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Falta padrão de qualidade ao pacote habitacional

Texto: Redação AECweb


Para Roberto de Souza, diretor do CTE, programa precisa criar princípios de qualidade e sustentabilidade na construção civil

14 de maio de 2009 - O programa habitacional do governo "Minha Casa, Minha Vida", além de entregar um milhão de moradias, pode ainda ser indutor de qualidade na construção civil, promover a inclusão social, capacitar mão-de-obra e conscientizar o setor sobre a importância da sustentabilidade.

Por essas razões, Roberto de Souza, diretor do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), afirma que esses pontos devem ser considerados pelo projeto. "Não estou inventando a roda. Todos os programas que eu cito já existem. O que precisa fazer é incluí-los no programa do governo", explica.

No caso da qualificação profissional, por exemplo, o diretor do CTE cita o Sistema Nacional de Certificação e Capacitação Profissional para a construção civil proposto pela Associação Brasileira de Fabricantes de Materiais (Abramat).

Outro tópico é a importância de estimular o desenvolvimento tecnológico da construção. Isso já está previsto pelo programa de crédito lançado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vai liberar R$ 1 bilhão para dar suporte a empresas que se envolverem na busca por novas tecnologias construtivas. "O Minha Casa, Minha Vida podia estimular ainda mais essa questão", afirma o diretor do CTE.

Por fim, Souza cita a importância de incentivar a sustentabilidade nas dimensões econômica, ambiental e social. "Para isso, as empresas que desenvolverem a sustentabilidade poderiam ter redução de juros, como uma indução a prêmios", recomenda.

Construtoras
A Rossi vai replicar os seus princípios de qualidade e sustentabilidade nas construções que se aplicam ao programa do governo. Segundo Rodrigo Martins, diretor do segmento econômico da empresa, "o nosso cardápio é padronizado, não existe artesanato". Do landbank que comporta até 80 mil unidades residenciais, 4% ou 5% devem ser voltados para a menor faixa do projeto. "Mas isso depende das prefeituras, mercado e da velocidade das aprovações", afirma.

"A economia de material não se transforma em lucro, a gente vai lucrar com a escala", afirma Paulo Cury, diretor técnico da Cury. Ele afirma que a empresa utiliza materiais certificados nas construções e, durante as obras, fazem reuso de água. “A manutenção dos empreendimentos é indiferente se é de 0 a 3 ou de 3 a 10. Nós é que fazemos", afirma.

Cury diz ainda que tem medo de haver uma pressão inflacionária sobre os materiais e de faltar mão-de-obra. "Além disso, ainda não foi definida como vai ser a administração dos empreendimentos para famílias de até três salários. Acho que deveria ser feita por um órgão da Caixa e por uma administradora independente, como no caso do PAR (Programa de Arrendamento Residencial)."

Antonio Guedes, diretor de Novos Negócios da Cyrela Brazil Realty lembra que "as unidades construídas pela iniciativa privada têm prazo de garantia conforme lei e é de responsabilidade da própria construtora". Ele cita a Living, que não teve e nem terá alteração na descrição dos materiais a serem utilizados nas obras.

No caso da Atua, braço econômico da Yuny, os fornecedores são os mesmos. "Vamos apenas mudar os materiais de acabamento. Não acredito que o pessoal vai entrar no programa para piorar a qualidade das construções."

Fonte: Gazeta Mercantil

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