Crédito imobiliário desacelera, mas ainda cresce forte

Texto: Redação AECweb

Instituições querem até dobrar o tamanho da carteira de financiamentos destinada à compra da casa própria

06 de janeiro de 2011 - A perspectiva de crescimento econômico faz com que as instituições financeiras apostem em uma forte expansão do crédito imobiliário em 2011. Em alguns bancos, o objetivo é dobrar o tamanho dessa carteira no decorrer do ano. O que não se sabe ainda é se o mercado conseguirá crescer mais de 50%, patamar de expansão do ano passado.

No Banco do Brasil, o objetivo é chegar a uma carteira de crédito de no mínimo R$ 6,5 bilhões em dezembro. Esse valor é o dobro do registrado em 2010. Segundo o vice-presidente de Negócios de Varejo, Paulo Rogério Caffarelli, o total de financiamentos imobiliários da instituição ficou em torno de R$ 3,2 bilhão no ano passado.

"Nosso desafio em relação a 2010 é grande. Estamos determinando maior ousadia na nossa atuação nesse mercado", diz.

No HSBC, a expectativa é que a carteira de crédito cresça em torno de 50% e as concessões, 60%. "Essa projeção já contempla a parceria fechada com a Brasil Brokers, que entra em funcionamento neste mês", afirma o diretor de crédito imobiliário, Antonio Barbosa.

Já para o mercado, a expectativa do HSBC é que o crescimento das concessões fique em torno de 40%, uma vez que a base de comparação é elevada. Até novembro de 2010, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o total de financiamentos com recursos da poupança era de R$ 50,036 bilhões, valor 47,1% acima dos 12 meses de 2009.

O crescimento expressivo, mas abaixo do registrado em 2010, também decorrerá do fato de uma estabilidade nos preços. Quando os valores dos imóveis crescem fortemente os financiados também tem uma expansão elevada. "A valorização dos imóveis tende a diminuir e, assim, os volumes financiados pode crescer menos", explica.

Já o diretor de crédito imobiliário do Bradesco, Claudio Borges, vê uma briga acirrada entre os bancos para conquistar mercado. No banco, a projeção é crescer ao menos 20%. Em setembro, as operações de crédito imobiliário no banco somavam R$ 9,374 bilhões. "Existe um entusiasmo grande com o segmento. O ano de 2011 será muito expressivo porque é um produto estratégia para o banco."

Outra consequência desse crescimento do mercado pode ser uma pequena redução nas taxas de juros. De acordo com Borges, o juro de tabela da instituição é 10,5% mais a variação da taxa referencial (TR). No entanto, grande parte dos contratos é finalizado com taxas entre 10,1% e 10,2% mais a TR.

Nesse mercado mais competitivo, o Santander espera aumentar a sua eficiência para conquistar os clientes. Segundo o superintendente de negócios imobiliários, Fernando Baumeier, o objetivo não é apenas reduzir os prazos para assinatura dos contratos, mas também dar uma assessoria melhor aos interessados.

"Ninguém mais trabalha a TR mais 12%. A competição se dará mais pelo atendimento e serviço de cada banco", acredita.

Fonte: Brasil Econômico - SP