Banner AECweb
menu-iconPortal AECweb

Fundos setoriais de construção têm boom de captação

Texto: Redação AECweb

Após alta superior a 180% do índice do setor em 2009, cotista pode enfrentar queda no curto prazo, mas perspectiva de longo prazo é positiva

28 de agosto de 2009 - A disparada dos papéis das empresas de construção civil negociados na Bolsa de Valores de São Paulo neste ano motivou investidores a correrem para os fundos que investem apenas em ações do setor.

O Índice Imobiliário (Imob) da bolsa, que reúne os papéis das companhias do segmento e serve de referência para os fundos de construção civil dos grandes bancos, registra alta de perto de 180% no ano - mais de três vezes o avanço de cerca de 52% do Ibovespa, principal índice da Bovespa.

"Não há como negar a influência desse fator na captação", afirma o diretor-executivo da BB DTVM, Carlos José da Costa André. O fundo da casa, vendido nas agências do Banco do Brasil, teve depósitos líquidos (descontados os resgates) de R$ 76 milhões neste ano até o dia 25, o que - aliado à rentabilidade da carteira - fez o patrimônio saltar de R$ 1,3 milhão no fim de 2008 para os atuais R$ 101,7 milhões.

"Quando o investidor examina as opções de investimento em renda variável e se depara com a performance desses fundos, ela chama atenção. As empresas têm desempenho favorável no ano, o que reflete no fundo", diz André, destacando que nenhum outro fundo de ações da prateleira da instituição tem desempenho semelhante. O fundo BB Ações Construção Civil rende 171,7% em 2009, segundo o site financeiro Fortuna (www.fortuna.com.br).

"O setor teve uma performance muito ruim durante a crise no ano passado, com a saída dos investidores estrangeiros, além das dúvidas de que as empresas conseguiriam manter ritmo de crescimento, já que dependem de capital de giro e financiamento", diz o gestor de fundos do Itaú Unibanco, Luiz Ribeiro. "As grandes mudanças deste ano são o fato de a crise estar equacionada, de as empresas voltarem a ter acesso ao mercado, além do pacote do governo ("Minha casa, minha vida") e da queda da taxa juros."

Desempenho dos fundos
O fundo Unibanco Construção Civil, com rentabilidade de 128,5% neste ano, captou R$ 7,6 milhões desde janeiro e seu patrimônio - de R$ 26,3 milhões - mais que triplicou em comparação com o final de 2008. Não atingiu ainda, no entanto, o patamar de meados de 2007, quando chegou a ultrapassar R$ 100 milhões.

Embora já tenham tido valorização expressiva até agora, as ações de construção civil ainda têm perspectiva positiva daqui para frente. Foi com esta visão que a Caixa Econômica Federal lançou, há dois meses, um fundo referenciado no setor.

"Acreditamos que o programa ‘Minha casa, minha vida’ continuará favorecendo as ações de construtoras", afirma o gerente de fundos de renda variável do banco, Marcelo de Jesus. Desde o lançamento, a carteira rendeu 66% e captou R$ 9 milhões.

No Itaú Unibanco, a expectativa é de que o setor de construção civil siga com valorização superior à média do mercado. Tanto é que outras carteiras do banco - como os fundos Itaú Valor (que busca ações de empresas descontadas) e Itaú Multisetorial (que seleciona papéis dos considerados dois melhores setores) - aumentaram a exposição nestas ações. "No curtíssimo prazo, dada a recente valorização, pode haver queda, mas no longo prazo consideramos um ótimo investimento", afirma Ribeiro.

Analistas concordam com a avaliação de que o setor ainda é uma boa aposta para o longo prazo. "A perspectiva é bem positiva para o setor", diz o analista de construção civil da corretora Fator, Eduardo Silveira, que está revisando suas projeções para os papéis depois de ver as companhias entregando e projetando resultados melhores que os esperados. Na opinião dele, o pacote do governo é o grande assunto. "São R$ 34 bilhões que, embora tenham o foco mais voltado aos imóveis para a baixa renda, criam um otimismo geral", diz.

O analista ressalta que as vendas se recuperaram, inicialmente, no segmento de baixa renda e agora têm mostrado mais fôlego na faixa de preço até R$ 500 mil. Há espaço, agora, para as vendas de imóveis de renda média e alta se reerguerem. "Temos tudo para ter um segundo semestre bem melhor, com um terceiro trimestre mais interessante que o segundo."

Fonte: Agência Estado - SP

x
Gostou deste conteúdo? Cadastre-se para receber gratuitamente nossos boletins: