Construtoras oferecem cursos para vencer escassez de trabalhadores qualificados

Texto: Redação AECweb

Em 2010, a expectativa é que o setor incorpore 400 mil trabalhadores, principalmente pedreiros, carpinteiros, pintores e ajudantes.

19 de novembro de 2010 - O crescimento acelerado do mercado imobiliário no Brasil provocou uma maior demanda por mão de obra nos escritórios e canteiros de obras das construtoras.

Empresas como Even, Brookfield, Gafisa, Cyrela e CCDI têm vagas abertas em vários setores e criam ações de capacitação profissional da Even: cursos para operários, engenheiros e gestores. Algumas companhias chegam a investir R$ 4 milhões ao ano em atividades de treinamento, são dados pelos "Em todo o Brasil, até agosto de 2010, o setor Alcançou 2,8 milhões de postos de trabalho, em relação a 2,3 milhões de empregos registrados em 2009", compara Haruo Ishikawa, vice-presidente de relações capital-trabalho do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP). "De janeiro a julho, foram contratados quase 60 mil trabalhadores somente no Estado de São Paulo."

Em 2010, a expectativa é que o setor incorpore 400 mil trabalhadores, principalmente pedreiros, carpinteiros, pintores e ajudantes, as funções mais procuradas pelas empresas. "Essa demanda deve se manter até 2014 por conta dos investimentos previstos no país", assegura Antônio Carlos Gomes, presidente da comissão de política de relações trabalhistas da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Para Valéria Fernandes da Silva, diretora de RH da Even, a formação do trabalhador da construção civil ainda é feita pelos empregadores. "O funcionário de¬senvolve conhecimentos dentro da obra e, à medida que o aprendizado aumenta, ascende na carreira." Em 2009, o grupo contratou 550 pessoas e, neste ano, deve admitir mais de 900 profissionais. Prevê lançamentos da ordem de R$ 2 bilhões em 2011 e de R$ 2,5 bilhões em 2012, que exigirão novos funcionários. Para suprir gargalos de mão de obra, recorre ao aproveitamento interno de empregados, indicações e buscas em sites de emprego. "Implantamos também uma academia interna, com cursos técnicos e de formação."

Em julho, a Even lançou um programa de estágio com duração de dois anos e oportunidades de efetivação -a empresa tem 250 estagiários e pretende aumentar esse grupo em cerca de 20%, ainda em 2010. No ano passado, criou um projeto para formação de líderes, voltado para gerentes e diretores, com treinamentos sobre gestão de pessoas e atendimento a clientes.

Na Cyrela, com dez mil funcionários, há 20 vagas para engenheiros que precisam ser preenchidas até maio de 2011, para obras fora de São Paulo. "E possível que o quadro cresça 20% em um ano", adianta o assessor da presidência, Ulrico Barini.

No ano passado, a empresa contratou 300 profissionais para o quadro permanente e cerca de cinco mil tem¬porários. Neste ano, 200 novos funcionários serão admitidos e mais três mil empregos flutuantes serão criados.

Segundo o executivo, um dos desafios das empresas é sobreviver à alta rotatividade da mão de obra e ao ciclo típico do setor, com empreendimentos que começam e se encerram em vários locais, inviabilizando a fixação de pessoal. Para reverter esse quadro, a Cyrela montou programas de alfabetização nos canteiros e cursos profissionalizantes para os parentes dos operários.

Na Living Construtora, empresa do grupo voltada ao segmento econômico, há um projeto baseado em multiplicadores de conhecimento, em que quatro funcionários capacitados disseminam novas técnicas nas obras. Todos os programas de formação e qualificação do grupo são proporcionados pela academia Cyrela, instituição virtual, com um orçamento de R$ 4 milhões ao ano.

"Tão grande quanto o desafio de formar, é a dificuldade de reter a mão de obra", concorda Cláudio Sayeg, diretor de engenharia da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI). "Atuamos com um modelo de gerenciamento de empreiteiros, sem operários próprios." Mesmo assim, a empresa tem 20 vaga abertas, para gerentes de obras, engenheiros e analistas de projetos.

Na Gafisa, com 5,8 mil funcionários, a estratégia é recrutar profissionais com pouca experiência e investir em qualificação. Em média, investe até R$ 2,5 milhões ao ano em programas para trainees. "Há uma carência de mão de obra no Norte, Nordeste e no Rio", afirma Rodrigo Pádua, diretor de pessoal e gestão da construtora.

A empresa costuma introduzir equipes mais especializadas em meio a grupos de funcionários menos experientes. Também adotou um novo método construtivo que reduz o volume contratado de empregados. A Gafisa é considerada uma das pioneiras na implantação de escolas de alfabetização e de ensino fundamental nas obras, com laboratórios de capacitação que oferecem aulas práticas e teóricas.

Para alimentar a demanda por engenheiros, a construtora mantém um programa de trainees, que já apresenta resultados: cerca de 70% dos coordenadores de obras e gestores começaram na empresa via estágio. "Dos 35 diretores da Gafisa, 12 foram estagiários e, nos últimos quatro anos, geramos 400% mais oportunidades para posições de liderança."

Com obras em todo o Brasil, a construtora tem 159 vagas para cargos administrativos, como gerentes e supervisores. No ano passado, fez 1,4 mil contratações e deve fechar 2010 com 2,1 mil admissões, a maioria na área de construção.

"Em cidades como Cuiabá e Campo Grande, a mão de obra qualificada é mais escassa e exige maiores investimentos de recrutamento e formação", revela Lygia Villar, superintendente de RH da Brookfield. Com quatro mil funcionários, a empresa abre uma média de 300 vagas em obras por mês, para engenheiros e cargos operacionais, além de 50 colocações mensais nas áreas de incorporação, financeira e aquisição de terrenos.

Neste mês, está abrindo uma universidade corporativa, com cursos para as áreas de negócios, como tendências do mercado imobiliário e gestão do tempo. Investe também em alfabetização e formação técnica. A escola de formação, criada em outubro, inclui cursos de quatro meses para mestre de obras, encarregado, carpinteiro, eletricista e pedreiro. A unidade de alfabetização tem 160 alunos.

Em 2009, a Brookfield contratou 525 pessoas e, até setembro de 2010, criou 988 novas posições - 90% das vagas foram para a área operacional. "Para colaboradores do escritório, oferecemos benefícios como participação nos resultados", diz Lygia. "Para as lideranças, há planos de carreira e incentivos."

Fonte: Valor Econômico