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Debêntures vão ajudar incorporadoras a retomar crescimento

Texto: Redação AECweb

Captação por debênture passa a ser uma opção interessante por não resultar em diluição da participação dos acionistas

21 de agosto de 2009 - As recentes operações de debêntures, anunciadas por incorporadoras de capital aberto, vão ajudar a financiar a retomada do crescimento das empresas. Os recursos serão utilizados principalmente para a compra de terrenos e em capital de giro.

Na semana passada, foram aprovados os lançamentos de debêntures das companhias Gafisa, Brookfield Incorporações e PDG Realty Empreendimentos e Participações. MRV Engenharia, Cyrela Brazil Realty e a Tecnisa também sinalizaram que poderão utilizar esse formato de captação para levantar recursos.

Num momento em que a expectativa da maior parte das empresas é tornar o fluxo de caixa positivo no segundo semestre de 2010, a captação por debênture passa a ser uma opção interessante por não resultar em diluição da participação dos acionistas, como ocorre nas ofertas de ações. Mas analistas do setor alertam que a possibilidade de recorrer ao mercado de debêntures vai depender do grau de endividamento de cada empresa.

O Conselho de Administração da Gafisa aprovou o lançamento de R$ 250 milhões em debêntures, da sexta emissão da companhia. Os papéis são simples, não conversíveis em ações, e serão lançados em duas séries, com prazo de vencimento de dois anos e valor nominal unitário de R$ 10 milhões. A empresa informou que os recursos serão direcionados para reforçar seu capital de giro.

Em 13 de julho, a Gafisa cancelou sua oferta de ações. No início de agosto, o presidente da empresa, Wilson Amaral, informou que a companhia havia sido abordada por diversos bancos interessados em discutir alternativas de dívida corporativa para a companhia, como debêntures simples e conversíveis.

Também na semana passada, o Conselho de Administração da Brookfield aprovou o pedido de emissão de debênture simples não conversível em ações no valor de R$ 100 milhões em lote único e indivisível.

O mais provável é que o comprador da debênture seja um fundo composto por fundos de pensão, conforme informou o diretor executivo de Relações Institucionais e com Investidores da Brookfield, Luiz Rogelio Tolosa, ao comentar os resultados da empresa no segundo trimestre do ano. A emissão da debênture está prevista para 1º de setembro, com prazo de vencimento de quatro anos.

Outras captações possíveis
Durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre, o vice-presidente executivo e de Relações com Investidores da MRV, Leonardo Corrêa, disse que a companhia não descarta realizar captações este ano no mercado de dívida, por meio de debêntures, empréstimos bancários ou bonds.

Em julho, a companhia encerrou sua oferta de ações, com distribuição primária e secundária. A oferta primária respondeu por R$ 595 milhões e a secundária, por R$ 127 milhões. Os recursos líquidos da oferta primária serão destinados a novos empreendimentos. Na época, Corrêa informou que um terço dos recursos iria para a compra de terrenos e dois terços para capital de giro e construção.

Na semana passada, o Conselho de Administração da Cyrela aprovou captação de recursos no valor limite total de R$ 350 milhões, com prazo de vencimento de cinco anos, tendo como coordenador o Banco Bradesco BBI.

Segundo a companhia, sua dívida e sua necessidade de caixa ficarão equalizadas pelos próximos dois anos com a captação, que deve ser feita no terceiro trimestre.

Ao comentar os resultados do segundo trimestre, o diretor de Relações com Investidores da Cyrela, Luis Largman, disse que a companhia avalia também a emissão de debêntures com a linha que a Caixa Econômica Federal (CEF) tem de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para comprar papéis emitidos pelas incorporadoras.

O FGTS tem R$ 3 bilhões para comprar papéis emitidos por incorporadoras, como debêntures e cotas de fundos imobiliários. Até o momento, apenas a Tenda acessou recursos dessa linha, com uma emissão de debêntures no valor de R$ 600 milhões.

No primeiro semestre, a Gafisa, controladora da Tenda, submeteu à CEF projetos que lastreiam pedido de linha com recursos do FGTS. Segundo o presidente da Gafisa, a companhia não depende da liberação desses recursos para cumprir suas metas.

Recursos da linha do FGTS
Na semana passada, o Conselho de Administração da PDG autorizou a emissão de R$ 300 milhões em debêntures simples, não conversíveis em ações, com garantia real e vencimento em cinco anos.

Os recursos dessa emissão vão financiar terrenos, obras e despesas de incorporação de projetos para a classe média-baixa, principalmente os enquadrados no programa "Minha Casa, Minha Vida".

Conforme uma fonte do setor, que preferiu não ser identificada, a intenção da companhia seria acessar recursos da linha do FGTS direcionada à compra de papéis das incorporadoras na emissão dessas debêntures. No primeiro semestre, a PDG havia anunciado a emissão de debêntures conversíveis em ações.

A Tecnisa informou que pretende captar R$ 100 milhões no mercado de dívida até o fim de 2009. Segundo o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Tecnisa, Leonardo Paranaguá, a companhia está avaliando algumas operações estruturadas no mercado de dívida, como debêntures e Cédulas de Crédito Bancário (CCB).

Conforme o executivo, a companhia não tem necessidade de captar recursos para continuar do atual tamanho. Os recursos serão destinados ao novo ciclo de crescimento da empresa.

Além da captação de R$ 100 milhões, a construtora tem interesse também na linha com recursos do FGTS direcionados para a compra de papéis emitidos por incorporadoras. Para 2010, a Tecnisa prevê lançamentos de, no mínimo, R$ 2 bilhões.

Fonte: Agência Estado - SP

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