Construtoras têm primeira avaliação negativa

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Em quatro anos, desempenho registrou primeiro recuo

14 de junho de 2013 - O pessimismo predominante no cenário econômico contaminou o humor dos empresários da construção civil. O desempenho das construtoras registrou a primeira avaliação negativa dos empresários do setor em quatro anos, segundo a 55.ª Sondagem Nacional da Indústria da Construção Civil, feita pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

No mês passado, a pesquisa trimestral do setor aponta que o desempenho das empresas, segundo os empresários do setor, recuou 4,9% na comparação com a pesquisa trimestral anterior, encerrada em fevereiro e apresentou queda de 3,4% em 12 meses.

Numa escala de zero a 100 pontos, o indicador abaixo de 50 pontos denota pessimismo e acima de 50 pontos, otimismo. Em maio, o quesito desempenho da empresa recuou para 49,5 pontos, ante 52,1 pontos em fevereiro. O resultado de maio foi o menor registrado em quatro anos.

Em maio de 2009, o indicador era 45,9 pontos. A pesquisa trimestral consulta cerca de 300 construtoras em todo o País.

"Houve uma grande deterioração das expectativas", afirma o vice-presidente de Economia do Sinduscon-SP, Eduardo Zaidan. Ele observa que parte desse resultado é explicado pelos problemas nas obras de infraestrutura, que demoram para deslanchar. Mas, na sua avaliação, o segmento da construção civil imobiliária não sustenta esse pessimismo.

"No mercado imobiliário não há sinais de deterioração: as vendas de imóveis não estão tão espetaculares como nos últimos anos, mas estão acontecendo", observa.

De acordo com Zaidan, o programa habitacional do governo Minha Casa, Minha Vida está acontecendo e há mais recursos de caderneta de poupança para os financiamentos imobiliários.

O que levou ao aumento do pessimismo dos empresários do setor, na sua avaliação, foi a conjugação de notícias negativas: inflação fora de controle, o Banco Central subindo a taxa básica de juros e os resultados ruins do Balanço de Pagamentos.

"Isso influencia a cabeça do empresário que pode não investir no futuro", alerta.

Zaidan ressalta que a construção civil é um bom termômetro da intenção de investimento de outros setores. É que toda a vez que há sinal verde para a ampliação da produção, por exemplo, de carona, na maioria das vezes, estão as obras civis de uma nova fábrica, por exemplo.

De toda forma, como as construtoras trabalham com projetos de longo prazo, se o pessimismo persistir entre os empresários do setor, o impacto real no ritmo de atividade das empresas será sentido apenas a partir do segundo semestre de 2014.

"Temos obras contratadas até a metade do ano que vem", diz Zaidan.

Dos sete quesitos que compõem a sondagem, cinco apresentaram resultados insatisfatórios em maio, como indicador abaixo de 50 pontos.

Além do desempenho da empresa, estão na lista de resultados negativos os quesitos: perspectivas de evolução de custos, condução da política econômica, inflação reduzida e crescimento econômico. Resultados positivos foram registrados nos quesitos dificuldades financeiras e perspectivas de desempenho.

Não é apenas o humor dos empresários da construção civil que se deteriorou. O último indicador de emprego disponível, que foi do mês de abril, mostrou que 38,2 mil trabalhadores foram contratados pelo setor no País, com alta de 1,11% na comparação com março deste ano, segundo pesquisa do Sinduscon-SP.

Esse desempenho ficou abaixo do registrado em abril de 2012, quando foram feitas 46,4 mil admissões. Com isso, reduziu-se de 3,5% para 3% a expectativa de crescimento do PIB do setor para este ano.

Fonte: O Estado de São Paulo