Copa deve gerar demanda de até 5 mi de toneladas de aço

Texto: Redação AECweb

Demanda extra poderá ser entre 400 mil a 700 mil toneladas por ano

24 de novembro de 2009 - As siderúrgicas instaladas no Brasil já começaram a se organizar para o atendimento da demanda que será gerada com as obras para a Copa do Mundo, em 2014.

A expectativa é que a Copa, juntamente com as Olimpíadas em 2016, gerem uma demanda extra de 3 milhões a 5 milhões de toneladas de aço. Se esse volume for dividido anualmente - até 2016 - a demanda extra será entre 400 mil a 700 mil toneladas por ano, de acordo com levantamento do Instituto Aço Brasil (IABr).

Segundo Marco Polo de Mello Lopes, vice-presidente executivo do IABr (antigo Instituto Brasileiro de Siderurgia), mesmo com o volume anual baixo, os eventos trarão uma oportunidade para o aumento do consumo de aço no País, principalmente na construção civil.

"Agora estamos diante do que chamamos de programas especiais, que além da Copa, tem o pré-sal, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Minha Casa, Minha Vida e Olimpíadas. Cabe agora lembrar que a indústria siderúrgica brasileira está preparada para isso", disse Lopes.

Atualmente, segundo informação do IABr, o parque siderúrgico brasileiro tem capacidade de produção 117% superior à demanda interna de aço.

Somadas, as usinas instaladas no Brasil possuem capacidade para produzir 42 milhões de toneladas de aço bruto. A entidade aponta que, ao final de 2009, a demanda interna no Brasil prevista é de 20,8 milhões de toneladas, sendo que, desse total, 19,3 milhões devem ser atendidas com a produção doméstica. "Temos garantia que podemos abastecer o mercado interno, os programas especiais e a exportação", afirmou Lopes.

Por conta da distância entre a capacidade instalada e o consumo de aço no mercado doméstico, o executivo do IABr lembrou que, para atender à demanda, a indústria siderúrgica não demandará novos investimentos.

"Em 2008, tínhamos um programa de aportes de US$ 40 bilhões, o que elevaria a capacidade de produção para até 60 milhões de toneladas", disse o executivo, salientando que, hoje, as usinas estão cautelosas quanto a investimentos já que "não há local para despachar o excedente da produção". Após a crise econômica, o setor opera com 78% de sua capacidade instalada. Em janeiro deste ano, a utilização estava em apenas 47%.

Lopes afirmou que a entidade já entrou em contato com a Associação de Ferro e Aço da China (Cisa, na sigla em inglês), para obter mais informações com o País que sediou as Olimpíadas em 2008. Atualmente, a China registra consumo per capita anual de 340 quilos. No Brasil, esse consumo cai para 96 quilos.

André Gerdau, presidente da Gerdau e vice-presidente do IABr, afirma que, até o final do ano, o setor vai saber o volume exato da demanda gerada pelos eventos esportivos. Ele ressalta que o plano de investimentos da Gerdau, de R$ 9,5 bilhões, já foi pensado visando a retomada do crescimento e os eventos dos próximos anos. Hoje, a capacidade utilizada da companhia gira em torno de 70%.

Já o diretor de Vendas da Usiminas, Ascânio Merrighi, antecipa que a empresa já está atuando junto com outras companhias que fazem projetos para a Copa. "Já temos clientes se preparando para o aumento da demanda", disse. Segundo ele, caso o crescimento se confirme, o projeto da usina de Santana do Paraíso, hoje suspenso, pode voltar à pauta da Usiminas.

Mesmo com sobra de capacidade, o Brasil viu seus investimentos em siderurgias voltarem. Uma foi a Votorantim, que investiu em Resende (RJ) para praticamente dobrar a sua produção anual de aços longos. A unidade, que teve suas operações iniciadas em outubro, terá capacidade para 1 milhão de tonelada por ano. A Votorantim já produz em Barra Mansa, também no Estado do Rio de Janeiro.

Na unidade, a capacidade gira em torno de 800 mil toneladas anuais de aço. Na ocasião, o diretor superintendente da Votorantim Siderurgia, Albano Chagas Vieira, afirmou que até o fim do ano a cadeia siderúrgica conseguirá mapear quais serão os investimentos necessários para a demanda que chegará, não somente com a chegada da Copa, mas também com as Olimpíadas em 2016.

Fonte: DCI - SP