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Escassez de imóveis que custam menos de R$ 100 mil faz vendas recuarem 6%

Texto: Redação AECweb

Balanço do mercado imobiliário de BH aponta que aumento do preço dos terrenos inviabilizou projetos; muitos investimentos migraram para as cidades vizinhas.

15 de dezembro de 2010 - Depois de quatro anos de sucessivas elevações, a venda de imóveis em Belo Horizonte interrompeu a curva de ascensão. Entre janeiro e outubro, o número de unidades comercializadas caiu 6% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 5.094 imóveis vendidos neste ano contra 5.420, em 2009. O balanço do mercado imobiliário de Belo Horizonte foi divulgado quarta-feira pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG). E a retração foi justificada pela inexistência de imóveis na capital com valores inferiores a R$ 100 mil.

"Os imóveis de baixa renda praticamente não foram ofertados em 2010. O aumento do preço dos terrenos inviabilizou projetos nessa faixa de preço e muitos investimentos migraram para as cidades vizinhas, o que não é medido pela pesquisa", afirma o vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon-MG, José Francisco Cançado. Com a escassez de imóveis populares, houve migração do consumo para faixas de valores mais altos, o que justifica o crescimento de quase 70% nas vendas de unidades entre R$ 250 mil e R$ 500 mil nos 10 primeiros meses do ano. O resultado foi a elevação do Valor Global de Vendas (VGV), que passou de R$ 1,38 bilhão em 2009 para R$ 1,8 bilhão este ano.

Outro reflexo desse cenário foi a dificuldade da capital em cumprir a meta do programa Minha casa, minha vida, para a faixa de renda até três salários mínimos. "Somente uma empresa conseguiu fechar contrato para 1.470 moradias em BH, quando a demanda é de 10 mil unidades. Por isso, o estado não cumpriu 100% da sua meta no programa. Ficou em 90%", observa Geraldo Jardim Linhares, vice-presidente da Área de Materiais, Tecnologia e Meio Ambiente do Sinduscon-MG.

Apesar do desaquecimento, o setor da construção civil vive os últimos dias de um ano histórico. Somente nos primeiros nove meses, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor cresceu 13,6% no país, o melhor resultado dos últimos 24 anos. O mercado mineiro acompanhou o ritmo nacional e fechou o primeiro semestre com alta de 13,7% no PIB da construção, impulsionada pelos altos investimentos em obras públicas. A aposta é de que curva ascendente da riqueza gerada pelo setor se mantenha em 2011, mas não no mesmo ritmo, o que já pode ser verificado no resultado do PIB brasileiro no 3º trimestre, quando a construção civil recuou 2,3%.

O Sinduscon-MG estima para 2011 uma expansão de 6% do PIB setorial no país, patamar que deve ser seguido por Minas Gerais. "Este ano o crescimento foi exuberante, mas em cima de uma base deprimida de comparação, que foi a de 2009. Já em 2011, será um crescimento menor e sustentável sobre uma base mais elevada", pondera a assessora econômica do sindicato, Ieda Vasconcelos.

Desafios

Os gargalos vividos pela construção civil este ano ainda serão sentidos em 2011. O maior deles, segundo avaliação do presidente do Sinduscon-MG, Luiz Fernando Pires, é a burocracia, que inclusive impede que as chaves dos imóveis sejam entregues no prazo. "As estruturas não cresceram na mesma velocidade que a demanda do setor. A burocracia nos cartórios e prefeituras para aprovação dos projetos, além da falta de mão de obra qualificada, são alguns dos desafios a serem superados", avalia.

Não foram raros os projetos que levaram de oito a 12 meses para serem aprovados na capital, quando o ideal seria até quatro meses. Os especialistas garantem que a prefeitura ainda não está preparada para atender com agilidade as demandas dentro da nova Lei de Uso e Ocupação do Solo, em vigor desde 20 de julho. "É preciso agilidade para que o mesmo problema não permaneça em 2011", alerta Luiz Fernando.

A busca de novas fontes de recursos para o crédito imobiliário também está entre as preocupações dos empresários do setor. "Não é que a poupança vá se esgotar, mas os recursos serão insuficientes para atender a demanda habitacional. Uma das alternativas que surgem é a emissão de Certificado de Recebíveis Imobiliários, ou seja, a securitização", avalia Ieda.

Fonte: Uai – MG

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