Escritórios de arquitetura lucram com espaço reduzido de projetos

Texto: Redação AECweb

Número de contratos em 2011 cresceu 30%, em relação ao ano anterior

31 de janeiro de 2012 - Pequenos e médios escritórios de arquitetura apostam no aumento do poder aquisitivo da população e no melhor aproveitamento dos espaços nas residências, cada vez menores, para garantir o crescimento dos negócios neste ano. Projetos de interesse público também animam o setor - onze empresas assinam conjuntos habitacionais na zona sul de São Paulo (SP). Em algumas companhias de design e arquitetura, o número de contratos em 2011 cresceu 30%, em relação ao ano anterior.

Para a arquiteta Anamaria Rezende Galeotti, coordenadora do curso de design de interiores da Universidade Anhembi Morumbi, o setor deve continuar aquecido em 2012 graças a uma maior quantidade de reformas em edificações, voltadas para os grandes eventos esportivos que acontecem no Brasil a partir de 2014. "Há ainda incentivos dados pelo governo, para a população de baixa renda, e o fim da cobrança do IPI na cesta básica do material de construção."

Entre os pequenos escritórios, Anamaria aponta chances de negócios em projetos residenciais urbanos, casas de praia e de campo. Segundo a especialista, um projeto de arquitetura completo, que inclui desde a avaliação do perfil do cliente, desenvolvimento de estudos de cor e mobiliário, até orçamentos, compras, acompanhamento da execução e entrega do material, pode custar de R$ 150 a R$ 300 por m2.

Instalado no centro de São Bernardo do Campo (SP), o escritório da arquiteta Teresa Simões, com 12 funcionários, registrou aumento de 35% a 40% nas demandas, nos últimos dois anos. "Tivemos um boom imobiliário, somado ao aumento do poder econômico dos clientes." Para ela, o perfil dos consumidores também mudou. "Há dez anos, a maioria dos clientes procurava os arquitetos por conta de ambientes de maior porte. Hoje, quem tem um apartamento de 70 m2 também deseja fazer um projeto." Os trabalhos mais econômicos executados pelo escritório de Teresa foram para apartamentos de 100 m2 a 150 m2.

No ano passado, a arquiteta resolveu investir no próprio escritório, que passou de um espaço de 68 m2 para um andar inteiro, de 160 m2. Também comprou equipamentos e contratou profissionais. "Em 2012, vamos continuar investindo em pessoal."

No escritório do decorador Fernando Piva, há mais de vinte anos no mercado, são feitos até 25 projetos ao mês. "Os clientes estão mais atentos e informados", avalia. "Sabem o que querem e têm, muitas vezes, uma ideia já pronta para o projeto. Os desenhos ficaram mais enxutos." Em 2012, com o aumento dos negócios, o empresário pretende expandir a área de trabalho do escritório, com novas salas de reuniões para atender os clientes. "Estamos trabalhando mais com construtoras e novos empreendimentos imobiliários", conta.

No Mattos Design & Interiores, da designer Luana Mattos, o mercado para projetos residenciais aumentou 40%, a partir de 2010. "Antes, os clientes eram mais comerciais", diz Luana, que tem três funcionários e também desenha mobiliário e estandes para feiras. Em 2011, o número total de projetos cresceu 30%, em relação ao ano anterior. "O setor está mais pulverizado nas classes A, B e C. Antes, atendíamos basicamente as faixas A e B", afirma.

Além do aumento do poder de compra da população, Luana acredita que os projetos são puxados pela necessidade de um melhor aproveitamento dos espaços, por conta de ambientes cada vez menores. O projeto de um quarto de casal, de até dez m2, custa a partir de R$ 2,5 mil.

Para conseguir mais contratos, a designer faz divulgação nas redes sociais. "Os maiores desafios dos escritórios de decoração são arcar com os custos fixos e buscar sempre novos clientes", diz Luana. Neste ano, a empresária planeja investir R$ 60 mil, principalmente em participações de eventos do setor e mostras de decoração.

Em março, acontecem em São Paulo (SP), o Fórum Internacional de Arquitetura e Construção e a Expo Revestir, com soluções de acabamentos. São esperados 230 expositores, um público de 40 mil visitantes de 60 países e um volume de negócios acima de US$ 170 milhões, segundo os organizadores.

Fonte: Valor Econômico