Construção segue em recuperação

Texto: Redação AECweb

Segundo analista, as ações ligadas ao setor têm potencial de valorização de cerca de 20% a 30% em 2010

11 de fevereiro de 2010 - Ações de empresas ligadas a construção civil continuaram suas trajetórias de alta no pregão de ontem. O destaque maior foram as ações ON da Gafisa, que brilharam no topo da lista de valorizações, com alta de 4,64% a R$ 26,40. No ano, o papel acumula perda de 6,50%. A ON da Cyrela subiu 2,25% e fechou em R$ 22,71. No ano, a ação cai 7,31%. PDG Realty ON avançou 1,21% e fechou em R$ 15,95. Ao longo de 2010, o papel apura queda de 8,07%.

O analista para o setor da Gradual Investimento, Flávio Conde, ressaltou que ações do mercado imobiliário estão se valorizando esta semana após terem sofrido quedas no início deste ano. Segundo ele, além de um movimento de recuperação, as boas perspectivas para o setor no Brasil também favorecem as altas.

"Todos acreditam no bom desempenho do setor para o ano", afirma Conde. "Agora, está acontecendo uma recuperação das quedas da semana passada, quando o setor caiu em média 7%", avaliou.

Segundo o analista, ações ligadas ao setor têm potencial de valorização de cerca de 20% a 30% em 2010, o que o deixaria em linha com o Ibovespa. A estimativa média de crescimento para o índice Ibovespa ente os analistas está próxima aos 25%.

Diferentemente do desempenho observado no pregão de terça-feira, quando estiveram entre as maiores altas, os papéis de empresas de telecomunicações fecharam o dia de ontem em queda. O analista de telecomunicações da Socopa, Osmar Camilo, recomendou cautela com os papéis do setor nesse momento.

De acordo com ele, uma possível consolidação envolvendo aas empresas de telecomunicações brasileiras não necessariamente significa benefício para o acionista minoritário.

"Pode acontecer o contrário, inclusive. O controlador que adquire a empresa poderá oferecer pela companhia um valor mais barato do que o preço praticado no mercado pelos minoritários", alertou.

Camilo disse que o setor merece cuidados especiais por parte do pequeno investidor porque possui histórico recente de problemas societários. Ele citou o caso da Oi com a Brasil Telecom, no qual houve mudança na relação de troca de ações entre as partes envolvidas. No pregão de ontem, Camilo afirmou acreditar que tenha havido uma realização de lucros de curto prazo, após as altas da véspera.

As ações PNA da Telemar Norte Leste, que na terça-feira figuraram no topo do Ibovespa, ontem caíram 2,46% fechando a R$ 58,81. Na semana, a ação se valoriza 3,13%. Telemar PN caiu 1,39% e ficou em R$ 32,53. A ação acumula alta de 4,26% na semana. Telemar ON caiu 0,87% a R$ 38,75 enquanto na semana apresenta valorização de 3,92%. "Não acredito que o setor seja uma boa aposta e recomendo cautela", disse Camilo.

Após registrar valorização de 5,31% na semana, impulsionados pela possibilidade de fusão dos acionistas da empresa no exterior, os papéis PN da TIM caíram 0,60% a R$4,96. Já os papéis ON, que em geral são mais comercializados, subiram 1,12% a R$ 7,20.

O papel acumula alta de 8,11% na semana. De acordo com Camilo, pode ter havido uma realização na ON que não ocorreu na PN. "Como a ação subiu muito no boato, alguns acionistas podem ter feito a opção de realizar. Na ON, isso ainda não ocorreu, mas nada impede de ocorrer", disse.

Rússia afeta papéis do setor de carnes. A JBS e a Marfrig, maiores produtoras de carnes do País, subiram no pregão de ontem para a máxima da semana na Bovespa, como reflexo do aumento do volume de exportações e de preços em janeiro, o que aumentou a perspectiva de lucros das duas empresas.

A ação da JBS, maior produtora mundial de carnes, foi a R$ 9,28, seu maior nível desde 3 de fevereiro, com ganho de 2,54% na sessão. Marfrig avançou 1,1%, a R$ 22,18.

As exportações foram incrementadas sobretudo com a demanda da Rússia, que é o maior importador da carne brasileira, respondendo por cerca de 15% dos embarques. O analista Alan Alanis, do JP Morgan, publicou ontem relatório classificando como "encorajadora" para os papéis o apetite russo pela carne brasileira.

"Volumes e preços estão se recuperando gradativamente desde o segundo semestre de 2009. Janeiro de 2010 a recuperação do mercado manteve essa tendência positiva, com os preços avançando 15% e os volumes, 7%, frente a igual mês do ano passado.

Para outra companhia do setor, a BRF, o cenário já não é tão positivo, já que as carnes de ave perderam em preço e volumes exportados no período. Possíveis restrições da Rússia a importações de carne de frango americana podem mudar esse cenário.

O analista, no entanto, afirma que a Rússia tem feito esforços para buscar a autossuficiência em aves a longo prazo, o que pode atingir as exportações do produto. BRF ON caiu 1,73% ontem.

Fonte: Jornal do Commercio