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Construtoras tentam fugir dos moldes do prédio-commodity

Texto: Redação AECweb

Empresas têm buscado estratégias para se destacarem no mercado

26 de abril de 2010 - Para as construtoras, o maior desafio que se impõe a partir de agora, com o amadurecimento do mercado imobiliário brasileiro, é a diferenciação. Aos olhos dos potenciais compradores, os empreendimentos atualmente estão parecendo commodities: casas e apartamentos feitos todos na mesma forma e condomínios-clubes que oferecem serviços que os moradores sequer conseguem aproveitar.

Algumas ainda tímidas, outras mais ousadas, as incorporadoras -muitas das quais são negociadas em Bolsa de Valores e precisam entregar resultados cada vez melhores para seus acionistas- têm buscado estratégias para se destacar.

A MaxHaus, por exemplo, entrou no mercado em 2008 com a proposta de lançar um conceito novo no que diz respeito ao projeto dos imóveis, batizado pela empresa de "arquitetura aberta". Todos os seus apartamentos são vendidos em unidades de 70 metros quadrados, e o cliente pode adquirir quantas quiser para aumentar o seu espaço. Apenas o banheiro é entregue delimitado -os outros cômodos são erguidos de acordo com a vontade do morador e podem ser modificados ao longo do tempo.

"Queremos transformar um produto imobiliário em um produto de consumo", resume José Paim de Andrade, fundador da construtora.

Aprimorar as pesquisas com os consumidores faz parte do esforço. Às vezes, o resultado desse trabalho é a repetição de modismos, como o estilo neoclássico na arquitetura dos prédios. Da maior parte das sondagens, porém, surgem pistas importantes para o planejamento das obras futuras.

"Notamos que as pessoas querem ser mais sustentáveis, então é a isso que nos propomos. Usamos madeira certificada, torneiras que economizam água. Creio que os edifícios estão mais racionais, com projetos menores e investimento em automação", afirma João Azevedo, diretor de incorporação da Even.

Com a intenção de dar destaque à marca, uma prática não muito comum no setor, a Gafisa chamou a supermodelo Gisele Bündchen para estrelar uma campanha publicitária que trata da "importância do lar". "É importante falar de produtos, mas também ressaltar que a construtora tem tradição. Trata-se de reforçar a credibilidade. Acho que os consumidores estão prestando atenção a esse fator", comenta Luiz Carlos Siciliano, diretor de marketing e vendas da Gafisa.

Algumas empresas discordam, entretanto, da impressão de que os imóveis estejam todos iguais. Argumentam que não podem elaborar projetos demasiadamente "modernos" por causa do risco de os prédios ficarem defasados já no momento da entrega, dois ou três anos depois de lançados.

"O empreendimento não pode ter nenhuma característica marcante que o desvalorize no futuro. Afinal, o imóvel é um bem eterno", pondera Rogério Santos, diretor de marketing da Tecnisa. Se a estrutura do apartamento é básica, acrescenta, há ainda mais liberdade para mudar a sua organização interna sempre que der vontade.

Fonte: Folha de São Paulo

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