Construtoras foram maiores vítimas em semana de perdas

Texto: Redação AECweb

Ibovespa recuou 3,08% na semana passada, com queda de 10,89% para Gafisa. Na sexta-feira, possível alta de juros na China derrubou commodities e bolsas

16 de novembro de 2010 - A construção civil, apesar de ter mostrado nos balanços divulgados na semana passada fortes resultados no terceiro trimestre, foi o setor mais impactado pela onda vendedora na Bolsa, quando o Ibovespa perdeu 3,08%. Além da redução nas posições de investidores estrangeiros nos papéis do índice, o mercado bateu também nas ações devido a temores de que o governo adote novas medidas para frear a inflação. O Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no País, relatou expansão de 0,75%, em outubro.

Do setor imobiliário, os papéis que mais se desvalorizaram foram, pela ordem, Gafisa ON (10,89%, a R$ 13,18), Rossi ON (9,59%, a R$ 15,46), Cyrela ON (7,97%, a R$ 20,91) e MRV ON (7,34%, a R$ 15,90). Outra ação voltada para o mercado interno que apresentou forte queda foi a PN da Lojas Americanas (6,51%, a R$ 17,66). Ainda assim, o analista Paulo Hegg, da Um Investimentos, diz que os setores cuja demanda é dependente do mercado doméstico tendem a sobressair no curto prazo, embalados pelo apetite dos consumidores com a proximidade com o Natal.

Os papéis da BM&FBovespa ON recuaram 7,67% (a R$ 13,25) na semana. A controladora da Bolsa reportou aumento de despesas em seu balanço e revisou para cima a previsão de gastos para este ano, pelo incremento em campanhas publicitárias e investimentos em TI.

A Spinelli manteve recomendação de "manutenção" para as ações da bolsa nacional. Daniel Malheiros, analista da corretora, diz que o momento é de cautela com as ações da Bolsa, por conta dos possíveis efeitos da elevação de IOF, que deverá diminuir o interesse de agentes financeiros por contratos de câmbio na BM&F, pressionando as margens da empresa. O anúncio da Cetip de que tem conversado com o Deutsche Boërse AG para uma possível parceria com o intuito de criar uma plataforma eletrônica para operar produtos de renda fixa, acendeu uma luz amarela para a Bolsa, diz Malheiros.

"Começaram especulações sobre a possibilidade de a Bolsa ganhar um concorrente." Na outra ponta, Vivo PN assumiu a liderança do índice (6,22%, a R$ 53,27). A companhia reportou lucro 80,9% maior no terceiro trimestre, na base ano a ano de comparação.

A Ativa Corretora manteve recomendação de "compra" para os ativos da empresa, com preçojusto de R$ 68 (27,65%).

Na sexta-feira, o medo de uma elevação de juros em breve na China para conter as pressões inflacionárias abateu os preços das commodities em geral, debilitando as bolsas ao redor do mundo. A maior vítima foi a Bolsa de Xangai, que desabou 5,2%, a maior perda em 14 meses, espalhando aversão ao risco mundo afora. Nos EUA, o Dow Jones recuou 0,80%, para 11.192,58 pontos; o Nasdaq caiu 1,46%, para 2.518,21 pontos, e o S&P 500 teve queda de 1,18%, para 1.199,21 pontos. No acumulado da semana, os três índices acumularam recuo de 2,2%.

A Bovespa caiu no ritmo de Wall Street, perdendo 1,16% no dia, emendando quatro sessões no vermelho, fechando a semana passada aos 70.367,15 pontos.

A Bolsa sofreu principalmente por conta de ações de produtoras de matérias-primas como Vale e Petrobras e passou a ter rentabilidade negativa em novembro (-0,43%).

As ações PNA da Vale caíram 1,76% e as ON,1,86%. Mesmo já tendo antecipado um balanço fraco da Petrobras nos últimos dias, os investidores continuaram vendendo ações da estatal na sexta-feira. A decepção maior foi com o resultado operacional, prejudicado pelo aumento dos custos de produção.

Petrobras PN caiu 3,26%, com giro alto, de R$ 1,085 bilhão. A ON se desvalorizou 3,32%.

As bolsas de valores da Ásia encerraram em queda na sextafeira, pressionadas pelo tombo em Xangai, com recuo geral das empresas ligadas a máterias-primas. Tóquio fechou em queda de 1,39%. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,93% enquanto o Taiwan Weighted caiu 1,43%.

As bolsas europeias encerram o dia em direções divergentes, refletindo os temores sobre a China e rumores sobre a criação de um pacote de ajuda de 80 bilhões de euros à Irlanda.

Londres fechou com queda de 0,32% e Paris recuou 0,94%.

Em Frankfurt, o DAX-30 avançou 0,17%, se recuperando no fim da sessão.

Fonte: Jornal do Commercio – RJ