De olho na Copa, redes de hotéis investem em expansão no Rio

Texto: Redação AECweb

Há 19 projetos de hotéis em construção na região

4 de Maio de 2009 - A rede hoteleira do principal destino turístico brasileiro, o Rio de Janeiro, não sente os efeitos da crise financeira internacional. Pelo contrário, os empreendimentos investem em expansão e qualificação dos profissionais já de olho na realização da Copa do Mundo no País em 2014. Apesar de não confirmado, a expectativa é que a final da competição seja no Maracanã.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH- RJ), Alfredo Lopes, há 19 projetos de hotéis em construção. Em nenhum momento, afirma, foi pensado em adiá-los em função das sucessivas crises que afetaram o setor, de olho no potencial da Copa do Mundo daqui a cinco anos. "Cerca de R$ 1 bilhão, oriundos de empresas privadas, estão sendo investidos nesses hotéis que vão ficar pronto a partir de 2011", afirma Lopes, acrescentando que mais R$ 10 milhões serão investidos pelo estado em promoções de divulgação do turismo fluminense em outros estados e países.

Mesmo com a turbulência econômica mundial, a cidade do Rio de Janeiro continua sendo a mais visitada do País e a atividade é responsável por 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, segundo a ABIH-RJ, ou seja, cerca de R$ 45 bilhões por ano. Para a realização da Copa, o estado solicitou US$ 187 milhões ao Banco Interamericano de Desenvolvimento Econômico (BID) para o desenvolvimento de 87 projetos.

Dos 5,1 milhões de turistas estrangeiros que visitaram o Brasil ao longo do ano passado, 34% vieram ao Rio. "Isso quer dizer que o estado ainda é a porta de entrada do País para o estrangeiro. Mas esse número ainda é pequeno se compararmos com a Argentina, que recebe 7,5 milhões de turistas por ano. Ainda há muito espaço para explorarmos o turismo do Rio", destaca Lopes.

Mudança de público
Executivos que atuam no mercado de viagens vêm notando uma mudança no perfil do turista no Rio. Por causa da turbulência econômica e a disparada do dólar, o número de viajantes internacionais caiu, mas a diferença foi compensada pelos brasileiros. Em média, o estrangeiro gasta US$ 150 por dia ante R$ 100 do turista interno, mesmo assim, o faturamento da rede hoteleira fluminense subiu cerca de 10% no primeiro bimestre, segundo a ABIH-RJ.

Em meio a crise, os hotéis do Rio de Janeiro alcançaram 95% de ocupação no Carnaval e 70% na Semana Santa. Segundo o presidente da ABIH-RJ, Alfredo Lopes, esse resultado foi excelente diante do cenário econômico. Lopes prevê que a média de ocupação deste ano vai bater a do ano passado, em torno de 70%. "O resultado é bom, mas o Rio ainda pode mais. Temos que investir na promoção do estado no exterior e também no Brasil", destaca.

A diretora dos hotéis Arpoador Inn e Ipanema Inn, Míriam Gorin, garante que o Rio ainda tem vantagens sobre outros estados na atração de turistas. "O Rio atrai por dois motivos: recursos naturais, que movimenta o turismo de lazer, e a presença de várias companhias, que atraem empresários de todo o mundo. Além disso, os cariocas descobriram os hotéis muito bem estruturados para a realização de festas e casamentos", diz Míriam.

Apesar de o fim do verão, a diretora não acredita que 2009 será um ano ruim para o segmento de hotéis de lazer na capital fluminense, por causa dos feriados prolongados. Para atrair turistas nesse período de baixa temporada, que vai de maio a agosto, Míriam investiu R$ 4,5 milhões em obras de expansão e melhorias nos edifícios, construídos no início dos anos 1970.

O Sofitel, hotel de alto padrão da rede Accor, é outro que investiu para atrair mais turistas de lazer, apesar de sua vocação ser o mercado corporativo. De acordo com o diretor de operações do estabelecimento, Nagi Naoesfal, mais de R$ 24 milhões foram gastos na reforma dos apartamentos e treinamento dos profissionais. "Um dia essa crise vai passar e além disso, ainda temos a Copa do Mundo e quem sabe as Olimpíadas em 2016", ressalta.

O hotel Caesar Park registrou 100% de ocupação em dezembro de 2008 e no Carnaval deste ano, o que não acontecia há quatro anos. "O resultado foi magnífico. O mais interessante foi a mudança do perfil do hóspede. O nosso foco é o mercado empresarial, mas o turista brasileiro em busca de lazer cresceu muito nesse período. No Carnaval, 50% eram brasileiros", diz Luís Carlos Fogaça, diretor de vendas da rede, que faturou 10% mais no período graças a promoções voltadas ao turismo de lazer.

Fonte: Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7 - Natalia Pacheco