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Construtoras apertam o cinto e lucram

Texto: Redação AECweb

Após trimestre cauteloso, empresas do setor asseguram lucros mesmo diante de vendas mais tímidas

14 de maio de 2009 - O desempenho das construtoras começa a ser retomado em decorrência do pacote habitacional anunciado pelo governo federal na última semana de março, para estimular a recuperação do setor, depois da turbulência.

O cenário se confirma depois de um primeiro trimestre cauteloso em relação aos lançamentos e de esforços de redução nos custos, estratégia que garantiu melhor saúde financeira a uma parte destas empresas, que conseguiram assegurar seus lucros, mesmo diante de vendas mais tímidas.

A tendência foi reforçada na divulgação dos resultados financeiros das corporações, como por exemplo, a Cyrela Brazil Realty, que registrou lucro líquido de R$ 100 milhões, cerca de 46% a mais do que nos três primeiros meses de 2008, apesar do recuo de 55% nas vendas em virtude do menor número de lançamentos.

Outra que seguiu a linha foi a Even Construtora e Incorporadora , o que lhe assegurou um lucro líquido de R$ 11,5 milhões no primeiro trimestre de 2009, aumento de 20%, na comparação com 2008, mesmo tendo observado vendas contratadas de R$ 171,3 milhões, ante os R$ 256,5 milhões registrados em igual período anterior.

Também no ritmo de uma postura mais conservadora, a Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) optou por não fazer lançamentos no período. Com isso, concentrou-se na comercialização das unidades que tinha em estoque.

A construtora apresentou lucro líquido foi de R$ 10 milhões no primeiro trimestre de 2009, inferior aos R$ 54 milhões apurados no início de 2008, porém superior ao prejuízo de R$ 8 milhões do último trimestre do ano passado.

As vendas contratadas exclusivas da Camargo Corrêa, no trimestre encerrado este ano, atingiram a casa dos R$ 120 milhões, inferiores aos R$ 214 milhões dos últimos meses de 2008. "As vendas foram satisfatórias, dada a sazonalidade (feriados) típica do começo do ano.

Mas em março observamos aceleração na demanda, sendo o melhor mês do período", comentou Fernando Bergamin, diretor de Relações com Investidores da CCDI.

Para Marcelo Figueiredo, diretor superintendente da CCDI, a companhia está entre as que possuem menor grau de alavancagem, sendo que as corporações que apresentaram posturas mais agressivas estão apresentando perdas em seu balanço.

A aquisição da HM Engenharia, que atende aos segmentos de baixa renda, é outro trunfo para aquecer o negócio. "Com a HM estamos mais capacitados a atuar no econômico, ainda mais agora, com o plano do governo que está fomentando a demanda", analisou, a investidores.

Tanto é assim que a CCDI contabilizou que quase 55% das vendas do trimestre referem-se a unidades de até R$ 200 mil. Por isso, novos lançamentos serão feitos com foco no programa do governo.

A empresa sinalizou que em abril o volume de vendas cresceu mais do que em março. Ao final do trimestre, a empresa tinha em caixa R$ 61 milhões e uma dívida de pouco mais de R$ 98,5 milhões.

Ontem, a corporação divulgou, ainda, que os custos totais reconhecidos caíram 8,9%, no primeiro trimestre de 2009, na comparação com o trimestre anterior.

As despesas comerciais também tiveram uma redução de 49,3% , no mesmo período - isso devido ao nível reduzido de do menor nível de atividades comerciais.

Segurança
Outra empresa do setor que deu continuidade à política conservadora de "privilegiar o caixa e focar em lançamentos com maior segurança de comercialização" foi a Even Construtora. Como resultado, a construtora lançou quatro empreendimentos que totalizam R$ 54 milhões, mais de 50% de cujas unidades foram comercializadas até o fechamento do trimestre. "A companhia se preparou para ter um caixa forte", comentou Dany Muszkat, diretor de Relações com Investidores da Even.

Muszkat colocou que a devido a postura adotada, a Even conseguiu fechar o trimestre R$ 288 milhões em caixa. O executivo ressaltou ainda que o financiamento da produção também foi positivo: 97% dos empreendimentos lançados foram financiados.

A Even assegura ainda que os 16 lançamentos com obras não iniciadas apresentam índice de vendas que garante viabilidade comercial e financeira para as construções, havendo financiamentos aprovados para 10 novos projetos prestes a serem apresentados ao mercado.

Para a empresa, com primeiro trimestre, a oferta de crédito começou a dar sinais de recuperação: mesmo com vertiginosa queda do final do ano passado, já apresenta impacto positivo no mercado.

"Na última semana de março já estávamos mais fortes, e neste trimestre a tendência é de que a procura por imóveis aumente", falou o diretor de RI. Ele acrescentou que a Even será beneficiada pelo aumento do o limite do valor imóvel financiável pelo FGTS de R$ 350 mil para R$ 500 mil, aliado à ampliação do limite de 70% para 90% do montante financiável.

A reportagem conversou com Dany Muszkat, executivo da área de Relações com Investidores, mas, segundo comunicado enviado ao mercado antes do fechamento desta edição, ele foi convidado a acumular o cargo de diretor financeiro da Even.

Fonte: DCI-SP
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