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Déficit de casas em São Paulo é de 628,6 mil

Texto: Redação AECweb

Números representam 10% do déficit habitacional no Brasil

14 de outubro de 2009 - A região metropolitana de São Paulo concentra quase 10% do déficit habitacional do Brasil, estimado em 6,3 milhões de moradias. Dados compilados em 2007 pela Fundação João Pinheiro, a pedido do Ministério das Cidades, apontam que a capital paulista e seus 38 municípios vizinhos têm um déficit de 628.624 moradias, o que representa metade dos imóveis que faltam no estado.

Entre os três principais estados do Sudeste, São Paulo tem déficit que representa 9,6% do total de domicílios, índice superior se comparado com o do Rio (479 mil ou 9,1% dos domicílios) e o de Minas (521 mil ou 8,8% dos domicílios).

A maior parte das famílias que entrou na conta do déficit de São Paulo está nas 1.500 favelas da capital. São famílias que tentam fugir do pagamento do aluguel em bairros afastados ao mudarem para habitações precárias à beira de mananciais, onde o fornecimento clandestino de luz e de água também ajuda na economia do mês.

O aluguel de uma casa de cinco cômodos na Brasilândia, por exemplo, na periferia da zona norte, não sai por menos de R$ 600 mensais. No Sudeste, 1,13 milhão de famílias, ou 51,1% do total, pagam aluguel. E a maior parte dessas famílias está na capital paulista, segundo o estudo do governo federal.

Demanda
O levantamento indica que o mercado imobiliário não consegue atender a essa demanda que foge do ônus excessivo do aluguel, um dos problemas que agrava a favelização da cidade, segundo especialistas.

Nem o Minha Casa, Minha Vida, projeto da União que criou subsídio de R$ 52 mil para habitações destinadas a famílias que ganham até 3 salários mínimos, conseguiu reverter essa situação. "Esse subsídio está dando certo em Maceió, em Fortaleza, em todas as outras capitais, até no Rio vai bem. Mas em São Paulo não. Aqui teria de ser de pelo menos R$ 72 mil. O preço dos terrenos na capital é sempre mais caro do que no restante do País", afirma João Crestana, presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação).

Para a pesquisadora Ermínia Maricato, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, o poder público e as empreiteiras devem encontrar um meio legal de forçar o uso dos 400 mil imóveis ociosos da capital. Em todo o País, são 7 milhões de imóveis sem uso.

"Outro meio de baratear os custos do mercado é o planejamento de imóveis menores, voltados para a baixa renda. Só que esse tipo de imóvel tem uma margem de lucro muito pequeno na venda. Para um mercado que começou a atender a classe média só no início desta década, não é de surpreender que a família que ganhe até três salários continue fora dos planos", avaliou a pesquisadora.

Fonte: Jornal do Commercio

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