprego. "A cada ano, seriam criados mais de 300 mil empregos diretos somente na construção civil. Isso representa um aumento de 14,7% em relação ao nível médio de 2008. Nos demais setores da cadeia produtiva da construção, seriam criados outros 229 mil empregos indiretos, totalizando mais de meio milhão de postos de trabalho a mais em 2009, o equivalente a 0,6% do pessoal ocupado em todo o País. Com o crescimento do emprego, a massa salarial seria expandida em mais de R$ 3 bilhões somente na construção civil e outros R$ 4,3 bilhões nos demais setores", diz o estudo da FGV. Como consequência da demanda e dos efeitos indiretos sobre a geração de emprego e renda, o programa ampliaria a base de arrecadação. "A cada ano, o crescimento da renda gerada com permitirá ao governo recuperar cerca de R$ 4,7 bilhões em impostos".

Fonte: DCI, 06/fev

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