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Crédito à construção precisa de novas fontes

Texto: Redação AECweb

Securitização de recebíveis imobiliários pode ser alternativa para  financiamento da produção

27 de maio de 2010 - Os recursos da caderneta de poupança vão atender a demanda de financiamento habitacional pelos próximos três ou quatro anos, na avaliação de alguns profissionais consultados. Não há consenso no mercado sobre o período. Mas, em comum, há a discussão sobre a securitização de recebíveis imobiliários como fonte alternativa de recursos para o financiamento da produção daqui a cinco anos.

O crescimento anual constante do número de financiamentos imobiliários é o indicativo de que precisaremos de um funding alternativo à poupança. Não se trata de produtos conflitantes, mas de um complemento de recursos, diz o superintendente executivo de crédito imobiliário do Bradesco, Claudio Borges.

O saldo final da caderneta de poupança tem aumentado. Eram R$ 235 bilhões em 2007 e evoluíram para R$ 319 bilhões no final do ano passado. O montante de R$ 319 bilhões integra R$ 65,5 bilhões destinados ao crédito agrícola. E também integra R$ 253,6 bilhões, do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), usados no financiamento habitacional.

A previsão dos recursos da caderneta de poupança tornar-se insuficiente para os financiamentos no futuro é vista com desconfiança pelos profissionais do mercado. "O número de empregos subiu, os salários aumentaram, as pessoas estão poupando mais e a captação líquida tem aumentado", diz Michel Wurman, CFO da PDG Realty, incorporadora com foco de atuação no mercado popular.

Na avaliação do vice-presidente executivo e financeiro da incorporadora e construtora MRV Engenharia, Leonardo Corrêa, os recursos da poupança podem ser suficientes para a demanda habitacional do país no longo prazo. "Havendo necessidade, o Conselho Monetário Nacional (CMN), com poder deliberativo máximo do Sistema Financeiro Nacional, tem condições de alterar regras para o bom funcionamento e maior aplicação dos recursos."

Algumas construtoras já trabalham com um funding alternativo, convertendo a carteira de recebíveis (volume mensal das prestações dos mutuários) em títulos. O processo recebe o nome de securitização. Os títulos, chamados de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), ainda são poucos negociados. O investimento mínimo em um CRI é de R$ 300 mil.

Em 2009, o volume financeiro em emissões de CRI alcançou R$ 3,21 bilhões, com 101 operações, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Nesse ano, foi alterada a legislação, possibilitando que fundos de investimento tenham CRIs na sua composição, diminuindo o investimento mínimo. O volume de ofertas de CRIs registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou sob análise da autarquia somam R$ 1,18 bilhão até meados de maio. (A.A.)

Fonte: Valor Econômico - SP

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