Empresa listada de construção civil perde espaço para médias

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

As empresas vão voltar a crescer mais num ritmo menor

21 de setembro de 2012 - No curto prazo, as empresas do setor da construção civil listadas na Bolsa de Valores de São Paulo podem perder espaço para as empresas médias e fechadas do segmento. A afirmação foi feita pelo vice-presidente-financeiro da Cyrela Brazil Realy, José Florêncio, em evento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, realizado ontem, em São Paulo. "Está tendo uma desacelaração do número de lançamentos das grandes empresas listadas em Bolsa, o volume havia crescido a um ritmo de 54% ao ano desde 2005. As empresas vão voltar a crescer mais num ritmo menor", diz Florêncio.

Sobre o desempenho da Cyrela, cujo ritmo de crescimento de lançamento era de 45% ao ano, ele admitiu que a companhia sentiu "as dores" do crescimento expressivo. "Os salários subiram nos canteiros de obras, e com a entrada de gente menos experiente houve queda da nossa produtividade. Essa diminuição nos lançamentos é um ajuste", argumentou o presidente.

Ele acredita que as grandes devem crescer entre 17% e 28% em São Paulo, mas que o espaço deixado será tomado pelas médias empresas fechadas, para acompanhar o crescimento do setor de cerca de 30% em 2012.

No mercado financeiro, os investidores reagiram bem após observarem balanços mais realistas das companhias do setor imobiliário no segundo trimestre fiscal, e os papéis apresentam alguma recuperação mesmo depois dos fracos resultados divulgados em 2012.

No mercado de crédito imobiliário, que atingiu R$ 80 bilhões no ano, a disponibilidade de recursos está assegurada. "A captação líquida da poupança continua em alta, e os outros instrumentos estão disponíveis, as incorporadoras e os bancos estão com recursos", assegurou o presidente da Abecip, Octavio Lazari Jr.

Ele citou a importância da sinergia entre o mercado financeiro e de capitais para a expansão dos certificados de recebíveis imobiliários (CRI), fundos imobiliários (FI), letras de crédito imobiliário (LCI), letras hipotécárias (LH), fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs). "Outro instrumento de captação poderá ser as Letras Financeiras Imobiliárias [LFI]".

O chefe adjunto do Departamento de Normas do Banco Central, Júlio Cesar Carneiro, disse que o BC estuda a criação de covered bonds no Brasil, sem estimar prazos ao setor.

Fonte: DCI