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Crédito da poupança para habitação é recorde no setor imobiliário

Texto: Redação AECweb

Financiamento de R$ 23,8 bilhões até junho subiu 77% em relação a 2009, revela a Abecip

13 de agosto de 2010 - As operações de crédito imobiliário com recursos da poupança atingiram R$ 23,8 bilhões no primeiro semestre deste ano, registrando o melhor resultado para esse período da série histórica, iniciada em 1967, de acordo com os dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O valor superou em 77% o montante contabilizado no mesmo período no ano passado. Em quantidade, foram 187,6 mil unidades financiadas, o que representa uma expansão de 51,5% no mesmo comparativo.

O presidente da entidade, Luiz Antônio França, prevê que, em 2014, o financiamento imobiliário deve atingido 11% do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil. A projeção está em linha com a estimativa de Jorge Hereda, vice-presidente de Governo da Caixa Econômica Federal (CEF), que projeta 10% no ano seguinte. Atualmente, a proporção é de apenas 3%.

Os sucessivos recordes estão levando o banco federal a começar a procurar fontes alternativas de financiamento, além dos recursos do FGTS e da poupança. Nos sete primeiros meses do ano, os empréstimos da Caixa chegaram a R$ 40,1 bilhões, mais que o dobro (104%) do resultado obtido no mesmo período do ano passado.

Por lei, os bancos são obrigados a destinar 65% dos depósitos em poupança para o crédito habitacional, mas há o temor de que o crescimento da caderneta não acompanhe o dos empréstimos.

Cerca de R$ 20 bilhões - de uma carteira de crédito imobiliário de R$ 82 bilhões - já estariam prontos para uma securitização, mas o valor da primeira emissão, que será feita até dezembro, ainda não foi definido pela Caixa.

A securitização consiste na transformação de uma dívida em um papel para investimento no mercado de capitais. O investidor é remunerado com uma taxa de retorno que varia de acordo com as características do financiamento, descontados os custos e o ganho do banco.

A instituição financeira, por sua vez, recicla o dinheiro sem ter de esperar até o último pagamento do tomador do empréstimo. O risco de inadimplência, normalmente, fica com o investidor.

O uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para compra ou reforma da casa própria bateu recorde e superou, pela primeira vez, os saques motivados pela aposentadoria de trabalhadores, de acordo com a Caixa Econômica Federal.

Foram sacados R$ 3,3 bilhões para aquisição, construção, amortização e redução de prestações no primeiro semestre, 26% acima do registrado no mesmo período de 2009. Esse valor representa 14% dos saques, acima dos 13% referentes a trabalhadores que se aposentaram e retiraram seu dinheiro do fundo.

As demissões sem justa causa respondem pela maioria das retiradas (64%). Também foram registrados, em junho, números recordes de empresas contribuindo e de trabalhadores com o benefício depositado em suas contas.

Brasileiros já financiam 62% do valor do imóvel com recursos da poupança

O percentual de financiamento dos imóveis vem crescendo nos últimos anos no País, atingindo no primeiro semestre uma média de 61,9% do valor total da moradia, de acordo com os dados divulgados pela Abecip, que engloba todos os empréstimos feitos pelos bancos nesse período.

Em 2009, havia ficado em 61,1%, patamar bem acima do contabilizado um ano antes (58,6%). Os números registrados em 2004 (46,8%) e em 2005 (47,8%) mostram que os clientes dos bancos davam mais da metade do valor de entrada para realizar o sonho da casa própria naquela época.

De acordo com Luiz Antônio França, presidente da Abecip, esse crescimento mostra "claramente uma antecipação de compras, devido, principalmente, às condições de crédito mais favoráveis ao tomador do empréstimo, com taxas de juros menores e o alongamento dos prazos de pagamento. Para o executivo, a tendência é de que o percentual continue subindo e a experiência mundial mostra que 80% é um patamar considerado sustentável.

O dado divulgado pela Abecip (61,9%) se refere à fatia financiada pelo tomador do empréstimo, mas os bancos oferecem a possibilidade de um percentual ainda maior.

A Caixa Econômica Federal, líder de mercado com 67% dos empréstimos com recursos da poupança concedidos no primeiro semestre, financia até 90% do valor do imóvel com essa fonte. No Itaú Unibanco, maior banco privado do País e segundo nesse segmento, pode chegar a 80%.

Outro motivo apontado por França para a diminuição do valor de entrada é a atuação maior dos bancos no mercado de imóveis usados. Segundo o executivo, as pessoas costumavam usar outras maneiras de se financiar, citando as compras à vista ou com parcelamento feito diretamente com o vendedor.

"O papel dos usados é fundamental, completa, citando os consumidores que saem de uma moradia para outra, seja por crescimento da familia ou mobilidade. "Se há liquidez no imóvel usado, é mais fácil mudar, porque faz com que o mercado gire com mais fluidez."

Analista descartam formação de bolha imobiliária

Estudo da MB Associados descarta a formação de uma "bolha" no setor imobiliário brasileiro, apesar do volume recorde de empréstimo para o financiamento da casa própria com recursos da poupança. O economista da MB José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, disse que há aumento de preços provocado pelo crescimento da demanda, mas nada que indique uma possível falta de capacidade de pagamento da dívida, como ocorreu nos Estados Unidos em 2008.

"Não temos dúvida alguma em afirmar que não há bolha imobiliária no Brasil. Existe um aumento de preço nos valores de imóveis porque há aumento da demanda, mas não uma bolha. Não temos os elementos que caracterizam uma bolha e que desestabilize a economia" disse ele.

O estudo, feito a pedido da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), diz que as condições macroeconômicas são sólidas no país, a classe média ainda está em forte processo de expansão de renda e emprego e, mesmo que o preço de imóvel suba na mesma proporção que nos Estados Unidos, a evolução poderá ser absorvida pela expansão da renda. Segundo Mendonça de Barros, diferentemente dos Estados Unidos, o Brasil tem regras bancárias rígidas que impedem a concessão de crédito para pessoas que não podem pagar. "A regulamentação bancária no Brasil é muito estrita e as garantias e os procedimentos para fazer os financiamentos são bastante controlados", afirma Mendonça de Barros.

Sérgio Vale, economista-chefe da MB associados, diz que os problemas do mercado imobiliário nos Estados Unidos começaram bem antes, ainda na década de 70, quando o crédito imobiliário cresceu sem muita regulação.

De acordo com ele, o aumento de preço no Brasil parece ser um processo gerado por oferta e demanda e não oferece risco para a economia. "Existem poucas evidências de que esse incremento recente indique uma pressão de preços acima do que poderia ser considerado normal e que permaneça de forma sustentada", afirma Vale.

Fonte: Jornal do Comércio - RS

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