Financiamento de imóveis acima de 500 mil é reduzido

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Caixa reduz juros para estimular a construção civil

16 de janeiro de 2013 - Em mais uma tentativa de empurrar a economia, o governo decidiu dar mais um estímulo à construção civil. A Caixa Econômica Federal reduziu os juros para financiamentos de imóveis acima de R$ 500 mil. Segundo fontes da equipe econômica, a medida visa a estimular investimentos e gerar empregos.

Desde terça-feira, os empréstimos feitos a clientes que não têm relacionamento com a Caixa terão juros de 9,4% ao ano. Antes, essa taxa era de 9,9% ao ano. Já para pessoas que recebem salário pelo banco pagarão juros de 8,4% ao ano em vez dos 8,9% cobrados até anteontem. No caso de servidores públicos, a taxa pode chegar a 8,3% ao ano. Com as mudanças, num financiamento de R$ 600 mil, por exemplo, o mutuário que fechar contrato de 30 anos fará uma economia de cerca de R$ 43 mil. Num imóvel de R$ 1 milhão, a economia com a queda de juros, num financiamento de 30 anos, ultrapassa R$ 50 mil.

- Temos muitos clientes da Caixa que já compram imóveis nessa faixa e os clientes que conquistamos em 2012 também serão atendidos - ressaltou o vice-presidente de Habitação do banco, José Urbano Duarte, que confirmou que a estratégia é conquistar mercado entre as faixas de rendas mais altas.

Segundo o Banco Central (BC), esse nicho - financiamentos imobiliários desenquadrados do Sistema Financeiro Habitacional - está em cerca de R$ 20 bilhões. A Caixa financiou apenas R$ 3 bilhões em 2012 e quer chegar a R$ 6 bilhões em 2013. Dentro do SFH, que tem teto de R$ 500 mil, há R$ 270 milhões em contratos ativos no país. A Caixa tem 71,5% dos financiamentos de imóveis no Brasil.

Concorrentes mantêm juros

Os outros quatro principais bancos do país não correram ontem para anunciar redução de taxas, como ocorreu no ano passado com o crédito pessoal e tarifas. O Banco do Brasil (BB) disse que "no momento, não existe a decisão de alterar a taxa". No banco, os juros imobiliários são de 10% ao ano para clientes com pouco relacionamento (taxa de balcão), e de 9,5% para quem recebe salário numa conta da instituição.

Para o BC, o aumento desse tipo de operação de crédito é salutar já que o cidadão troca uma despesa de serviço, o aluguel, por investimento. Entretanto, ele tem feito aumentar a estatística de endividamento que chegou em 44,53% da renda, em outubro: um recorde.

As novas taxas prometem movimentar o setor da construção civil que, em dezembro, foi o beneficiado da vez de mais um pacote do governo que custará R$ 3,4 bilhões aos cofres públicos só neste ano.

Alinhamento com o governo

O Bradesco disse que vem reduzindo taxas, inclusive em imóveis de mais de R$ 500 mil, sem detalhar o valor desse corte. Os juros são de 11% ao ano na instituição. O Santander anunciou que já trabalha com taxas muito competitivas - quem não recebe salário no banco paga 11% ao ano. O Itaú Unibanco, por sua vez, informou que não há redução porque as taxas já são competitivas. O instituição disse que cobra dos clientes a partir de 8,4% ao ano, mas sem explicar o perfil necessário para o cliente obter esses juros.

Para Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating, o corte dos juros pela Caixa mostra alinhamento do banco com a política do governo de reduzir custo do crédito no país e incentivar a construção civil.

- As construtoras tiveram um ano difícil em 2012 - avalia Santacreu.

Roberto Kauffmann, presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Rio de Janeiro (Sinduscon-RJ), diz que o corte dos juros beneficia a classe média. Segundo ele, a Caixa incentiva a construção de imóveis na Zona Sul e parte das Zonas Norte e Oeste, onde o preço de um apartamento pode variar de R$ 500 mil a mais de R$ 1 milhão:

O financiamento de imóveis que custam mais de R$ 500 mil aumentou sua participação no crédito imobiliário do país: cresceu de 12,61% em 2010 para 18,32% em 2012, considerando os valores financiados (R$ 8,8 bilhões), segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Numa simulação feita pelos professores do Ibmec/RJ Gilberto Braga e Marcos Heringer, na compra de um imóvel de R$ 1 milhão, o mutuário pagará R$ 2.324.896,84 no Bradesco e no Santander. Já na Caixa, o total será de R$ 1.796.185,21 e, no Banco do Brasil, de R$ 2.105.886,26.

Fonte: O Globo