Banner AECweb
menu-iconPortal AECweb

Construção reage na China e deve atenuar freada da economia

Texto: Redação AECweb

Pesquisa registrou outros sinais de que o declínio no mercado chinês pode ter chegado ao fim, incluindo a retomada em maio do investimento imobiliário

03 de julho de 2012 - O mercado imobiliário chinês, que andava patinando, parece ter voltado a avançar, fortalecendo um importante pilar do crescimento do país e reduzindo as chances de que a desacelerada economia da China pare de vez no segundo semestre do ano.

De acordo com uma pesquisa com incorporadoras e corretores de imóveis, o preço médio do metro quadrado em cem grandes cidades chinesas subiu em junho na comparação com o mês anterior - depois de nove meses consecutivos de queda. A pesquisa registrou outros sinais de que o declínio no mercado chinês pode ter chegado ao fim, incluindo a retomada em maio do investimento imobiliário e uma queda bem menor na venda de imóveis em comparação com abril.

A recuperação do mercado imobiliário da China seria importante para a economia do país e do mundo. O mercado de imóveis e de construção civil responde por cerca de 11% da economia chinesa, segundo a consultoria GK Dragonomics, fatia que quase dobra quando computadas indústrias como a de eletrodomésticos e móveis, ligadas ao setor imobiliário.

No plano internacional, commodities como aço, minério de ferro e cobre dependem da atividade construtora na China para crescer. O mesmo vale para fabricantes americanos e europeus de equipamentos usados na construção.

"O pior cenário [sobre o crescimento chinês] envolve o colapso do mercado imobiliário", disse o economista Mark Williams, especialista em Ásia da Capital Economics, de Londres. "Se o mercado não está em colapso e ensaia uma recuperação, o futuro parece bem mais promissor."

O preço médio de imóveis em junho subiu 0,05%, para 8.688 yuans (US$ 1.368) o metro quadrado, segundo um indicador de preços divulgado na segunda-feira pelo Sistema de Índices de Imóveis da China. Embora o preço de moradias tenha caído em 55 dos centros que compõem o índice, em comparação com 45 nos quais subiu, algumas das maiores altas ocorreram nas maiores cidades da China. Em Pequim, os preços subiram 2,29% em junho (em relação a maio). Em Xangai, a alta foi de 0,65%; em Shenzhen, de 0,8%. Entre as cidades monitoradas, a maior queda no mês (3,87%) foi em Zhangjiagang, de 1,3 milhão de habitantes, no leste do país.

Em Pequim, o número de residências vendidas também subiu (10,5%) em junho, somando 25.602 unidades, informou a agência de notícias Xinhua na segunda-feira. É um aumento de 50,6% ante o ano anterior.

Em outra frente, o banco Standard Chartered informou recentemente que a queda na venda de imóveis no país foi menor no segundo trimestre de 2012, enquanto as vendas de apartamentos nos maiores centros da China tinham começado a crescer.

Depois de cair durante dois anos, o preço de apartamentos ficou mais ao alcance do chinês comum. Além disso, um corte de juros em junho reduziu o custo do financiamento. A muito divulgada campanha da China para turbinar o crescimento também pode ter levado compradores a achar que os preços vão subir daqui para frente.

Florrie Tang, que comprou um apartamento na periferia de Xangai em junho, disse que vinha buscando um imóvel desde março e achou que os preços já não tinham mais como cair. A gerente de uma empresa de design, de 27 anos, calcula que o apartamento é uma boa proteção contra a inflação, embora diga não acreditar que os preços de imóveis voltem a subir no ritmo de antes. Nas grandes cidades, o valor do metro quadrado quase dobrou entre 2006 e 2010.

Cher Cai, diretor assistente da incorporadora Shimao Property Holdings, de Xangai, disse que "com o mercado imobiliário se aquecendo, definitivamente seremos mais agressivos no lançamento de novos projetos e aceleração das obras".

Desde 2010 o governo chinês vinha tentando esvaziar o que já tinha virado uma bolha imobiliária -sem arrastar junto a economia chinesa. A campanha se concentrou basicamente na ponta nobre do mercado imobiliário e buscou dificultar a compra de múltiplos imóveis para especulação no mercado. Além de outras medidas, o governo elevou para 60% a entrada cobrada para um segundo imóvel - o dobro do exigido no financiamento da primeira casa própria.

Para evitar um tombo completo do mercado imobiliário, a China lançou um vasto programa de moradia popular voltado a trabalhadores de baixa renda. Embora esteja repleto de problemas - da falsificação de informações ao baixo padrão das obras -, o programa parece, sim, ter colocado um piso sob o mercado imobiliário, dizem analistas.

Ainda assim, o desaquecimento desse mercado, combinado com a queda na demanda de exportações da China na Europa e em outros lugares, derrubou o crescimento da economia chinesa para 8,1% no primeiro trimestre de 2012, o menor ritmo desde o segundo trimestre de 2009, quando o mundo estava em recessão. A expectativa geral é a de que a economia perca um pouco mais de fôlego, para cerca de 7,5% no segundo trimestre de 2012. Isso levou Pequim a se concentrar mais no crescimento, relaxando a política monetária e aprovando uma leva de projetos de investimento.

A retomada no mercado imobiliário deve ajudar a China a crescer mais depressa agora no segundo semestre (na comparação entre trimestres), segundo o economista do banco UBS Wang Tao. Já Stephen Green, economista do Standard Chartered, acha que a maioria dos ganhos só deve se materializar no ano que vem, pois é muito grande o estoque de imóveis encalhados com as incorporadoras.

Williams, o economista da Capital Economics, disse que, com o consumidor voltando a achar que investir no mercado imobiliário é um bom negócio, há uma chance, ainda que remota, de que vendas e preços disparem. Só que o tiro poderia sair pela culatra, disse. Outro grande salto nos preços de imóveis provavelmente acabaria em um colapso feio do mercado.

Fonte: Valor Econômico

x
Gostou deste conteúdo? Cadastre-se para receber gratuitamente nossos boletins: