FGTS usa fundo de recebíveis para dar crédito imobiliário

Texto: Redação AECweb

Operação será realizada usando a estrutura de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC)

13 de novembro de 2009 - Construtoras de pequeno e médio porte terão acesso a R$ 450 milhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para financiar a construção de empreendimentos imobiliários residenciais enquadrados nas regras do Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

A operação será realizada usando a estrutura de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), com administração da Caixa Econômica Federal e consultoria de investimentos da RB Capital Realty.

Batizado de Caixa RB Capital Habitação FIDC Imobiliário, o fundo vai aplicar os recursos do FGTS (cotista) na aquisição de recebíveis originados dos contratos de financiamento com as construtoras na forma de certificados recebíveis imobiliários (CRI), cédulas de crédito CCI ou debêntures. O prazo é de cinco anos.

Essa não é a primeira investida do FGTS no setor. Desde que anunciou no fim de 2008 a criação de uma linha de R$ 6 bilhões para financiar habitação - há um demanda de R$ 9,5 bilhões -, o conselho curador do fundo já destinou R$ 1,7 bilhão para a compra de debêntures das construtoras Odebrecht, Tenda, PDG Realty e Moura Dubeux - hoje, mais uma parceria será fechada.

"A criação do fundo é um marco importante, porque atende a uma demanda de construtoras de menor porte", disse Moreira Franco, vice-presidente da área de fundos de governo e loteria da Caixa e conselheiro do FGTS, em entrevista ao Valor. Além disso, vai funcionar como um suporte para o programa Minha Casa Minha Vida.

Hoje, destaca o sócio da RB Capital, Luis Claudio Garcia de Souza, as construtoras menores só têm acesso a crédito bancário, e quando tem. A operação é inovadora, segundo o executivo, uma vez que usa um veículo do mercado de capitais para financiar os projetos dessas empresas e a um custo bastante competitivo, indexado a TR. "O custo final para as incorporadoras ficará no piso hoje cobrado pelos bancos, que gira em torno de 11%, além da TR", afirma Souza.

Sem taxa de performance, acrescenta o executivo, não há incentivo para se cobrar mais - só há uma taxa de administração de 2% ao ano. "A missão do fundo é conceder crédito, não fazer spread." Outra vantagem do fundo é o tempo de aprovação do financiamento.

Segundo o gerente operacional da área de fundos específicos da Caixa, Vítor Hugo Pinto, o prazo será menor do que os três a seis meses que um banco leva para fazer sua análise de viabilidade econômica.

A concessão do crédito, contudo, vai passar pelo crivo de um comitê de investimentos, formado por membros da Caixa e da RB Capital, e respeitar certas regras, como limites de concentração.

Poderão acessar a linha construtoras das várias regiões do país e não só para financiar obras como para a aquisição de terrenos. Em análise já há projetos no valor de R$ 350 milhões. A expectativa é de que cerca de 3 mil unidades sejam financiadas por meio do fundo.

Fonte: Valor Econômico - SP