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Consumidores impulsionam inovação de materiais

Texto: Redação AECweb

Grande incentivo para a disseminação dos materiais sustentáveis é a percepção de que eles não encarecem necessariamente a obra

12 de julho de 2012 - O uso de novos materiais de construção "verdes", que causam menos impacto ao meio ambiente, vem sendo estimulado por uma demanda crescente de consumidores que têm preocupações com a sustentabilidade e buscam escritórios de arquitetura e construtoras com foco nesse tipo de atuação. Um grande incentivo para a disseminação destes materiais é a percepção de que eles não encarecem necessariamente a obra e também podem se tornar uma fonte de economia.

A arquiteta Viviane Cunha, da VCA Arquitetura e Sustentabilidade, e professora de projetos sustentáveis da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-Rio) vem acompanhando o aumento da demanda pelo uso de materiais "verdes" nas construções nos últimos anos, principalmente por clientes corporativos, que ainda são maioria.

Uma explicação para essa tendência é que esses clientes muitas vezes buscam certificações de sustentabilidade para seus empreendimentos e, dessa forma, têm mais informação sobre o conceito. A VCA realiza a certificação Building Research Establishment Environmental Assessment Method (Breeam), criado em 1992 na Inglaterra para a avaliação de edifícios sustentáveis.

Viviane conta que ainda há clientes que resistem em usar materiais sustentáveis porque acreditam que eles têm custo alto e encarecem a obra. "Mas há produtos como o cimento CP3, que não é mais caro e tem excelente desempenho na obra", lembra arquiteta. O CP3 usa reciclagem na composição e emite menos gás carbônico durante seu processo de produção.

Outra solução citada pela arquiteta é a adoção do "telhado verde", uma técnica de arquitetura que consiste na aplicação e uso de solo e vegetação sobre uma camada impermeável, na cobertura da edificação. De acordo com Viviane suas principais vantagens são facilitar a drenagem e fornecer isolamento acústico e térmico.

"Como funciona como um colchão térmico, o telhado verde pode reduzir os custos com a refrigeração do edifício", ressalta a arquiteta. Conduítes são fabricados com embalagens de agrotóxicos recicladas que, destaca, teriam grande risco de contaminar solos e rios.

Há outras opções de materiais "verdes" como a madeira plástica, que é feita com diversos tipos de plásticos reciclados e resíduos vegetais de agroindústrias e é altamente resistente à corrosão de intempéries e é imune à pragas, cupins, insetos e roedores. Também podem ser usados os blocos de entulho, que reaproveitam os restos de construções demolidas ou de reformas e madeira manufaturada, feitas a partir de serragem e madeiras de construções demolidas e restos de madeira, diminuindo o entulho. O solo cimento é um material homogênio resultante da mistura de solo, cimento e água, ideal para construções de pequeno porte.

A empresária Leticia Achcar, vem se dedicando à produção de tintas minerais que têm como pigmento a terra e usa como base a água. De acordo com a empresária, a tinta mineral não utiliza solvente em sua composição, como é padrão na indústria. "É um produto livre de COVS- Compostos Orgânicos Voláteis - substâncias poluentes derivadas do petróleo que agridem a camada de ozônio", afirma ela.

Arquiteta de formação, há dez anos ela produzia as tintas dentro das obras nos projetos em que participava. Com o aumento da demanda, esse método de produção ficou inviável e há quatro anos ela decidiu fundar a fábrica, que hoje distribui a tinta mineral em vários locais do Brasil. De acordo com a empresária, o preço da tinta mineral é similar ao de uma tinta convencional no segmento de ponta do mercado, com a vantagem de que gera economia de material, já que paredes de alvenaria regularizadas dispensam fundos preparados ou massa corrida.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção quer incentivar o aumento do de materiais sustentáveis nas obras realizadas no país. De acordo com a assessora técnica da entidade Georgia Grace, a CBIC vem mantendo conversas com representantes de entidades como a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) sobre o desenvolvimento de produtos sustentáveis.

A entidade também quer ampliar o conceito de sustentabilidade em habitações de baixa renda já que, lembra Gracia, a demanda hoje ainda é concentrada no público de classe alta e média. Uma ideia da CBIC é estimular o governo federal a usar materiais sustentáveis no programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida". "Será uma maneira de levar a sustentabilidade para classes sociais que ainda não despertaram para esse conceito", diz ela.

Fonte: Valor Econômico

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