Engenharia enfrenta déficit de profissionais capacitados

Texto: Redação AECweb

Siderurgia e mineração temem os efeitos da carência de novos especialistas, como na construção civil e pesada


08 de setembro de 2010 - Um apagão de mão de obra nos setores da construção civil e pesada ameaça vários segmentos da engenharia no Brasil, como a mineração e a siderurgia. No cenário de expansão da economia e de novos empreendimentos em todos os segmentos de infraestrutura, os grandes grupos já encontram, hoje, dificuldades, para contratação imediata, de engenheiros metalúrgicos, de minas, de materiais e ambiental.

Dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) revelam que, até 2008, de cada sete formandos em engenharia, apenas dois atuavam na área. Apenas dois anos depois, o setor constata o déficit. Emergencialmente, as empresas redirecionam profissionais aposentados ou afastados da atividade para a área, uma vez que não se pode formar engenheiros da noite para o dia.

O levantamento do IPEA revela alguma gravidade da situação. Se a economia apresentar um crescimento médio de 3,5% ao ano, o estoque de profissionais não será suficiente para atender a demanda já em 2015. A projeção é de que o país este ano registre um crescimento de 7%, o dobro do percentual trabalhado na pesquisa.

No caso da engenharia civil, o quadro atual de déficit de vagas, tende a piorar. Além do "Minha Casa, Minha Vida" e do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), ainda serão iniciadas as obras nos estádios e de infraestrutura visando a Copa do Mundo de 2014 no Brasil e Olimpíadas, em 2016.

Para enfrentar este desafio, o país precisa sanar gargalos, como o abandono dos cursos. De acordo com a Gerente de Operações da Dasein Executive Search, Roberta Rodrigues, metade dos estudantes abandona. "É um curso puxado. Quem não possui uma boa formação básica enfrenta dificuldades", avalia. Segundo ela, o Brasil forma 32 mil engenheiros por ano, enquanto a China forma 600 mil. O Brasil demanda 60 mil profissionais de engenharia. Ou seja, há um déficit de 28 mil profissionais.

Especialista em contratação de engenheiros, a Dasein, recentemente, executou o serviço para as construtoras Egesa, Queiroz Galvão e Camargo Correa. A estratégia de captação de mão de obra, diante da atual conjuntura, apresenta três alternativas: Buscar engenheiros que montaram negócios em outros setores, trazer de volta para o país engenheiros que foram trabalhar no exterior e contratar estrangeiros.

No caso do retorno de engenheiros brasileiros que atuavam fora, a gerente de operações da Dasein assinala que, em países, onde ocorreram muitas guerras, a saída de profissionais para reconstruir estes países era comum. Como os familiares, na maioria das vezes, ficaram no Brasil, existe pré-disposição para a volta. Conforme ela, este processo é muito comum em Angola.

Siderurgia e mineração sinalizam demanda

A Mendes Júnior foi um caso típico de empresa exportadora de engenheiros. Entre outras situações, quando teve intensa atuação no Iraque - entre as décadas de 1970 a 1990 - e chegou a mobilizar 10 mil trabalhadores brasileiros. No período em que atuou no Oriente Médio, a Mendes Júnior foi responsável, entre outros projetos, pela construção da ferrovia Baghdah-Akashat, em um contrato de US$1,3 bilhão. O empreendimento foi concluído em 1985.

Com a retomada de investimentos em mineração e siderurgia, este setor também deverá enfrentar um cenário de demanda por mão de obra superior a oferta. "Neste caso existem profissões, como os engenheiro metalúrgico, que eram muito pouco valorizadas e, por isso, tem baixa procura", observou Roberta Rodrigues.

Praticamente todas empresas do setor minero-siderúrgico estão com projetos de expansão em andamento. A Usinas Siderúrgica de Minas Gerais (Usiminas) vai investir US$ 4,1 bilhões, até 2015, para aumentar a exploraçao minerária. Para isso, será necessária também a contratação de aproximadamente mil funcionários.

O estudo do Ipea considera que a valorização destes profissionais vai aumentar a procura por cursos na área, o que pode ajudar a solucionar o problema.

Nesta mesma linha, Roberta Rodrigues acredita que em um cenário de médio e longo prazos, as universidades receberão mais investimentos e a inflação no salário dos engenheiros vai trazer mais interessados para a área. "Para as empresas haverá aumento de custo com mão de obra.

Do lado trabalhador, é necessário uma formação básica de maior qualidade para que seja formado um profissional dentro do que exige o mercado", conclui Roberta Rodrigues.

Fonte: Hoje em Dia - MG