Construção segue em alta, mas já sente a falta de materiais

Texto: Redação AECweb

Construtoras relatam dificuldade para comprar produtos como cimento e ferro

08 de outubro de 2010 - Novo Hamburgo - Prédios novos, obras de infraestrutura, programas de incentivo à casa própria e até mesmo a facilidade no crédito. O mercado da construção civil está em alta e vive um de seus melhores momentos. Mas tantos novos empreendimentos acabam gerando falta de alguns materiais. Mesmo quem está fazendo alguma reforma e pretendia aproveitar o fim de semana prolongado teve dificuldade. "O mercado está muito aquecido e a demanda de materiais, muito grande. Alguns, como cimento e cerâmica, estão complicados. Têm prazos de entrega cada vez mais demorados", diz o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), Eduardo Frapiccini.

"Sei de um eletricista que precisou esperar vários dias para comprar a caixa de luz que ele queria, pois nas lojas só havia de um outro tipo. Volta e meia, algum produto está em falta nos estoques e precisamos esperar", comenta um auxiliar de construção civil hamburguense, que sente dificuldades para comprar cimento, ferro e outros itens.

Crescimento começou no ano passado

O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), Eduardo Frapiccini, acredita que o aumento na demanda seja em função de programas, como o Minha Casa, Minha Vida, financiamentos bancários, estabilidade econômica, além das obras de infraestrutura como o trensurb. Frapiccini lembra que o crescimento do setor no Brasil começou no ano passado e chegou fortemente à região este ano. "A tendência é que o mercado continue crescendo e as coisas devem se estabilizar, com fornecedores mais preparados para atender às demandas."

Enquanto isso não acontece, ele diz que as construtoras estão criando mecanismos, como compra antecipada, estoque maior e outros fornecedores. "A situação ainda tem solução, mesmo com dificuldades", afirma.

Programação - Júlio Dorsatto, engenheiro de uma construtora hamburguense e responsável pela construção deste prédio no bairro Pátria Nova, diz que realmente há dificuldade de encontrar alguns materiais. "Temos que nos programar com antecedência de no mínimo 30 dias para evitar falta de alguns materiais. Alguns materiais como revestimentos cerâmicos e esquadrias internas precisam de até seis meses de antecedência", diz Dorsatto.

Mais grandes obras

Trensurb - As obras de extensão do Trensurb até Novo Hamburgo começaram em fevereiro de 2009. As obras trouxeram cerca de 1,2 mil empregos fixos e 3 mil indiretos, além do desenvolvimento para a região. O consumo de cimento, ferro, areia e brita é o mais alto em uma obra na região. A empresa responsável pelas obras, Consórcio Nova Via, acredita que a inauguração da Estação Liberdade ocorra ainda em outubro. E a previsão de entrar em funcionamento, transportando passageiros, será entre maio e abril de 2011.

Viaduto do Rincão na BR-116 - Outra obra com grande consumo de materiais de construção. Mais de 7,4 mil metros cúbicos de concreto já foram utilizados na construção do viaduto e cerca de 950 toneladas de ferro devem ser aplicadas na estrutura. A expectativa é que 75% dela esteja concluída. A conclusão está prevista para janeiro de 2011. Em torno de 100 operários trabalham na obra. O custo está estimado em R$ 34 milhões.

Minha Casa, Minha Vida - Programa do governo federal, que financia casas e apartamentos à população de baixa renda. Em junho deste ano, Novo Hamburgo assinou o primeiro contrato que permitiu a construção de 250 unidades habitacionais de loteamento no bairro Boa Saúde. Outro grande investimento será da Construtora Goldfarb, que anunciou R$ 160 milhões em 1.525 sobrados em Novo Hamburgo.

Fique atento

Dicas para quem quer fazer uma reforma em casa:

É preciso planejar com antecedência. Fornecedores pedem prazos e tentam conciliar as entregas.

Tenha sempre a presença de um profissional da área para ajudá-lo, mesmo que seja uma obra pequena. Isso vai ajudá-lo a antecipar as etapas e os problemas, além de suprir a necessidade de materiais.

Sentiu dificuldades na procura de certos materiais? Amplie seus horizontes e pesquise mais. Procure materiais alternativos e novos fornecedores.

Fonte: Carlos Eckhard - engenheiro civil

Preocupação com o transporte

Uma empresa mineradora, que fornece areia para a região, espera fechar 2010 com uma produção de aproximadamente 1,8 milhão de metros cúbicos do produto, que é utilizado na fabricação de concreto e massas para acentamento. "Nossa preocupação com as grandes obras não é com falta de areia, mas com a logística do transporte rodoviário até os canteiros de obras", diz Verônica Della Mea, diretora executiva da mineradora.

O supervisor operacional do Rio Grande do Sul de uma empresa de concreto, Rafael Henrique da Paz, diz que a maior dificuldade está no cimento, considerado o vilao do mercado. "O cimento é um fator crítico. Tivemos falta do produto ano passado e este ano. A capacidade produtiva das cimenteiras não aumentaram, e a demanda da construção explodiu", analisa.

Paz destaca que as empresas de cimento não têm condições de aumentar a produção em pelo menos quatro ou cinco anos. "Nossa perspectiva é que vai faltar cimento. Ano que vem vai ser bem complicado. Tem obras grandes que ainda não estouraram, como o Estádio Arena, do Grêmio, e a Rodovia do Parque", exemplifica. A dica de Rafael é que os clientes se antecipem. A empresa fornece cerca de 950 mil toneladas mensais no Estado.

Também falta mão de obra qualificada

Com o mercado super aquecido e em franca expansão, a procura pela mão de obra também está muito grande. E encontrando dificuldades para achar pessoas qualificadas. Fica a dica para quem está procurando colocação no mercado. "Tá complicado de encontrar pessoas qualificadas. O Sinduscon está fazendo constantemente cursos para qualificar pedreiros e carpinteiros", exemplifica o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil, Eduardo Frapiccini.

Fonte: Diário de Canoas - RS