Crise mais assustou do que causou problemas na construção civil

Texto: Redação AECweb

Segundo o Sinduscon, a perspectiva é de crescimento em 2010

05 de outubro de 2009 - Trabalhar, trabalhar e trabalhar, independente de qualquer circunstância. Essa foi a principal lição que a indústria da construção civil aprendeu no último ano com a crise econômica mundial.

Isso porque o setor foi um dos menos atingidos pela turbulência financeira, já que o principal mercado é o interno e os mais atingidos pela crise foram os exportadores.

Prova disso são, por exemplo, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) que registrou saldo positivo em 439 na construção civil em agosto, no balanço de 2009 ficou com menos 36 postos e no último ano fechou em queda, com menos 295 vagas.

A justificativa para um certo equilíbrio no setor, se relacionado a outros setores, como industrial (com menos 6.808 empregos), foram as aplicações do governo federal em programas como de redução de impostos e de aceleração de crescimento na área habitacional. Diante disso é possível arriscar, por exemplo, que a perspectiva é de crescimento em 2010.

O diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Ronaldo de Oliveira Leme, responsável por mais 48 cidades ao redor de Sorocaba, acredita que o setor pouco sentiu a crise. Segundo ele, muitos dos contratos firmados na área em 2008 foram cumpridos, como previsto, em 2009. O que segurou o mercado do segmento.

Outro motivo que, na opinião do diretor, segurou a construção civil foi a execução de obras públicas. "Asfalto, pavimentação, prédios, não pararam. Isso também segurou, talvez, uma possível queda nesse segmento", argumentou.

Leme acredita que a crise "mais assustou do que causou problemas", mas assume que a redução do Imposto sobre Produto Interno (IPI), como nos materiais de construção, ajudou a fomentar o mercado.

"O Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) habitacional, como o Minha Casa, Minha Vida, ajudaram no crescimento. Não como o governo esperava, mas ajudou. Acho que, a longo prazo sim, poderemos sentir mais. Enquanto outros setores estão se recuperando, nós da construção já planejamos crescimento", ressaltou.

Segundo ele, para o próximo ano a perspectiva imobiliária é de crescimento, principalmente, nas classes C e D. "A construção de casas populares, condomínios residenciais e comerciais estão fervendo", acrescentou.

O diretor assumiu também que a construção civil tem seus problemas, como a informalidade de emprego. Mas destacou que são problemas que independem da crise. "A questão da informalidade atinge cerca de 30% da massa que trabalha na área e é uma questão antiga. Mas o percentual está caindo", garantiu.

Ele citou como exemplo a profissionalização dos operários, uma tendência de exigência de mercado. "Hoje em dia não dá mais para contratar um pedreiro analfabeto. Como lerá placas de perigo, desvio? Por isso, temos aí um programa com o Sebrae que visa essa especialização. Só que isso, independe de crise. Na vida temos que buscar o conhecimento", filosofou.

Outra questão que o profissional apontou como fomentadora do mercado é o desenvolvimento sustentável. Segundo Leme, essa é uma tendência inevitável já que a questão é profunda e mexe com vários segmentos.

"Tanto é uma tendência que já é realidade em alguns pontos, como o uso se pneus em pavimentação e até de entulho em calçadas ou blocos de concreto. Isso também deve gerar mais emprego, mais trabalho e custo mais baixo. O futuro é promissor nós devemos trabalhar independente do que aconteça", ensinou.

Fonte: CruzeiroNet – SP