Custo da construção desacelera em setembro ao subir apenas 0,13%

Texto: Redação AECweb

Indicador diminui justamente quando a construção é tida como um dos principais impulsionadores da economia

20 de setembro de 2010 - A desaceleração do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) não condiz com a realidade econômica do país, acreditam os economistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O indicador passou de uma alta de 0,35% em agosto, para avanço de apenas 0,13% em setembro, justamente quando a construção civil é tida como um dos principais impulsionadores da economia, com crescimento do crédito e de programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida.

"A construção civil poderia ser um bom indicador de crescimento. Mas há uma incógnita mostrando que os preços estão praticamente estáveis, abaixo de agosto, com queda de vários itens de peso dentro da construção civil, mesmo com o crédito forte", disse o economista da FGV, André Braz.

O economista Salomão Quadros lembrou que a desaceleração pode ser mais uma acomodação da aceleração especulativa nos meses anteriores. "Para ter redução e não ter nenhum indicador de atividade mostrando que o setor tirou o pé do acelerador, acho que tenha havido crescimento muito grande no início do ano, com tentativas de repassar rapidamente demais os preços. Além disso, os estoque podem ter ficado altos demais, havendo agora uma desova de estoques, o que joga o preço para baixo", explicou.

A única pressão da construção civil, em 12 meses, acontece na mão de obra. Mas materiais, equipamentos e serviços comprometem 50% do índice e os de maior relevância estão em queda.

Material metálico, usado pra infraestrutura, caiu 0,64% em setembro, ante alta de 0,18% em agosto. Esse item pesa mais de 5% no INCC. Um item muito usado em obras, a areia lavada, registrou alta de 1,17%, ante 2,22% no mês anterior.

Materiais para acabamento, que são os itens mais caros em uma obra, tiveram alta de 0,23% em agosto, e queda de 0,1% em setembro. Entre eles, os materiais para pintura tiveram queda de 1,73%.

Os serviços da construção civil acumulam nos últimos 12 meses avanço menor do que o indicador. Esses serviços são ligados a aluguéis de máquinas e gastos com licenciamento, e passaram de alta de 0,6%, para 0,34% em setembro. No acumulado de 12 meses, tiveram alta de 6,79%, enquanto o INCC registrou 6,94%. "Em termos reais, não houve alta dos serviços", disse o economista, André Braz. Na construção civil, houve aumento real de salários dos profissionais da construção civil, de 8,69% em 12 meses, acima do índice, e do próprio IPC, de 3,93%.

Fonte: Valor Online - SP