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Em depoimento, operador do guindaste nega ter cometido erro

Texto: Redação PE

O operador José Walter Joaquim, 56, condutor do guindaste que tombou no dia 27, quando içava parte da cobertura do Itaquerão e deixou dois funcionários mortos, depôs ontem à Polícia e negou ter errado ao manusear o equipamento. A hipótese de falha humana como causa do acidente é uma das três consideradas na investigação do caso. As outras duas são problema mecânico e afundamento do solo. Joaquim chegou à delegacia com advogados da Locar, empresa na qual trabalha e que presta serviço à Odebrecht no Itaquerão.

Ele depôs por cerca de uma hora e meia e deixou o local sem dar declarações à imprensa. O operador não havia se apresentado antes sob alegação de que estava abalado emocionalmente. De acordo com o delegado e presidente do inquérito, Luiz Antonio da Cruz, Joaquim baseou seu depoimento na experiência que possui em içamento com guindaste. Ele apresentou certificados de treinamento e atestados de capacitação emitidos pela Liebherr, fabricante do equipamento.

Também ressaltou que tem 34 anos de experiência na área e que, nos últimos dois, operou o mesmo modelo de guindaste utilizado na construção do estádio corintiano. Ele foi responsável pela colocação de outras 37 peças que compõem o teto do Itaquerão. A que caiu sobre o prédio leste da obra era a 38ª.

Como viu o acidente

No depoimento, Joaquim relatou que, no dia do acidente, percebeu que a peça movida com o guindaste balançou intensamente e sentiu uma forte trepidação. Logo em seguida, entrou em contato com dois supervisores via rádio informando a situação e foi orientado a deixar o veículo. “Ele disse que não falhou em nada e tentou quatro ou cinco vezes [contornar o problema], mas o operador do rádio gritou para ele pular do guindaste”, disse o delegado.

Os dois supervisores, funcionários da Locar, serão intimados a depor, provavelmente na próxima semana. Ambos poderiam impedir os trabalhos, caso notassem riscos à segurança no dia.

As obras no estádio recomeçaram anteontem, mas o prédio leste continua interditado. Também estão impedidos trabalhos com guindastes, por ordem do Ministério do Trabalho. O palco da abertura da Copa do Mundo de 2014 será entregue com atraso: prevista para este mês, a inauguração ocorrerá apenas no final de janeiro ou início de fevereiro, segundo o presidente do Corinthians, Mário Gobbi.

Fonte: jornal O Estado
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