Falta de trabalhadores da construção civil pode comprometer obras da Copa

Texto: Redação AECweb

Presidente da Abramat afirmou que a cada ano serão necessários mais 600 mil trabalhadores para suprir as necessidades de mão de obra do setor

14 de janeiro de 2010 - Projetos de obras da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 poderão ficar comprometidos por falta de mão de obra no setor da construção civil. A afirmação foi feita ontem pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Melvin Fox. Segundo ele, a cada ano serão necessários mais 600 mil trabalhadores para suprir as necessidades de mão de obra do setor.

"Estamos trabalhando nisso há dois anos, porque nossa preocupação é qualificar, profissionalizar esse trabalhador. Infelizmente, a construção civil sempre foi vista pelo trabalhador como forma de resolver um problema imediato, de poder ter um serviço sem ter uma qualificação", disse Fox, em entrevista à Agência Brasil.

Fox informou que existem atualmente cerca de 9 milhões de trabalhadores no mercado da construção civil. Ele ressaltou, no entanto, que, desse total, dois terços estão na informalidade e não têm boa qualificação. "Isso é muito prejudicial, porque temos uma mão de obra pouco qualificada, a um custo mais baixo, mas, quando se olham os resultados finais, a produtividade é baixa."

De acordo com Fox, a perspectiva para os próximos dois anos no setor é de crescimento entre 7% e 8% ao ano. Grande parte desse crescimento será motivada principalmente pelas obras da Copa do Mundo de 2014, do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida e das Olimpíadas de 2016.

O presidente da Confederação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e da Madeira, Valdemar Pires de Oliveira, admitiu a carência de mão de obra qualificada e atribuiu o fato à falta de incentivo para que a construção civil se torne atrativa para os trabalhadores.

"Eu diria que, hoje, muitos dos que eram qualificados já se aposentaram. Hoje, se eu disser que não vai faltar mão de obra, serei irresponsável. O que temos ainda está dando conta, mas é preciso investir na formação e na qualificação", afirmou Oliveira.

Para ele, se o mercado da construção civil continuar aquecido, como está hoje, é possível que em breve faltem trabalhadores para o setor. "Com as Olimpíadas, com a contrição do trem-bala, com o povo exigindo cada vez mais acabar com o déficit habitacional e, naturalmente, com o governo incentivando e financiando [o setor], sem dúvida alguma vai faltar mão de obra em breve."

Oliveira cobrou do setor empresarial uma nova postura para que os trabalhadores se sintam atraídos pela construção civil, setor em que, segundo ele, os salários estão muito baixos e as condições de trabalho, ruins. "É preciso discutir uma nova cultura para o setor."

De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, entre janeiro e novembro do ano passado, a construção civil gerou 228.151 com carteira assinada. Em 2008 foram gerados no setor 197.868 empregos formais.

Fonte: Agência Brasil - DF