Cresce disputa bancária no setor imobiliário

Texto: Redação AECweb

Instituições privadas ensaiam atuação mais agressiva para aproveitar oportunidades abertas no setor

25 de setembro de 2009 - A expansão do mercado imobiliário está levando a uma disputa mais acirrada entre bancos privados no segmento.

Enquanto a Caixa Econômica Federal ainda detém cerca de 70% do mercado, as instituições privadas estão ensaiando uma atuação mais agressiva para aproveitar oportunidades abertas no setor.

O mercado imobiliário tem perspectiva de crescimento generalizado, desde o segmento de padrão econômico e supereconômico, impulsionado pelo programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, até o padrão mais alto, que também tem demanda crescente, avalia o presidente do Secovi-SP (sindicato da habitação), João Crestana. Segundo ele, o deficit habitacional hoje no Brasil é de 8 milhões de residências.

É nesse contexto que as instituições privadas buscam uma participação maior. O HSBC, por exemplo, que hoje tem de 5% a 6% de sua carteira de crédito voltada para o setor imobiliário, está investindo nessa divisão para expandir a sua participação no setor.

De acordo com o superintendente-executivo de crédito imobiliário e consórcio do HSBC, Antonio Paulo Barbosa, o banco quer passar de 2% para 6% de participação de mercado no setor imobiliário brasileiro nos próximos cinco anos. "Vimos que essa é uma área estratégica para o nosso crescimento no Brasil", disse Barbosa ontem no primeiro dia do Salão Imobiliário São Paulo.

Ele reconhece a dificuldade de competir com a Caixa Econômica Federal, que já tem mais experiência no mercado e consegue oferecer juros mais baixos nessa área.

"Ainda não temos as menores taxas de juros, mas conseguiremos chegar perto dos preços dos bancos oficiais. De qualquer maneira, nosso grande diferencial será no atendimento. Vamos oferecer maior rapidez na liberação de recursos. É para isso que estamos investindo", afirmou Barbosa. O HSBC hoje trabalha com juros de 9% a 11% mais TR, dependendo do valor do imóvel.

O Bradesco também quer ampliar sua carteira de crédito imobiliário, hoje em R$ 10,4 bilhões -cerca de 5% do total-, disse ontem o presidente do banco, Luiz Carlos Trabuco. Ontem, o banco assinou um acordo com as empresas associadas ao Secovi que deve resultar na liberação de R$ 1 bilhão em financiamento imobiliário nos próximos cinco anos.

"Precisamos aproveitar as oportunidades nessa área. Para isso, desburocratizamos o acesso ao financiamento, com a redução de 15 procedimentos", afirmou o executivo. O Bradesco entrou no Salão Imobiliário São Paulo com oferta de juros que variam de 7,8% a 11,5%, dependendo do valor do imóvel, e financiamento em até 30 anos.

A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil também estão com política mais agressiva para conquistar clientes.
A Caixa, que opera o programa Minha Casa, Minha Vida, oferece juros que variam de 4,5% a 11,5%, dependendo do valor do imóvel. "Temos expertise nesse setor, e taxas mais competitivas", disse Nedio Rosselli Filho, gerente regional de construção civil da Caixa.

No mercado imobiliário desde 2007, o Banco do Brasil quer encerrar este ano com carteira de crédito de R$ 1 bilhão. "Estamos com planos especiais de financiamento, que incluem seis meses de carência e 90% do imóvel financiado", disse André Renato Fortino, superintendente negocial do Banco do Brasil.

O Salão Imobiliário São Paulo, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, segue até domingo. Para ter entrada gratuita no Salão, o visitante deve fazer seu credenciamento pelo site www.sisp.com.br. Sem credenciamento, é cobrado R$ 15.

Fonte: Folha de S. Paulo - SP