Cresce em 65% o número de mulheres na construção civil na última década

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Número de mulheres na construção civil já é de quase 240 mil no país

28 de agosto de 2012 - O segmento de construção civil passa atualmente por um forte aquecimento devido às obras para a Copa do Mundo e Olimpíadas. O governo federal também tem apostado no setor, investindo na construção de residências do Programa Minha Casa Minha Vida e obras do PAC, além dos cada vez mais crescentes empreendimentos imobiliários do setor privado.

Tamanho investimento tem tornado o período escasso de profissionais qualificados. Além disso, como em outras áreas, o mercado oferece melhores oportunidades para os que investem em qualificação. Segundo o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), existem atualmente mais de nove milhões de trabalhadores no segmento, dos quais 2/3 estão na irregularidade e não possuem boa qualificação.

Segundo o empresário Miguel Pierre, sócio da Concretta Escola da Construção, franqueadora especializada em cursos voltados para a construção civil, de olho na estabilidade financeira oferecida pelo segmento, as mulheres têm se destacado pelo interesse em atuar no mercado. “A mulher é mais cuidadosa, detalhista e especialista no combate ao desperdício. Ao aplicar essas características no canteiro de obras temos como resultado um serviço eficiente e com mais perfeição”.

Mulheres na Construção Civil: oportunidades com estabilidade e sonho do negócio próprio

Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego, o número de mulheres que atua na Construção Civil aumentou 65% na década. Nós últimos 18 meses o aumento foi de quase 10%, totalizando 239 mil trabalhadoras até julho de 2012. Essa tendência é refletida no interesse das mulheres por cursos de qualificação na área. Atrativos como salários a partir de R$ 2 mil e a segurança de um emprego com carteira assinada fizeram com que a diarista Edicéia Abadia da Silva, por exemplo, apostasse na área. Matriculada no curso de Pedreiro da unidade de Taguatinga da Concretta, no Distrito Federal, a mãe de dois filhos viu no exemplo dos irmãos e do pai a inspiração para seguir na profissão. “A ideia é fazer também os cursos de eletricista e pintor para ser uma profissional completa”.

Não é apenas para alcançar um bom emprego que as mulheres apostam na construção civil. Ambiciosas, muitas querem ir além e abrir seu próprio negócio para alcançar sua independência financeira. Este é o caso da corretora de imóveis Euracy Martins do Nascimento, aluna do curso de pedreiro da Concretta. “Eu sou muito curiosa e aprendi observando a fazer pequenos reparos na minha casa. Agora quero trocar o piso e pensei que eu mesma posso fazer isso”. Determinada, a corretora pretende ainda aproveitar sua experiência na área de vendas para montar sua própria empresa de reformas. “Quero montar um grupo só de mulheres. A ideia é oferecer um serviço diferenciado e feito sob medida”.

Centradas e com alta capacidade de organização, as mulheres com nível universitário também apostam no segmento. Estima-se que hoje elas já ocupem 35% das vagas no ensino superior e técnico. Este é o caso da estudante de engenharia civil Camila da Silva Antunes, aluna do curso de pintor de parede da Concretta. Ela que já faz estágio na área aproveita o curso para se especializar e obter um diferencial no mercado de trabalho. Este também é o desejo de Laura do Socorro Nunes, que sonha com a faculdade de arquitetura e vê no curso de pedreiro da Concretta a forma de obter recursos para os estudos. “Meu pai também é pedreiro e tem me apoiado muito na decisão”.

Cheias de determinação e planos, as mulheres que apostam na construção civil aos poucos rompem o paradigma de que não podem atuar em um canteiro de obras. Segundo Sidney Bezerra, também sócio da Concretta, com a entrada das novas tecnologias no setor, a força física deixou de ser o principal atributo do trabalhador da área. “Nossos cursos tem o diferencial de formar profissionais completos, independentemente do sexo, por isso, investimos em uma grade curricular que une a teoria com a prática, além de disciplinas como matemática financeira e português”.

Na unidade piloto da Concretta são oferecidos atualmente sete cursos que custam 12 parcelas de R$ 149. Os cursos têm duração de três horas semanais, podendo ser dividas duas vezes por semana ou apenas no sábado. “Desta forma também podemos atingir as pessoas que trabalham durante a semana e dispõem apenas do fim de semana para estudar”, explica Miguel. Segundo o empresário, como únicos requisitos o aluno deve ser maior de 18 anos e ter ensino fundamental completo.

Ao final do curso, os formandos que se destacarem são encaminhados para o mercado de trabalho por meio de uma agência de recrutamento que funciona dentro da unidade. Essa facilidade se dá em decorrência da parceria direta da Concretta com grandes construtoras. E para incentivar que mais mulheres invistam na carreira, Sidney Bezerra explica que a Concretta vai oferecer um serviço especial para suas alunas. “A ideia é encaminhar para as construtoras um grupo só de profissionais do sexo feminino. Assim, além de incentivarmos a igualdade entre os sexos, também daremos a oportunidade das alunas colocarem em prática todas juntas o que aprenderam”, finaliza.

Fonte: Concretta - Escola da Construção