Construtoras ainda esperam linha de capital de giro de R$ 3 bilhões

Texto: Redação AECweb

Desfecho deve ser anunciado na segunda-feira junto com a regulamentação do pacote de medidas para a habitação

9 de abril de 2009 - O governo garantiu ontem a empresários que segunda-feira terá encontrado solução para destravar a linha de R$ 3 bilhões para financiamento de capital de giro às empresas do setor da construção civil. A informação foi dada pelo presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, ao sair de longa reunião de acompanhamento da crise no gabinete do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Segundo Simão, os empresários esperam medidas para descomplicar a contratações dos projetos, principalmente com relação às garantias exigidas pela Caixa Econômica Federal. A equipe de Mantega disse ao presidente da CBIC que o desfecho deve ser anunciado na segunda-feira junto com a regulamentação do pacote de medidas para a habitação. De acordo com a CBIC, dos R$ 3 bilhões anunciados em outubro de 2008, apenas R$ 50 milhões teriam sido liberados até agora porque a Caixa está exigindo garantias adicionais, o que inviabiliza a operação no modelo original. A ideia era aceitar como garantia os recebíveis do empreendimento e seus fluxos de caixa como garantia.

O custo dessa linha de crédito para capital de giro fica entre 10% e 11% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR), com recursos da caderneta de poupança. Foi criado um fundo de reserva de R$ 1,05 bilhão a partir dos dividendos pagos pela Caixa ao Tesouro. Esse fundo, formado pelos valores dos exercícios de 2008, 2009 e 2010, vai garantir até 35% dos R$ 3 bilhões e o restante do risco será da Caixa.

Os empresários também levaram a Mantega reclamações contra o aumento das taxas cobradas do varejo pelas administradoras de cartões de crédito. O presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Claudio Conz, lamentou que, apesar do bom momento das vendas do setor, os lojistas tiveram de enfrentar elevação das taxas 2,8% para 3,5% sobre o valor das vendas feitas por esse meio de pagamento. O ministro prometeu chamar a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) para pedir explicações. O atual presidente da entidade é Aldemir Bendine, que foi apresentado ontem por Mantega como o futuro presidente do Banco do Brasil.

Mantega também ouviu queixas dos empresários contra a alta carga tributária dos Estados. Disse que, neste momento de crise, isso é "suicídio" e estuda um prêmio no Fundo de Participação dos Estados (FPE) para o governo que reduzir o peso dos impostos.

A situação mais pessimista levada ao governo, na quarta reunião do Grupo de Acompanhamento da Crise (GAC), foi a das indústrias de máquinas e equipamentos fabricados em série. O presidente da entidade do setor, Abimaq, Luiz Aubert, disse que saiu do encontro sem perspectivas, da mesma maneira que deixou a primeira reunião. Como exemplo do impacto da crise, informou que, desde outubro, as empresas do setor já demitiram 20 mil pessoas, num universo de 250 mil empregos diretos. No primeiro bimestre de 2009, houve perda real de 30,8% no faturamento, quando comparado ao mesmo período de 2008.

Fonte: Valor Econômico - SP