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Construtor analisa os impactos dos ciclones e da pandemia no Sul

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Os estados do sul do país são vítimas, a um só tempo, da Covid-19 e de fenômenos climáticos que danificam edificações e desabrigam moradores

31/08/2020 | 15:23 - Nesse novo cenário de ciclones e tempestades violentas, é o momento de avaliar a forma de construir na região, para que prédios, casas e demais instalações se tornem mais seguros. O podcast do Portal AECweb ouve o engenheiro Carlos Lopes, que é mestre pela Universidade do Porto, em Portugal, e diretor de Obras da construtora Daxo, sediada na cidade catarinense de Joinville.

As construções horizontais são as que sofrem os maiores danos com os fortes ventos, acima de 120 km/hora. Para Lopes, uma das causas é a ausência em mais de 50% dos imóveis, de responsável pelo projeto ou pela execução da obra. E, quando têm, o engenheiro que assina a ART sequer visita o canteiro para controlar o que está sendo feito. Além disso, depois de prontas, é recorrente que as casas acrescentem mais um cômodo, o tal do “puxadinho”, sem qualquer orientação técnica.

Nos prédios, foi notícia o arrancamento de janelas pelos ciclones. Apesar da fabricação das esquadrias contar com norma técnica atualizada e robusta, Lopes considera que o problema é a falta de consultores especializados que desenvolvam o projeto e acompanhem todo o processo até a instalação. “Temos que apostar em consultores e técnicos especializados”, diz. Diferente do que ocorre no Brasil, em Portugal há consultores para todos os sistemas embarcados na obra. São equipes multidisciplinares, especialistas em áreas que vão das fachadas ao isolamento térmico e acústico, que garantem o melhor desempenho do edifício.

No Brasil desde 2001, Lopes acompanhou a entrada em vigor da Norma de Desempenho, a ABNT NBR 15.575. “Muitas empresas não estavam preparadas para as mudanças impostas pela norma, que exigiu do mercado melhor performance de suas construções”, observa. O que pesou para a melhoria das edificações, principalmente nos quesitos termoacústicos, foi a geração de uma cultura entre os compradores dos imóveis. “Isso fez com que o mercado mudasse e a qualidade dos empreendimentos, melhorando cada vez mais”, comenta.

Ele defende que as obras residenciais de alto padrão são mais seguras para enfrentar os fenômenos climáticos. No caso da Daxo, de sua propriedade, os projetos utilizam a tecnologia Building Information Modeling (BIM) e o conhecimento de arquitetos e engenheiros especialistas em diversas áreas. “O que nos possibilita uma série de análises de desempenho, ainda na fase de projeto”, diz, frisando que, nos empreendimentos de luxo não basta atentar para o nível do acabamento. “É lógico que não posso construir alto padrão se não tenho projetos de alto padrão”, afirma.

Lopes comenta, também, o momento crítico da Covid-19 em Santa Catarina, que teve os canteiros paralisados por um curto período – de 1º a 15 de julho último. Os clientes passaram a valorizar mais a casa, confortável e onde se sintam bem. “Não sentimos e nem o mercado da construção civil sentiu todo o impacto da pandemia”, conta.

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