Expansão de crédito elevam demanda por materiais de construção

Texto: Redação AECweb

Alta dos investimentos e o aumento do consumo das famílias contribuíram para o aumento de 15,7%

11 de abril de 2011 - A expansão do crédito habitacional e o crescimento econômico foram determinantes para os resultados excepcionais da construção civil em 2010. De acordo com a Análise Setorial Abramat (Associação Brasileira de Materiais de Construção), realizada pela FGV (Fundação Getulio Vargas), a alta dos investimentos e o aumento do consumo das famílias contribuíram para o aumento de 15,7% na demanda por materiais de construção no ano passado. Com isso, o faturamento da indústria de materiais cresceu 12,1%, acima da inflação, e o comércio varejista assistiu a uma elevação de 16,3% nas vendas reais.

Com o aumento da demanda por obras, a produção de materiais de construção aumentou 11,9% no ano passado, resultado que levou à superação do desempenho recorde registrado no ano de 2008. O consumo de cimento, por exemplo, atingiu a marca de 59,6 milhões de toneladas, aumento de 14,9% na comparação com 2009, o estabelece também novo recorde histórico de consumo no Brasil.

No varejo, as vendas de materiais de construção apresentaram desempenho superior ao da indústria: aumento de 16,3% na comparação com 2009 e de 12,3% em relação a 2008.

Crédito habitacional

As contratações do Sistema Financeiro da Habitação, somadas ao Programa Minha Casa Minha Vida, contribuíram para os bons resultados do ano passado, registrados pelo estudo. As duas principais fontes de crédito - caderneta de poupança e FGTS - direcionaram R$ 83,4 bi ao mercado, com o financiamento de 1,152 milhão de unidades. Dentro dessa análise, o Programa Minha Casa, Minha Vida, ganha destaque, por em dois anos ter garantido a construção de 1,005 milhão de unidades habitacionais, sendo 57% direcionadas a famílias de até três salários mínimos.

Perspectivas para 2011

Para este ano, as estimativas iniciais apontam para superação de resultados no mercado de crédito. A maior expansão deve ocorrer a partir dos recursos das cadernetas: a Abecip (Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) estima que cerca de R$ 84 bi serão direcionados para o financiamento habitacional. Isso significa que, considerando as duas principais fontes de financiamento habitacional, o mercado vai dispor de R$ 108 bilhões, ou seja, um aumento de 29% sobre 2010.

A análise setorial minimiza a diminuição de R$ 5 bilhões nos recursos previstos para a fase 2 do Programa Minha Casa, Minha Vida. "Na prática, não foi realizado um corte definitivo, mas apenas uma adequação de aprovação de recursos. A programação de construir 2 milhões de unidades em quatro anos continua mantida pelo governo", diz o texto.

Apesar do otimismo, segundo a análise, as projeções de crescimento foram revistas para baixo. "A influência da crise japonesa acrescida da elevação do preço do petróleo alteraram sensivelmente as perspectivas. Ao final de 2010, o crescimento esperado para 2011 era de 5% em termos reais. Os novos fatos levam a uma revisão dessa projeção para 3,3% em 2011", projeta o estudo da FGV.

Apesar disso, a cadeia da construção espera crescer entre 7,5% e 8% em 2011.

Fonte: Globo Online - RJ